Avalanche

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Kim Taehyung

A música batia fundo, grave, arrastada. Me afundei ainda mais na poltrona de couro, copo firme entre os dedos. A vodka pura. Quente na garganta, mas não o suficiente pra anestesiar.

Duas garotas riam baixinho na lateral da mesa. Trabalhavam ali. Rosto maquiado demais, vestidos curtos demais. Carla estava sentada no braço da minha poltrona, com a perna cruzada e o decote quase encostando no meu ombro.

- Você tá sumido, chefe - uma delas falou, mordendo o canudo da bebida. - Quase nem aparece mais...

- Problemas demais - respondi, sem tirar os olhos do copo.

Carla passou a unha pintada pelo meu peito, por dentro da camisa aberta. Uma das outras se abaixou um pouco e beijou meu pescoço.

- A gente sente sua falta aqui... - disse ela, rindo leve.

Carla inclinou mais o corpo e beijou meu ombro. Tentou subir até minha mandíbula.

Virei o rosto rápido, gelado. Segurei o pulso dela no ar, firme.

- Não - falei seco.

Ela congelou. Me olhou com os olhos tristes.

- Eu só queria...

- Você queria o que, Carla? Se agarrar no meu colo como uma idiota carente? - olhei nos olhos dela. - Você não é especial. Não pra mim. Nunca foi.

Os olhos dela começaram a brilhar. Não piscou. Não falou nada. Só levantou de um pulo.

- CARLA... - uma das garotas chamou, se levantando.

Larguei o copo e a segurei antes dela bater a cabeça no piso.

- Caralho...

Peguei ela no colo. O corpo tava leve. Magra demais.

As meninas abriram caminho. Levei direto pro fundo, pelo corredor das funcionárias. Entrei no dormitório feminino, joguei o cobertor de uma das camas pro lado e deitei Carla ali.

- Vai chamar a Hyemi e a Yuna. Agora.

- Mas, senhor...

- Eu falei agora!

A garota correu.

Carla abriu os olhos, meio grogue.

- O... o que...

- Fica quieta. Não fala nada. Respira devagar.

Ela tentou sentar, mas eu segurei o ombro dela contra o colchão.

- Eu tô bem...

- Não tá. Você desmaiou.

- Foi só a bebida... eu juro...

- Não tem que jurar nada pra mim. Amanhã você vai pro médico. Você e todas as meninas daqui.

Ela me olhou, confusa.

- Por quê?

- Porque vocês trabalham pra mim. E eu não quero nenhuma doente ou quebrada andando por aí.

- Então é só isso? Controle?

- É proteção. Do meu jeito.

A porta se abriu. Hyemi e Yuna entraram.

- Cuidem dela. A noite acabou pra Carla.

- Sim, senhor.

Saí do quarto, puxando a porta devagar. No corredor, peguei o celular e disquei.

OBSESSÃO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora