Capítulo 5 :

609 66 42
                                        


A mesa do jantar já estava posta, quando a campainha tocou e Carla olhou para Arthur não entendendo, pois havia apenas Anne que chegaria amanhã e mais alguns amigos de Arthur. Este, falou para que ela fosse abrir a porta, já que estava mais próxima. Carla se arrastou até a porta com um sorriso simpático no rosto e ao abrir a porta e dar de encontro com cinco rostos muito bem conhecidos por ela, quase caiu para trás, mas antes de fazer isso, teve que dar um berro, expressando toda sua alegria naquele momento.

Carla: Eu não acredito nisso! Não acredito mesmo!

Carla continuava a gritar e a essas horas, Arthur, que sabia muito bem quem era na porta, estava no hall junto de Mara e Boninho, que sorriam da cena de Carla gritando.

Carla: Bianca! Lara! Miguel! Théo! Bella! — berrava o nome das irmãs, dos sobrinhos e do cunhado ao ver todos paradinhos sorridentes em frente à porta.

Bianca: Sua educação me impressiona cada dia mais Carlinha, fica só gritando e nem me deixa entrar. — a morena, no alto de seus quarenta e dois anos, agarrou Carla em um abraço saudoso, muito bem correspondido por Carla.

Como sentia falta daquela parte da família em sua vida. Havia anos que o contato com elas estava cada vez mais difícil. Moravam em Puebla e era longe demais, ainda mais agora com ela morando em Mônaco. A última vez que se viram, foi no velório de Helena, um encontro rápido e triste, que ninguém ali estava disposto a lembrar.

Lara: Que saudades, baixinha! — abraçou a irmã assim que Bianca a soltou.

Carla observou o quanto Lara estava linda, era uma mulher belíssima, de cabelos negros cortados acima dos ombros e Carla reconheceu que a separação há cinco anos só tinha feito bem a Lara, que pareceu ter ressurgido de uma vida que não lhe agradava mais.

Isabella: Titaaaaaa! — pulou em cima de Carla, levando um xingo da mãe por quase ter derrubado Carla ao chão.

A tia pode finalmente olhar o quanto sua sobrinha estava enorme. Beirando os vinte anos de idade, a menina era uma das mulheres mais lindas que Carla já tinha conhecido. Era uma beleza delicada, puxando principalmente os traços de Carla, o que fazia Bianca sentir ainda mais ciúmes, pois se já não bastasse o amor exagerado de Bella pela tia, ainda eram bem parecidas. Mas Bella tinha os cabelos castanhos cortados um pouco abaixo dos ombros e este caia em leves ondas, os olhos eram escuros e doces, fazendo um contraste perfeito com a pele branca e as bochechas rosadas. Era uma linda e estudiosa garota, que estava no segundo ano de medicina em uma das melhores faculdades do México, era o orgulho de Bianca e do pai Théo.

Isabella: Nem acredito que vou ter outro priminho. — acariciou a barriga de Carla que sorriu e segurou a mão da sobrinha.

Miguel: Dá para parar de monopolizar minha tia? — a voz grossa e o homem alto empurrou Bella para o outro lado.

Carla sorriu e ergueu os olhos para mirar seu outro sobrinho, filho de Lara, que estava um verdadeiro homem. Tinha vinte e quatro anos e acabado de formar em direito e sem dúvidas algumas, tinha puxado o pai, era alto e tinha os cabelos castanhos claros encaracolados. Era a cópia perfeita da irmã, Gabriela, que naquele momento estava na Suíça, fazendo um intercâmbio e por isso não estava ali.

Após todos aqueles cumprimentos com  Carla, passaram a falar com Arthur, Mara e Boninho. Assim que chegaram à sala de jantar, o choque foi total, quando viram como todos estavam mudados. Carla nem acreditava que aquilo estava acontecendo e pulou em cima de Arthur, agradecendo com um beijo a surpresa que ele preparou, chamando suas irmãs e sobrinhos para passar as festas com ela.

Maria Clara prontamente levantou para falar com as tias e os seus primos, mas Lucas, não moveu um passo, estava extremamente chocado como Bella, sua prima que não via há mais de cinco anos, tinha crescido e ficado bonita. Pelo cutucão que Victor deu em suas costelas, Lucas percebeu que ele não foi o único a olhar para a prima.

Isabella: Priminho! — ao ver Lucas parado em pé ela saiu correndo e foi até ele, lhe dando um abraço apertado.

Lucas que nem um pamonha ficou parado. Alice que estava sentada vendo a cena olhou para Lucas e não gostou nada daquela cara dele para Bella. E ao ver o sorriso malicioso de Victor, ela concluiu que não sairia boa coisa dali.

Isabella: Você está tão diferente. — ela comentou, após o abraço e apertar o braço de Lucas e nem conseguir, de tão forte que ele estava. Lucas deu um sorriso e seus olhos caíram para baixo, no decote dela.

Lucas: Você também Bella, está... Linda. — abriu outro sorriso e a garota ficou com as bochechas coradas pelo elogio.

Envergonhada, deixou Lucas de lado e foi falar com Victor e Alice, amigos dos primos dos quais ela se lembrava de algumas brincadeiras na infância e a presença deles nos aniversários de Lucas e Maria Clara. Após todos se falarem, finalmente começaram a comer e Carla não podia estar mais feliz, estava realmente com sua família reunida por completo, após tantos anos e aquilo era mais do que merecido, após tantos problemas e separações na vida de todos.

Ao final do jantar, Carla subiu com as irmãs para o quarto, para colocar a conversa em dia. Os maridos acabaram indo para o salão de jogos. E Anthony, animado com toda aquela badalação sugeriu que fossem passear na praia. E lá se foram os casais, deixando para trás Lucas e Bella, que conversavam sobre a faculdade dela e o trabalho dele na Ferrari.

Alice: Lucas, você não vem?

Ela voltou para a varanda, falando de um jeito estranho com ele que abriu um sorriso e convidou a prima para passear junto com os outros. Alice o fuzilou com os olhos e vendo que Bella saiu correndo na frente, animada com o passeio, ela lhe deu um cutucão.

Alice: Isso é incesto se não se lembra. — disso o que fez franzir a testa, como se não tivesse entendido. — Não faça essa cara, eu te conheço muito bem e sei que sua mãe te mataria se tentasse alguma coisa com a queridinha dela.

Lucas: Olha lá com quem ela está falando. —apontou e os dois olharam Bella sendo ajudada por Anthony a descer a escada enquanto tirava os sapatos.

Alice olhou e para sua surpresa não sentiu nada, era apenas a prima de Lucas sendo ajudada pelo seu namorado.

Alice: Não sinto ciúmes de ninguém. — deu de ombros.

Lucas: E porque veio falar comigo dela, então? — um sorriso no canto de sua boca começou a surgir até ver Alice fechar a cara e fazer um bico que ele achou uma graça.

Alice: Está supondo o que? — cruzou os braços e arqueou a sobrancelha, fazendo ele rir. — Te conheço muito bem, garoto. — piscou e ele começou a rir. — Não consegue ficar sem ninguém quando vem a Arraial  não?

Ela perguntou o que fez ele novamente rir, se lembrando da última vez que esteve em Arraial do Cabo, ainda estava com Giulia e Alice, quando começaram a namorar, disse que ao ver eles dois juntos, foi aí que começou a gostar dele.

Lucas: Eu aposto que consigo. — a desafiou e ela revirou os olhos.

Alice: Vamos fazer uma aposta então. — ela entrou na frente dele, o impedindo de andar. Lucas riu e olhou para aquele sorriso lindo bem a sua frente. — Se conseguir até o primeiro dia do ano que vem, não ficar com absolutamente ninguém aqui, eu faço qualquer coisa que você quiser. Se não, vai ter que fazer o que eu quiser.

Lucas: Fechado. — os dois apertaram a mão, o que causaram mais risos. — Está me subestimando.

Alice: Você é um Picoli, querendo ou não. Não vai aguentar ver tanta mulher bonita de biquíni. — deu de ombros.

Lucas gargalhou, saindo correndo pela praia e deixando ela para trás. Alice respirou aliviada, não gostaria nem de imaginar o porquê de estar tão feliz ao saber que Lucas não ficaria com ninguém na frente dela. Era egoísmo puro, mas não conseguia se controlar.

Comentem

Arthur: O Piloto III 🎡Histórias para pegar e não largar. Descubra agora