O Silêncio Entre Nós

153 16 5
                                        

Louise



Eu ainda estava ali, sentada na poltrona, com minha pequena dormindo nos meus braços. O quarto estava calmo, só o barulho suave do vento batendo na janela e a respiração leve da minha filha.

Eu não conseguia parar de pensar no que tinha acabado de ouvir. Cada palavra daquela mulher ainda ecoava na minha cabeça como se tivesse sido dita dentro do quarto.

“Eu fiz tudo pra ela casar com você.”

Apertei a bebê um pouco mais. Senti o cheirinho do shampoo dela, o calorzinho do corpo pequeno.

— Tá tudo bem, meu amor — murmurei baixinho, com a voz embargada.

A porta do quarto abriu de repente.

Meu corpo travou.

Jimin.

Ele ficou parado na porta, os olhos arregalados quando me viu. Por um instante, pareceu surpreso. Depois, forçou um sorriso.

   — Ah… você já chegou meu amor — ele disse, tentando soar leve. — Eu ia subir pra ver ela.

Meu coração disparou.
Meu olhar ficou preso no rosto dele por 2 alguns segundos e por um momento eu só conseguia ouvir o som da minha própria respiração.

   — Ela tava chorando — falei, sem voltar a olhar pra ele.

Ele deu alguns passos pra dentro, devagar, como quem tem medo de assustar.

   — Deixa eu ver… — disse, estendendo a mão. — Dá ela pra mim.

Instintivamente, me levantei da poltrona e dei dois passos pra trás.

Ele parou.

   — O que foi isso? — perguntou, com o cenho franzido. — Eu só quero pegar a minha filha, Louise.

   — Ela tá com cólica — respondi, tentando manter a voz firme. — Precisa de calor, de ficar assim… comigo.

Ele me olhou por alguns segundos, como se tentasse decifrar o que eu tava sentindo.

   — Tá me evitando por quê? — perguntou, com um sorriso tenso. — O que aconteceu agora?

   — Nada — menti. — Só quero que ela durma.

Ele riu, nervoso.

   — Nada? — repetiu. — Você não tá me olhando nem por dois segundos, e quer que eu acredite que é “nada”?

   — Jimin… — suspirei, ajeitando o corpo da bebê no colo. — Eu tô cansada.

   — Cansada? — ele interrompeu, dando um passo à frente. — Você sempre tem uma desculpa.

   — Ela acabou de nascer — falei, irritada. — Você quer que eu faça o quê?

   — Eu quero que você pare de me tratar como se eu fosse um estranho dentro da minha própria casa — ele rebateu, elevando o tom. — Eu tenho o direito de segurar a minha filha, Louise.

   — Eu não tô dizendo que não tem — respondi, tentando manter a calma. — Só tô dizendo que agora não é o momento. Ela tá dormindo, Jimin.

Ele respirou fundo, os olhos brilhando de raiva.

   — Não é o momento — repetiu, como se provasse as palavras.

   — Eu só tô cuidando dela — falei, firme. — É o que uma mãe faz.

   — E o pai? — ele rebateu, apontando pra si. — O pai serve pra quê, então?

OBSESSÃO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora