A semana voou e, de repente já era sábado, Dulce estava determinada a mostrar-se entusiasmada e encarar a despedida de Ucker como a de qualquer outro paciente.
Levantou cedo, preparou um esplêndido café da manhã, planejou atividades para ela e Charles. Poderiam limpar a casa, ir ao parque, ler, desenhar. Eram passatempos simples, mas divertidos.
No final da tarde, já não sabiam mais o que fazer. Em vez de alegres, sentiam-se desanimados. Dulce estava irritada consigo mesma, por sentir-se daquela maneira, por ansiar que o tempo passasse para que Ucker...
-Mamãe? - A voz aguda de Charles interrompeu os pensamentos dela.
-Sim, querido? Quer saber as horas de novo? Não faz nem dois minutos que você perguntou - ela disse num tom indulgente.
Sentado no chão, com as pernas cruzadas, ele desenhava na mesa de centro.
-Não, mãe. Sei que Ucker ainda vai demorar. Você me disse. Quero que soletre uma coisa para mim. Como se escreve Grande?
Grande? - Dulce ergueu uma sobrancelha, surpresa. Raramente, Charles lhe pedia para soletrar palavras. - Ok. Vamos lá. - Ela soletrou e Charles escrevia, apertando a língua entre os dentes.
¾ Ok. Agora, cabelos.
-O que você está escrevendo, afinal? - Inclinando-se, ela tentou ler o que ele escrevia.
¾ Nada, mãe. Só mais uma palavra, tá? Uma só. Ela encolheu os ombros.
¾ Quantas você quiser, querido. Diz a palavra.
¾ Amarelos.
Dulce encarou o olhar determinado de Charles. Deixando o desenho de lado, ele escrevia num pedaço de papel. De imediato, Dulce reconheceu a lista. Viu que ele escrevera Grande ao lado da palavra Baixo, já riscada. Então, ela compreendeu que o próximo item seria Cabelos amarelos. Sua primeira reação foi protestar, explicar novamente que as coisas não eram bem como ele desejava. Porém, ela reconsiderou a tempo e simplesmente soletrou a palavra. Aquele não era o momento para discussões. Já explicara ao filho que Ucker não poderia ser seu pai. Charles sabia, mas não se importava. Continuava descrevendo Ucker em sua busca por um pai. Nada o faria mudar de idéia. Somente o tempo e a ausência de Ucker o convenceriam da realidade.
Distância de Ucker, era o que ambos precisavam.
Dulce comprimiu os lábios. Seu coração era tão teimoso quanto Charles. Ela ainda queria um dia com Ucker. Mais um dia perto dele. Mais um dia para acumular lembranças que durariam para sempre.
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um pai perfeito
FanfictionSinopse: Charles precisa de um pai... Alguém para levá-lo à feira cultural. Alguém que não tenha medo de monstros. Alguém que também ame sua mãe e a faça feliz. Mas não será fácil encontrar o pai perfeito. Por isso, Charles fez uma lista... ...e Chr...
