Lucca

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LOUISE

Lucca parecia ter saído de um cartão-postal.

As ruas de pedra, as construções antigas, as praças silenciosas com fontes no centro... Tudo tinha um ar calmo e seguro, diferente de tudo o que vivi nos últimos meses.

A casa em que Jimin me trouxe ficava um pouco afastada do centro. Tinha dois andares, um jardim florido na frente e um gramado amplo nos fundos. A fachada era bege, com janelas brancas e varandas pequenas. Me lembrou uma daquelas casas antigas que aparecem em filmes europeus. Linda.

— Você gostou? — Jimin perguntou, com um sorriso orgulhoso, enquanto me via girar no hall de entrada.

— É... linda, Jimin. Sério, eu nem sei o que dizer...

— Então não diz nada. Só fica bem aqui. Só isso já me basta.

Sorri, um pouco sem graça. A casa era grande demais pra mim. E o silêncio, embora gostoso, deixava um vazio estranho.

— Tem uma biblioteca lá no fim do corredor — ele apontou —, um escritório pequeno perto da escada e seis quartos no andar de cima. Escolhe qual quiser, tá? Já deixei dois preparados.

— Você fez isso tudo...

— Eu faria muito mais.

Ele me olhou com ternura, mas havia algo nos olhos dele que me fazia desviar o olhar. A forma como me observava... como se estivesse tentando me ler o tempo todo.

Depois de andar pelos cômodos, subir e descer as escadas, tocar nas prateleiras da biblioteca e me encantar com os vitrais antigos da casa, parei no corredor.

— Eu amei o quarto com vista pro jardim. Tem um cheiro bom ali.

— Então aquele é seu.

Jimin acenou para um dos empregados.

— Leva as malas dela pro quarto da frente, por favor. E as minhas pro do lado.

— Certo, signore.

— Louise... — Ele virou pra mim, ficando sério de repente. — Tem uma coisa que eu preciso conversar com você.

— O que foi?

— A gente não usou proteção... aquela noite.

Senti meu estômago revirar. Um calor subiu no rosto. Tive que desviar os olhos de novo.

— E você não toma anticoncepcional, certo?

— Não... nunca precisei. E... e não estava tomando.

— Ainda estamos dentro do prazo. Você pode tomar a pílula se quiser. Eu... comprei algumas, por precaução. Estão na bolsa médica.

Fiquei quieta por um segundo, engolindo seco.

— Você acha que... tem chance?

— Sempre tem, né? — Ele riu sem graça. — Mas, se serve de consolo... eu não me incomodaria de ter um bebê parecido com você andando pela casa.

— Jimin... por favor, não brinca com isso.

— Não tô brincando. Mas eu entendo. Você não precisa se preocupar. Só me diz o que quer fazer.

— Eu... — Respirei fundo. — Eu quero tomar a pílula. Por favor.

— Tudo bem. Vou buscar agora.

Ele deu dois passos, depois voltou e me encarou de novo.

— Você tá bem?

— Tô... só um pouco nervosa. Tudo é novo. O país, a casa, essa situação...

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