Cristal
Eu e minha mãe estamos voltando para nosso castelo no purgatório, ela está em silêncio enquanto voa comigo, parece concentrada para não se perder.
Só olho as cidades abaixo da gente, todos parecem seguir suas vidas como podem, sem saber seu futuro, eles parecem não se importar com esse detalhe.
Eu sinceramente não sei o que fazer agora? Não vou ter um futuro, não sei o que planejar, não sei o que fazer.
Eliza —está meio distraída, você não é assim, cadê seu ânimo e seu sorriso brilhante?— diz se virando enquanto voa para olhar para mim —por que minha estrelinha parece tão desanimada?
—mãe, você já deve dúvida no que fazer da sua vida? Pois estou em um momento que não sei o que fazer sinceramente— eu não quero entrar muito no assunto, mas eu preciso de um concelho.
Eliza —estrelinha, não tem um sonho para tentar realizar?— ser forte e independente, mas eu não quero gastar o pouco tempo que tenho para tentar mostrar aos outros isso, quero aproveitar eles para mim.
—eu não sei se realmente tenho um sonho, quero aproveitar para viajar, me divertir, mas sinto que não tenho ninguém para aproveitar isso comigo, nenhum amigo ou amiga— aproveitar os momentos sozinha é tão solidário.
Eliza —sei que boa parte da culpa por você não ter amigas é minha, sei que protegi você demais, tinha medo que esse mundo fosse de corromper e destruir, sinto muito por isso, sério— pelo olhar dela parece culpada, mas ela não precisa, ela me protegeu de tudo enquanto o Deus da morte esperava algum deslize para me levar e isso nunca aconteceu.
—não precisa se preocupar com isso, você só queria me proteger, e conseguiu mesmo eu sempre fugindo de casa— digo forçando um sorriso, o que faz ela se tranquilizar.
Eliza —Cris, você tem parecido tão desanimada esses dias, Brigou com Dragomir? Se vocês estavam namorando escondido de mim, saiba que não ficarei brava, quero estar aqui para de consolar caso esteja triste e sofrendo— de onde ela tirou que eu posso estar namorando com Dragomir escondido?
—eu não estou namorando com ele, mas gostava da companhia dele, claro que odiava também— quando falo isso minha mãe me encara sem dizer nada por um tempo.
Eliza —e é assim que começa um grande amor— diz dessa vez brincando —apesar dele ser muito mais velho, se você gostar dele irei dar uma chance também, quero ver você feliz.
—eu também quero ver você feliz, mas você também não ajuda com isso, não diz o que deseja, nem se abre sobre quem gosta— sempre parece infeliz e isolada.
Eliza —eu não sou uma adolescente para querer essas coisas, princesa, tive sonhos sim, não vou mentir, mas foi a muito tempo e hoje noto que eles eram infantis, tudo não é como eu sonhava que séria, eu tenho que seguir com minhas obrigações e minha vida, mas você pode tentar realizar os seus, mesmo se forem difíceis ou não, sempre estarei aqui para de apoiar.
(...)
Quando voltamos para o castelo notamos que ele está todo acesso como se tivesse visitantes, isso é um pouco estranho para dizer o mínimo.
Consigo escutar o suspiro de minha mãe, ela parece irritada, mas está tentando controlar isso, acho que sabe o que está acontecendo.
Eliza —vamos até a sala de jantar resolver logo isso— resolver o que?
Só sigo minha mãe que acelerou o passo pela escadaria para chegar na cozinha.
Não demora para chegarmos a porta e entrarmos, quando olho a bancada da cozinha vejo meu pai comendo um hambúrguer de forma tranquila como se tivesse em casa, acho que minha mãe sabia que era ele pela forma que falou.
Dante —é bom ver que voltaram— diz limpando a boca com um guardanapo.
Eliza —por que você está aqui?— ela parece irritada, o que deu nela hoje? Normalmente tenta manter a calma.
Dante —por que me olha dessa forma, não sou bem vindo para ver minha própria filha, é isso?— agora é ele que está sério.
Eliza —eu só queria relaxar quando voltasse para casa, mas parece que isso não vai acontecer mesmo— pela voz incomodada dela não gostou de o ver aqui —pode ficar a vontade aqui, só não ouse subir para o terceiro andar, é melhor ter entendido.
Vejo minha mãe simplesmente se virar e sair da cozinha, eu nunca vi ela dessa forma antes, me pergunto o que ele fez ou disse para ela no aniversário dos meus tios.
—pai, o que disse a minha mãe para a deixar dessa forma— vejo que ele fica um pouco em silêncio pensativo.
Dante —nada que não seja verdade, não sei exatamente o que mais pode ter a incomodado— ele parece estar falando a verdade, mas se não sabe é porquê disse muita coisa.
—por que irritar minha mãe? Não pode simplesmente esquecer que ela existe de uma vez? Não gosto de ver ela irritada desse jeito, isso vai deixar ela de mau humor o dia todo— falo e ele me encara por um tempo.
Dante —então você não quer que eu venha aqui te ver?— não foi isso que eu disse.
—não é isso, você é meu pai, gosto de ter você por perto, mas não quero que vá perturbar minha mãe, ela não vai expulsar você daqui, só não vá falar com ela, pois a conversa nunca termina sem uma discussão.
Dante —já entendi, nada de falar com a peste da sua mãe— ela chamou mesmo minha mãe de peste?
—o que veio falar comigo? Pois se está aqui imagino que seja para me dizer algo.
Dante —eu queria perguntar se sabe para onde Dragomir foi, ele simplesmente desapareceu, nem se despediu de mim ou dos seus tios— ele realmente foi embora então...
—ele se despediu de mim no aniversário do Belial e do Henri, pensei que tivesse feito o mesmo com vocês— pelo olhar do meu pai é um não.
Dante —como sempre ele some sem falar nada, nem dizer para onde vai, deveria saber já que sempre faz a mesma coisa a séculos, pensei que pararia um pouco por parecer estar gostando de você— ele parecia estar gostando de mim?
—e estaria tudo bem para você se ele realmente gostasse de mim?— pergunto estranhando isso, pensei que pais fossem protetores.
Dante —Dragomir é um velho amigo, não é ruim, nunca vi ele maltratando uma mulher ou algo do tipo, acho que seria melhor que qualquer outro homem que fosse namorar sem conhecer direito, mas ele foi embora então vou ter que aceitar a ideia de ter um genro suspeito, mas prefiro não ter— ele é protetor sim.
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Entre Mundos (Deuses Elementais)
RomanceCristal é a princesa do purgatório, adquiriu um enorme poder que foi usado nela quando nasceu para impedir que acabasse falecendo por causa da má formação dos órgãos. O Deus da morte não ficou nada feliz por não poder fazer seu trabalho e riscar o n...
