Fim de noite

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LOUISE



O sol já estava baixando quando terminei de organizar os últimos papéis do dia. Decidi respirar um pouco. Meus pés me levaram até o jardim sem nem perceber. O ar fresco, o cheiro das flores... tudo parecia mais leve ali fora.

— Eu devia passar mais tempo aqui — comentei, sentando no banco de madeira sob a pérgola coberta de jasmins.

Minutos depois, Taehyung apareceu, com a camisa ainda meio aberta e as mangas dobradas. Ele tinha acabado de sair de uma ligação, provavelmente com alguém da empresa... Bem, do lado que eu preferia não pensar agora.

— Achei que estivesse no escritório — ele disse, olhando ao redor e depois vindo na minha direção.

— Estava. Mas aí resolvi vir respirar um pouco. Tá bonito hoje, né?

Ele sentou do meu lado e ficou quieto por alguns segundos, observando o céu alaranjado. Depois virou o rosto pra mim e sorriu de leve.

— Você fica bonita nesse tipo de luz.

Ri, sem graça, virando o rosto.

— Bobo...

— Tô falando sério. E também tô tentando ser mais romântico, você notou?

Olhei pra ele, com aquele meio sorriso que escapava mesmo quando eu queria parecer firme.

— Notei... aliás, notei muita coisa ultimamente. Você anda... diferente.

— Diferente como?

— Não sei... mais gentil. Menos mandão. Você anda me ouvindo mais, cuidando mais... — fiz uma pausa, olhando as mãos entrelaçadas no colo.

Ele ficou em silêncio por um instante. Pegou minha mão e passou o polegar devagar sobre minha pele.

— Eu tô tentando, Louise. Porque você... você é diferente de tudo que eu já conheci. E eu não quero perder isso.

— Eu também não quero perder isso, Taehyung.

Ficamos quietos por um momento, ouvindo só o som dos grilos e do vento balançando as folhas. Ele se aproximou e encostou a testa na minha.

— Sabe o que é louco? — ele sussurrou.

— O quê?

— Que às vezes eu olho pra você e sinto paz. Uma coisa que nunca senti antes.

— Eu também sinto paz com você. Mesmo quando você tenta bancar o durão.

Ele riu baixo, com o nariz encostando no meu.

— Se eu soubesse que cuidar de alguém podia me fazer tão bem... teria feito isso antes.

— Então vamos continuar fazendo bem um pro outro. Sem pressa. Sem máscaras.

— Fechado — ele disse, e me puxou pra um abraço apertado.

Ficamos ali, abraçados, por mais alguns minutos. O céu escurecendo devagar, as luzes do jardim começando a acender automaticamente.

 O céu escurecendo devagar, as luzes do jardim começando a acender automaticamente

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TAEHYUNG


Entramos pela porta dos fundos da mansão, ainda de mãos dadas. Ela apertava meus dedos de um jeito leve, sem perceber. Como se o simples toque bastasse pra lembrar que estava comigo.

Fechei a porta atrás de nós, trancando tudo por hábito. Minha casa sempre foi meu forte. Hoje, com ela ali dentro, virou santuário.

— Quer beber alguma coisa? — perguntei, soltando as chaves na bancada da cozinha.

— Um suco. De maracujá, se tiver. — Ela sorriu e foi se sentar no banco alto, cruzando as pernas com a leveza de quem não precisava se esforçar pra ser bonita.

Abri a geladeira e fiz o que ela pediu. Sem reclamar, sem delegar pra ninguém. Ela me olhou surpresa.

— Você mesmo vai fazer?

— Você tá me achando incapaz, é isso? — ironizei, pegando o copo.

— Não... só... é raro ver você assim.

— Assim como?

— Calmo.

Ri baixo.

— Eu tô longe de estar calmo, mas... com você é diferente. Com você, eu posso baixar a guarda um pouco.

Ela baixou os olhos, mexendo no anel de noivado como sempre fazia quando ficava nervosa ou emocionada. Me aproximei e coloquei o copo na frente dela.

— Aqui.

— Obrigada.

— Louise... — falei, encostando no balcão de frente pra ela. — Sabe por que eu ando diferente?

Ela ergueu os olhos pra mim, atentos.

— Porque você me fez ver que eu posso ter mais. Que eu não preciso ser só o homem que manda — Fiz uma pausa. — Com você, eu quero ser... melhor. Não porque eu preciso. Mas porque você merece.

Ela segurou o copo com as duas mãos, tentando disfarçar que os olhos marejaram.

— Taehyung...

— Você é doce, inteligente, tem um coração que... eu não entendo. Mas admiro. E mesmo depois de tudo, mesmo quando eu fui um desgraçado, você ficou.

— Eu... — ela sussurrou.

— Eu sei, quis ir embora. E teria sido minha culpa.

Ela levantou e me abraçou. Os braços dela envolveram minha cintura e o rosto afundou no meu peito.

Fiquei ali. Parado. Sentindo. Porra... eu tava sentindo algo de verdade.

— Tá com sono? — perguntei, depois de um tempo.

— Um pouco...

— Então vem. Vamos pro quarto. Eu te faço dormir do meu jeito.

Ela riu baixinho, envergonhada. Puxei a mão dela e fomos subindo as escadas. O corredor estava escuro, silencioso. Fechei a porta do quarto atrás de nós.

Ela se sentou na beira da cama, tirando os sapatos. Eu tirei a camisa, jogando sobre a poltrona.

— Você vai continuar mudando? — ela perguntou, com aquele olhar de dúvida e fé ao mesmo tempo.

— Por você, sim. Mas nunca esquece quem eu sou. Não sou o cara bonzinho da novela. Ainda sou o filho da puta que manda em tudo lá fora. Só que aqui dentro... — toquei o peito dela com dois dedos — aqui, eu sou só seu.

Ela sorriu. Um daqueles sorrisos que faz o peito doer de tão simples e verdadeiro.

Deitamos. Ela colada em mim. Minha mão nas costas dela. A respiração calma. O silêncio confortável.

A casa tava quieta.

Mas dentro de mim, uma guerra acontecia: o homem que aprendeu a dominar tudo... e o homem que tava começando a aprender a amar.

E por ela... eu tava disposto a perder o controle.

 eu tava disposto a perder o controle

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