Não, Ucker. Ligo depois.
-Não estarei aqui. Já pedi para não se preocupar. Cuide de seu filho. Ele precisa de você. - Com isso, ele desligou o telefone.
Ele sabia que Dulce tornaria a ligar. Não poderia ignorar o chamado. Estava na hora de sair.
A porta parecia extremamente grande e ameaçadora. Havia muito tempo que não ia a lugar nenhum.
Na verdade, havia muito tempo que não fazia absolutamente nada. E, definitivamente, não se lembrava de ter feito algo por alguém havia muito, muito tempo. Talvez, devesse não fazer naquele momento. Ir à casa de Dulce era loucura. Era arriscado. Era envolvimento demais, algo do qual se arrependeria mais tarde. Algo que deveria encarar eventualmente. Mas não naquele dia.
Dulce observava o filho brincando. Ele era tão pequeno. E, doente, parecia ainda menor. A ânsia de protegê-lo do mundo era muito maior do que o normal. Todos os seus instintos protetores haviam aflorado com força total.
Estava tensa. Ucker avisara-a que iria à sua casa. Ucker, que um dia lhe ordenara para não levar Charles à casa dele. Ucker, cujos olhos se enchiam de desolação sempre que pensava numa criança de seis anos, de repente, se oferecera para ir até lá, mesmo sabendo que encontraria Charles:
E Charles, que decidira que seu "papai" não seria um médico, justamente por causa do homem que lhe roubava algumas horas com a mãe, teria que dividir seu espaço com o Ucker.
Sim, Dulce sentia-se definitivamente tensa, protetora. Preferia que Charles e Ucker continuassem distantes, que nunca tivessem oportunidade de se conhecerem. Estava preocupada pelos dois.
- Charles?
O menino parou de brincar e fitou-a com olhos febris.
- Charles, daqui há pouco, o Dr. Uckermann chegará aqui. Você sabe quem é, não?
O gesto afirmativo de cabeça foi suficiente. Sentando-se no chão, Dulce pegou o filho no colo. Começou a niná-lo. Roçou os lábios na fronte do menino e sentiu-o quente. Estava quase na hora de outra dose do antitérmico.
Suspirando, Charles aninhou-se mais nos braços dela.
- Meninos grandes não são ninados - protestou.
Dulce o beijou.
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um pai perfeito
FanfictionSinopse: Charles precisa de um pai... Alguém para levá-lo à feira cultural. Alguém que não tenha medo de monstros. Alguém que também ame sua mãe e a faça feliz. Mas não será fácil encontrar o pai perfeito. Por isso, Charles fez uma lista... ...e Chr...
