Capítulo 105

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Dragomir

A noite parecia mais densa do que o habitual. O silêncio, que antes era acolhedor, agora parecia sufocante. Eu não conseguia dormir. Cada movimento meu estava mais difícil, mais cansado. O ar quente da cabana parecia não ser suficiente para me acalmar, e eu sentia uma inquietação crescente. O que estava acontecendo? Por que eu não conseguia parar de pensar nela?

Meu olhar, mais uma vez, se fixou em Cristal. Ela estava ali, deitada na cama, com a testa suada e os olhos fechados, mas mesmo em seu sono, sua respiração estava irregular. Algo estava muito errado, muito fora do normal. As batidas de meu coração começaram a acelerar, e a sensação de desespero foi tomando conta de mim.

Eu me levantei abruptamente, tropeçando nos móveis simples da cabana. O pânico estava começando a me consumir. Eu precisava fazer algo. Cristal não estava bem, e isso estava além da simples febre ou cansaço. Ela estava tão fraca, tão pálida... Aquilo não podia continuar assim.

Caminhei até a porta, tentando me acalmar. Não podia deixá-la aqui. Ela precisava de cuidados médicos. Mas onde? A única opção que eu via era o castelo de sua mãe. Sua mãe sempre tivera os melhores cuidados médicos em sua ala particular, e lá poderia ser o lugar mais seguro para ela.

— Eu vou levá-la para lá. — Eu pensei, o desespero crescendo. Era a única escolha.

Rapidamente, com dificuldade, peguei Cristal nos meus braços. Ela estava tão frágil. Eu a segurei com o máximo de cuidado possível, tentando não acordá-la. A cada passo, sentia o peso da responsabilidade que havia em minhas costas. O que aconteceria se algo pior acontecesse? E se ela... Não, eu não podia pensar nisso.

A jornada até o castelo foi rápida, mas cada segundo parecia uma eternidade. A escuridão da noite parecia nos engolir, e a única coisa que eu conseguia focar era em manter Cristal viva e segura. Quando finalmente chegamos ao castelo de sua mãe, a porta foi aberta rapidamente por um dos guardas, e, ao ver a condição de Cristal, o desespero foi imediato.

— Dragomir, o que aconteceu? — A voz de Eliza, a mãe de Cristal, soou com preocupação enquanto ela rapidamente tomava Cristal de meus braços. Ela a colocou na maca com uma rapidez assustadora e a levou para a ala médica.

Eu a segui sem hesitar. A sensação de impotência aumentava a cada segundo. Cristal estava pálida, sua respiração pesada, e eu sabia que não poderia deixá-la assim. O pior ainda estava por vir. Não podia contar nada para Eliza, ou para qualquer um que estivesse ali. O segredo de Cristal tinha que ser mantido, não podia correr o risco de os deuses descobrirem o que estava acontecendo.

Eliza foi rápida, pedindo para os médicos começarem a examinar Cristal. Eles imediatamente começaram a aplicar remédios e a monitorar sua febre. Eu fiquei ao lado dela, observando tudo com a respiração presa. Não conseguia relaxar, mas pelo menos ela estava sendo cuidada.

Depois de algum tempo, Eliza voltou até mim. Seus olhos estavam cansados, mas ainda transbordavam preocupação.

— Ela está estabilizada. — A voz dela foi suave, mas havia uma sombra de medo em seus olhos. — Ela vai precisar descansar, mas já passou o pior. Agora, precisamos descobrir o que causou essa febre.

Eu assenti, sem palavras. Como eu poderia contar a ela sobre a gravidez de Cristal? Não agora. Não com tudo o que estava em jogo. O que importava era que Cristal estava viva, e que eu tinha conseguido trazê-la até lá. Mas a dor no meu peito não desaparecia, e o medo do futuro era uma constante. Não seria fácil. Nada seria fácil daqui em diante.

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Cristal

Eu acordei com a sensação de estar em um lugar diferente. O cheiro dos remédios e a suavidade das cobertas indicavam que não estava mais na cabana. Fiquei confusa por alguns segundos, até perceber que estava na ala médica do castelo de minha mãe.

Eu me movi levemente, sentindo uma fraqueza em meu corpo. O que estava acontecendo? A última coisa que eu lembrava era de estar com Dragomir, e então a dor e a febre tomaram conta de mim. Estava em segurança agora, mas sabia que não ficaria assim por muito tempo. A ameaça dos deuses ainda pairava sobre mim.

Meus olhos se abriram lentamente, e eu procurei por Dragomir. Ele estava ali, ao meu lado, olhando-me com um semblante sério, mas aliviado. Eu sabia que ele devia estar tão apreensivo quanto eu, mas não havia muito o que ele pudesse fazer. A situação estava além do nosso controle.

Mas, enquanto ele permanecia em silêncio, eu sabia que algo precisava ser feito. Eu não poderia ficar ali, indefesa, enquanto os deuses nos caçavam. A decisão estava tomada. Mesmo que me custasse, eu iria tentar fazer algo por Hakon. Eu sabia que ele estava preso nas celas, e, por mais que ele fosse uma ameaça, eu não podia deixar alguém em uma situação tão cruel.

Com dificuldade, me levantei da cama. Cada movimento me causava dor, mas eu não podia deixar a oportunidade passar. Se o tempo estava contra nós, então eu precisava agir rápido.

Desci os degraus da ala médica com o máximo de cuidado que pude. As escadas eram escuras e silenciosas, e logo eu estava em frente à cela onde Hakon estava preso. A porta estava trancada, mas a chave ainda estava comigo. Eu não tinha mais muito tempo para pensar, então, com as mãos trêmulas, abri a porta da cela.

Hakon estava lá, sentado em um canto, seus olhos fartos e cansados. Ele parecia tão derrotado quanto eu me sentia. Quando ele me viu, seu olhar passou de surpresa para raiva.

— O que você está fazendo aqui? — ele gritou, levantando-se rapidamente. Mas ao me ver mais de perto, sua expressão mudou de raiva para preocupação. — O que você tem? O que aconteceu com você?

Eu respirei fundo antes de falar.

— Para resumir, todos os deuses estão me caçando. Eu preciso fugir, e você não é mais um problema para mim. Vim te soltar, mas peço que não machuque ninguém do castelo. Se quiser tentar me matar, eu aguento.

Hakon me olhou com os olhos arregalados por um momento, mas logo ele suspirou, cansado de toda a situação.

— Eu não vou fazer isso. Já tem problemas suficientes. — Ele pegou a chave que eu joguei em suas mãos e a segurou com firmeza. — Me entregue a chave e suma daqui. Os deuses sempre procuram pela casa de familiares.

Eu não disse mais nada. Joguei a chave em suas mãos e fui embora. Subi os degraus com dificuldade, sentindo o peso do que acabara de fazer. Não sabia se havia feito a coisa certa, mas ao menos estava tentando.

E, agora, não havia mais nada a fazer.

Entre Mundos (Deuses Elementais)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora