DNA

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Kim Taehyung

— Pode entrar. — falei sem tirar os olhos dos papéis sobre a mesa, quando ouvi batidas na porta.

A porta se abriu devagar. Ji-hoon entrou e fechou atrás dele, sem fazer barulho. Ele sempre tinha esse jeito calmo, mas eu percebia pelo olhar quando vinha com notícia séria. Hoje era um desses dias.

— Trouxe o que você pediu. — ele colocou uma pasta preta sobre a minha mesa. — E... não é pouca coisa.

Empurrei os papéis que estava revisando para o lado e puxei a pasta. O cheiro de papel recém-impresso ainda subia. Abri e comecei a folhear.

— Quanto tempo eles estão se movendo assim? — perguntei, olhando para a foto de dois homens em uma esquina, claramente vigiando algum lugar.

— Pelo menos duas semanas. Mas só conseguimos a confirmação ontem. — Ji-hoon puxou uma cadeira e sentou de frente pra mim. — Eles não estão só olhando. Já estão marcando território.

Fechei a pasta e apoiei os braços na mesa.

— E você acha que é coincidência que começaram a fazer isso logo agora?

Ele respirou fundo e deu um meio sorriso irônico.

— Coincidência? Não. É provocação.

Fiquei alguns segundos olhando para ele, pensando. — Eles sabem que estou ocupado com outras coisas. Estão aproveitando.

— Sim. E estão testando até onde podem ir antes de você reagir.

— Então vamos reagir. — falei seco, já puxando meu celular para anotar alguns nomes. — Quem está liderando essa porcaria?

Ji-hoon se inclinou para frente. — O nome que mais aparece é o Kang Min-seok. Ele está mais ousado ultimamente, e acho que não é só coragem. Deve ter alguém bancando ele.

— Dinheiro ou proteção? — perguntei.

— Os dois.

Soltei um suspiro baixo e comecei a bater o dedo na mesa. — Quantos homens eles têm nessa área agora?

— Uns dez. Mas armados, uns seis. E todos estão se encontrando nesse armazém no fim da rua do porto.

— O armazém da pintura?

— Esse mesmo.

Fiquei alguns segundos em silêncio. — Isso é território nosso há anos. Eles só estão lá porque acham que não vamos fazer nada.

— E vamos? — ele perguntou, medindo minhas reações.

Olhei pra ele de volta. — Claro que vamos. Só não vamos fazer do jeito que eles esperam.

Ji-hoon assentiu devagar. — Quer que eu mande alguém vigiar o lugar até a gente se mover?

— Sim. Mas não quero só vigiar. Quero ouvir. Instala microfone, câmera, tudo. Se a gente for fazer alguma coisa, quero ter certeza de quem vai estar lá.

Ele fez uma anotação rápida no celular. — E se eles descobrirem que estão sendo monitorados?

— Se descobrirem, já vai ser tarde.

Ji-hoon me olhou com aquele jeito de quem sabia que vinha algo mais. — Você quer limpar isso rápido, né?

— Quero. Não vou deixar que esses caras achem que podem crescer nas minhas costas.

OBSESSÃO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora