O som da sede

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Louise

Já fazia uma semana.

Uma semana inteira sem ver a luz do sol, sem banho, sem água o bastante pra molhar a garganta.
O quarto era pequeno, abafado, sem janelas. A comida vinha quando ele queria, às vezes um pedaço de pão, outras só silêncio.

Eu já nem sabia que dia era.
O corpo doía, as pernas tremiam, e a cabeça parecia latejar o tempo todo.
Eu só pensava nela, na minha menina.

Fechei os olhos e encostei a testa na parede fria. Meu cabelo grudava no rosto, o suor misturado com lágrimas antigas.

Foi aí que ouvi.
O som de passos perto da porta.

Meu coração disparou.

Me levantei com esforço, tropeçando nos próprios pés. Mas a porta não abriu.
Do outro lado, a voz e fria atravessou o buraco da fechadura.

   — Tá viva ainda, amor?

Fiquei em silêncio.

Não tinha força nem pra responder.
Mas ele riu.

   — Eu sabia que você era teimosa. Uma semana e ainda resiste...

A raiva queimou no peito, mas o corpo não acompanhava.

   — O que você quer? — minha voz saiu rouca, quase sem som.

   — Vim te atualizar sobre a nossa filha. — ele disse, em tom leve, provocador. — Ela tá linda. Crescendo rápido...

Parou um segundo, só pra me dar tempo de sentir o soco que vinha depois.

   — E não tá sentindo falta do seu leite.

Fechei os olhos e senti o mundo girar.

   — O que você tá dizendo?

Ele riu.

    — A Adriana tá dando conta direitinho. O peito dela é farto, sabia?
Tá alimentando muito bem a nossa filha.

   — Mentira. — murmurei, sem acreditar. — Você não faria isso…

   — Ah, já fiz, Louise. — respondeu, com uma calma doentia. — Eu precisava de alguém que cuidasse dela de verdade.
E você... você só me trouxe problema.

Me afastei da porta, desesperada.
As lágrimas vieram com força.

   — Ela é minha filha, Jimin! Minha! Você não pode...

    — Eu posso tudo. — cortou, seco. — E te digo mais... Adriana é uma mãe melhor do que você jamais seria.

O chão pareceu sumir debaixo de mim.
Me apoiei na parede, ofegando, sentindo o coração bater rápido demais.

   — Você é nojento…

   — Sou seu marido meu amor, e te avisei pra não me desafiar. — ele disse.  — Agora aprende.

Ouvi o barulho das chaves.
Ele ainda não abriu.

   — Ah, e não se preocupa — continuou. — Minha filha não sente falta do seu colo. dri canta pra ela, dá banho, põe pra dormir. Tá tudo sob controle.

   — Cala a boca! — gritei, sem força, mas com raiva. — Cala essa boca, Jimin!

Ele riu outra vez, riso leve, quase satisfeito.

   — Achei que você queria notícias…

   — Você tá me destruindo aos poucos...

   — Eu só tô colocando as coisas no lugar. — respondeu. — Você achou mesmo que podia me enfrentar?
Olha onde tá agora. Olha o estado em que você se colocou.

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