Pingos nos is

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Louise

Eu estava sentada à mesa da cozinha, mexendo distraída no café com a colher. Jimin estava na minha frente, com o celular na mão, lendo alguma coisa e tomando o dele. O barulho da colher batendo na borda da minha xícara era o único som, além do clique leve da tela do telefone dele quando ele trocava de aplicativo.

— Tá quente demais. — falei baixinho, assoprando o café.
Ele só respondeu com um “hm” sem tirar os olhos do celular.

A porta do corredor abriu devagar e a babá apareceu. Ela usava aquela blusa branca e calça confortável, segurando a Haneul no colo.

— Senhora… — ela começou, me olhando — a neném tá com fome.

Eu levantei na hora, puxando a cadeira pra trás.

— Eu vou amamentar ela no quarto. — falei, já estendendo os braços pra pegar minha filha.

Mas antes que eu pudesse, Jimin levantou a cabeça.

— Não. — disse, seco.

Eu parei, confusa.

— Como assim “não”?

Ele pousou o celular na mesa, sem largar de vez, e olhou pra mim.

— A babá tá aqui pra isso. Deixa ela se virar.

A babá ficou parada no mesmo lugar, olhando de um pra outro, meio sem saber o que fazer.

— Ela tá chorando, Jimin. — falei, sentindo minha voz mais firme. — É minha filha. Eu vou amamentar.

Ele apoiou os cotovelos na mesa, inclinou o corpo pra frente.

— Louise, a gente contratou alguém pra cuidar dela justamente pra você não precisar parar tudo o tempo todo.

— Parar tudo o tempo todo? — repeti, com uma risada curta e incrédula. — Eu tô tomando café na minha própria casa, com a minha filha no quarto, e você acha que eu não devo levantar pra cuidar dela?

Ele suspirou e recostou na cadeira, passando a mão pelo cabelo.

— Não é isso que eu tô dizendo. Mas… você precisa aprender a confiar em quem a gente contratou. Ela sabe o que fazer.

— Jimin, ela não tem leite. — falei, irritada. — Haneul não quer mamadeira agora, ela quer mamar. Ela precisa de mim.

Ele desviou o olhar pra xícara, mexendo no café como se aquilo fosse mais interessante do que a conversa.

— Então tira leite e deixa no frasco.

— Você tá falando sério? — perguntei, sentindo o sangue subir. — Ela só tem  um mês de vida. É o momento que ela mais precisa do contato comigo, e você tá aí, agindo como se eu fosse… como se eu fosse uma visita na vida dela.

A babá olhou pra mim de novo, quase pedindo permissão silenciosa.
— Pode me dar ela. — falei pra ela, estendendo os braços.

Mas Jimin levantou a mão, como se desse um sinal.

— Não. — repetiu, olhando pra babá. — Pode levar pro quarto e dar a mamadeira.

Eu bati a mão na mesa, não forte, mas o suficiente pra ele parar de falar.

— Jimin! Você tá ouvindo o que tá dizendo? É sério que você vai me impedir de amamentar minha própria filha?

Ele me olhou sem emoção, como se estivesse cansado daquela conversa antes mesmo de ela começar.

OBSESSÃO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora