Armazém 07

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Kim Taehyung

— Tira a venda dele. — minha voz foi seca.

Ji-hoon puxou a faixa preta dos olhos do cara amarrado na cadeira. Ele piscou rápido, tentando entender onde tava.

— Olha pra mim. — me aproximei. — Sabe quem eu sou?

— S-Senhor Kim... eu... eu—

— Responde. Sim ou não.

— Sim... sim, senhor.

— Então você sabe que se tá aqui, é porque fez merda.

— Eu... eu posso explicar.

— Não quero explicação. Quero a verdade.

— Eu não roubei! Juro por Deus!

Suspirei fundo. Sentei de frente pra ele. Olhei nos olhos.

— Tá achando que eu sou quem, porra? Um otário? — bati a mão na mesa de metal, fazendo ele se assustar. — O contêiner da China chegou com 22 pacotes a menos. Quer que eu finja que foi erro da alfândega?

— Eu só fiz o que o Jinho mandou... foi ele que... que disse pra desviar um pouco da carga. Pra ajudar a pagar a polícia.

— Jinho tá morto desde semana passada.

O silêncio dele me deu a resposta.

— Então você mentiu. E ainda por cima jogou a culpa num homem morto.

Levantei. Tirei o paletó e joguei sobre a bancada.

— Ji-hoon, faca.

Ele me entregou a menor. Fina. Precisa. Boa pra arrancar coisas.

— P-Por favor... eu tenho família... filho pequeno...

— E acha que isso me importa?

Passei a lâmina devagar no rosto dele. Só o suficiente pra cortar superficial. Um filete de sangue desceu. Ele tremeu.

— Você sabe quantos homens tentaram fazer o que você fez?

— Não...

— Nenhum deles respira hoje.

Abaixei até ficar na altura do ouvido dele.

— E sabe por quê?

Ele ficou em silêncio. Tremendo.

— Porque eu não perdoo traição. Nem meia traição. Nem intenção de traição.

Fiquei de pé de novo.

— Ji-hoon, corta o dedo indicador.

— Qual mão?

— A que escreve.

Ji-hoon puxou com firmeza. A faca desceu. O grito foi imediato, rasgando o silêncio do galpão.

— AAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH!

O dedo caiu no chão. O sangue jorrou. Ele gritava, esperneava, cuspia.

— Cala a boca. — falei, impaciente.

Peguei uma toalha e limpei o sangue da faca. O cheiro tava ficando forte.

— Você tem duas opções agora. — olhei sério. — Ou me entrega os nomes de quem tá nessa com você, ou o próximo vai ser o olho.

Ele chorava, babava, mas não falava nada.

— Um olho. Só um. — repeti, olhando pro Ji-hoon.

Ji-hoon olhou pra mim, esperando certeza. Confirmei com a cabeça.

OBSESSÃO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora