Ótimo, Ucker pensou. Isso o pouparia do trabalho de expulsá-la de sua casa.
Também evitaria discussões para mostrar que os planos bem-intencionados de Anderson não trariam sua esposa e sua filha de volta. Nada poderia modificar o que já acontecera. Mesmo que Anderson e sua fisioterapeuta fizessem o milagre de devolver-lhe as mãos, mesmo que ele continuasse salvando vidas pelo resto de seus dias, nada disso faria a menor diferença para ele. Ainda ouviria os gritos da filha ecoando noite a fora, ainda acordaria molhado de suor e tremendo na escuridão... exatamente como merecia.
Não, nada mudaria. Nem queria que mudasse. Não queria uma bendita fisioterapeuta, nem uma segunda chance. Queria apenas ficar sozinho. Completamente sozinho.
A campainha soou. Dois toques longos, quebrando o silêncio. Droga. Ela estava atrasada, mas estava lá. Só podia ser ela. Ninguém, além de Anderson, cometeria a tolice de procurá-lo. E Dan deveria estar no hospital, naquela hora.
Ucker levantou-se. Caminhou até a porta e ficou olhando para a maçaneta. Não fez menção de tocá-la.
- Está aberta - disse.
Estava sempre aberta, claro. Não conseguia manusear o mecanismo, nem manusearia, se pudesse. Quem poderia condenar um homem em luta contra os próprios demônios?
Então, a porta se abriu e todos os pensamentos relativos a fechaduras, maçanetas e demônios dissiparam-se. Um mulher surgiu no túnel formado pela claridade da porta aberta. Tinha cabelos cor de mel, compridos e encaracolados, que o vento jogara nas faces dela. Ucker reparou que a cabeça da mulher mal batia nos ombros dele. Notou também que enquanto ela sorria, os olhos azuis-esverdeados mostravam-se cautelosos.
A cautela era algo, uma ferramenta, que Ucker poderia usar. Dan Anderson pensava que tinha Ucker em suas mãos, mas Ucker seria capaz de apostar que Dan não tinha percebido a preocupação estampada naqueles olhos azuis-esverdeados. Se aquela era a melhor profissional que o Southeastern Illinois Memorial poderia oferecer, então, ele estava praticamente livre. Em cinco minutos, ela estaria voltando para Dan Anderson.
Ucker forçou algo que consideraria como um esboço de sorriso. Afinal, sorrisos não faziam mais parte do cotidiano de Christopher Uckermann.
Ela continuava olhando para ele, ainda sorrindo.
- Olá, Dr. Uckermann. Sou Dulce maria. O Dr. Anderson já conversou com você
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um pai perfeito
FanfictionSinopse: Charles precisa de um pai... Alguém para levá-lo à feira cultural. Alguém que não tenha medo de monstros. Alguém que também ame sua mãe e a faça feliz. Mas não será fácil encontrar o pai perfeito. Por isso, Charles fez uma lista... ...e Chr...
