capítulo 69

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Lentamente, ele se afastou para dar-lhe passagem e espaço para respirar... e pensar.


-Bobagem! São apenas bifes. E, como você tem prática em lidar com facas, poderá cortá-los, se quiser, é claro. Afinal, você é cirurgião!


-Você é uma mulher astuta e perigosa, Dulce. Sabe como manipular um homem - ele completou, inesperadamente.


Ela o olhou por sobre o ombro.


-     Não, Ucker. Não é nada disso. Estou apenas tentando agradecer-lhe. Você cuidou de Charles hoje. Ajudou-me. Charles parece mais alegre, mais relaxado. Graças a você. Será que é tão difícil assim aceitar um simples agradecimento meu, sem discutir tanto?


Ucker abriu a boca para protestar, mas os dedos de Dulce calaram-no.


- E só um convite para jantar. Você não merece?
Com os dedos dela ainda em seus lábios, Ucker pegou-lhe a mão, pousando-a em seu peito. Ela sentiu a maciez da pele, a rigidez dos músculos, o sobe-e-desce da respiração. Ele a manteve assim por alguns segun­dos, depois, soltou-a.


-     Vou ficar e mostrar minha habilidade com a faca nos seus bifes, Dulce.


Era uma vitória, claro, embora Dulce notasse que Ucker não respondera às suas perguntas. Com cer­teza, ele não concordava que merecesse agradecimen­tos. Por isso, ela não podia evitar mais uma pergunta.


Ocupada com o preparo do jantar, esperou até ouvir Charles cantando na sala, para não serem interrompidos.


¾ Ucker?


¾ Sim, Dulce?


Ela hesitou, sabendo que vasculhava assuntos que não lhe diziam respeito. Mas, queria saber. Ele se es­condera por longo tempo e obstinadamente mantivera-se em reclusão. No entanto, cedera às pressões logo no primeiro dia em que ela fora à casa dele. Tanta obstinação não desaparece com tanta rapidez.


-     Ucker, exatamente quais argumentos Dan Anderson está usando para convencê-lo a mudar de idéia? Nunca perguntei a ele e jamais perguntarei. Mas, te­nho certeza de que existe alguma coisa sob tanta insistência. Tem a ver com sua profissão? Você precisa de ajuda? Posso fazer alguma coisa?

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