A canção foi interrompida por um acesso de tosse. Depois, Charles prosseguiu.
"E, quando sarar, vou poder sair, sair, sair. Aí vou brincar no parque." As batidas das teclas do piano continuavam num ritmo imaginário. "Não hoje, mas, logo, logo."
Obviamente, a canção não tinha o menor mérito musical, mas, Ucker quase podia visualizar o menino, sentando diante de um piano de brinquedo, alheio ao mundo que o rodeava, colocando para fora as palavras que lhe vinham à mente.
Foi essa espontaneidade infantil que magoou Ucker, que levou lágrimas aos olhos dele. Um dia, ele tivera uma criança em casa, uma criança que cantava canções improvisadas, como aquele garoto. Uma criança a quem daria a própria vida para ouvi-la de novo.
Erguendo a cabeça, viu a expressão de choque de Dulce. Levantando-se num salto, ela correu em direção ao quarto. Sabia o que ela ia fazer. Acabar com a brincadeira de Charles. Pedir ao filho para ficar em silêncio. Para proteger o paciente, um homem crescido. Um homem que, uma vez, silenciara a canção de uma menina.
- Dulce, pare. - Estendeu-lhe a mão, mesmo estando ela de costas. O tom de sua voz foi alto, mais alto do que pretendera.
Lentamente, ela se voltou. Uma pergunta bailava em seus olhos.
¾ Sinto muito, Ucker. Não demoro. Vou apenas...
-Sei muito bem o que você vai fazer. Mas, não faça nada. Volte aqui. Deixe-o sozinho. Não me importo. Ele não está me incomodando.
Era mentira, uma tremenda mentira. Só Deus sabia como ele se magoava com cada palavra, cada som, daquela música improvisada. Mas isso não importava. Sofreria ainda mais depois que silenciasse o menino. Não, ele não iria calar a voz de uma criança. Não magoaria uma criança de novo. Não, se pudesse evitar.
Ficou muito claro que as palavras dele fizeram grande diferença. O rosto tenso de Dulce relaxou e ela sorriu. A situação não era fácil para ela também. E, agora que sabia que a presença do menino não causaria constrangimento a Ucker, portava-se de maneira mais natural. Voltara a ser ela mesma. O peso se dissipara. Somente a tosse intermitente de Charles fazia com que ela contraísse os maxilares. Por duas vezes, foi vê-lo.
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um pai perfeito
FanficSinopse: Charles precisa de um pai... Alguém para levá-lo à feira cultural. Alguém que não tenha medo de monstros. Alguém que também ame sua mãe e a faça feliz. Mas não será fácil encontrar o pai perfeito. Por isso, Charles fez uma lista... ...e Chr...
