Confiança

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Louise



Depois do café da manhã, Jimin me mostrou o resto do apartamento. Era tudo tão bonito, tão bem cuidado... E, mesmo com o tamanho do lugar, me senti confortável.

Ele não fazia perguntas, não ficava me olhando como se eu fosse frágil demais. Ele apenas... me deixava ser.

— Fica à vontade aqui, tá? — ele disse, pegando o paletó no encosto do sofá. — Se quiser assistir algo, ler, dançar no meio da sala, dormir de novo... pode fazer. A casa é sua.

— Obrigada, Jimin... de verdade.

— Nada de "obrigada". Você já me agradeceu umas trinta vezes.

— Tá bom... — sorri fraco.

— Qualquer coisa, me chama. E, se quiser ir embora, me avisa também. Eu deixo um carro à disposição, só dizer.

Assenti com a cabeça.

Ele veio até mim, afagou meu ombro com delicadeza e me deu um sorriso caloroso.

— Se cuida, florzinha.

E saiu, fechando a porta com um silêncio educado.

Suspirei, olhando o relógio. Ainda nem eram dez da manhã. Andei até o sofá e me sentei por alguns minutos, mas o vazio da sala parecia gritar. Levantei.

— Tá, Louise... você precisa ocupar a cabeça...

Comecei andando pelo apartamento. Passei pela sala, ajeitei umas almofadas que estavam fora do lugar, empilhei umas revistas que estavam soltas na mesinha de centro. Depois fui até o corredor, recolhi um tênis largado perto do banheiro e coloquei ao lado do outro, junto à porta.

A cozinha estava limpa, mas eu ainda senti vontade de mexer em alguma coisa. Abri os armários de cima. Pratos organizados, copos empilhados com cuidado, xícaras alinhadas.

— Nossa, ele é mais organizado do que parece...

Abri os armários de baixo. Alguns pacotes de arroz, macarrão, enlatados, coisas básicas. Comecei a pensar em algo que eu conseguiria fazer. Abri a geladeira. Tinha ovos, legumes, queijos, peito de frango embalado...

— Omelete recheada com legumes e frango... acho que dá certo.

Lavei as mãos e comecei a separar os ingredientes. Descasquei a cenoura, cortei em tirinhas finas. Peguei uma abobrinha pequena e fiz o mesmo. Refoguei os legumes com um fio de azeite e um pouquinho de sal. Depois desfiei o frango que achei pronto em um pote na geladeira e misturei tudo numa tigela.

— Agora os ovos... — murmurei, quebrando três numa tigela separada. Temperei, bati com o garfo e coloquei na frigideira já quente.

O cheiro começou a tomar conta da cozinha.

— Isso tá cheirando bem...

Estava colocando as omeletes numa travessa quando ouvi a porta se abrindo.

— Tô de volta! — a voz de Jimin ecoou do hall.

— Jimin? — falei surpresa. — Você esqueceu alguma coisa?

— Não. — ele apareceu na cozinha com uma sacola na mão. — Vim almoçar com você.

— Sério?

— Sério. — ele sorriu. — Fiquei com saudade da minha hóspede.

— Você é louco. — ri baixinho. — Tava fazendo almoço agora...

— Eu também. — ele ergueu a sacola. — Comida árabe. Tava passando na frente e o cheiro me pegou pelo estômago.

— Ai, eu amo comida árabe!

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