capítulo 117

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Raven

Eu observava Cris com atenção.

Seu teste havia sido concluído. A esfera de cristal brilhou com uma luz dourada intensa quando ela tocou sua superfície. O julgamento estava feito: Cris era, de fato, a nova Deusa da Vida.

Como esperado.

Eu já sabia disso desde o momento em que a vi. Desde que percebi que sua essência era diferente. A pérola da vida tinha feito seu trabalho, absorvendo as memórias de sua antiga portadora e transformando esse fragmento em um novo ser divino.

Agora, ela era minha responsabilidade.

— Então, o que acontece agora? — Cris perguntou, sua voz carregada de incerteza.

Ela ainda estava assimilando tudo. O choque de descobrir que não era exatamente quem pensava ser, a verdade sobre sua existência e, mais do que tudo, a nova função que teria que desempenhar.

Cruzei os braços e a encarei com minha costumeira frieza.

— Agora, você aprende a fazer seu trabalho.

Cris me olhou, esperando mais explicações. Eu suspirei.

— Seu dever como Deusa da Vida é manter o ciclo funcionando. Você dá almas aos recém-nascidos. Sem você, não há equilíbrio.

Ela ficou em silêncio por um momento, processando.

— E como eu faço isso?

— Eu vou te mostrar.

Sem dar mais explicações, estendi a mão. Cris hesitou, mas depois de um segundo de incerteza, aceitou.

Com um simples pensamento, nos transportei para o mundo mortal.

O ar era diferente.
A vibração do lugar, o cheiro de antisséptico misturado com desespero, alegria, medo e esperança.

Um hospital.

Cris olhou ao redor, confusa.

— Como ninguém está nos vendo?

— Porque eu ordenei que não nos vissem — respondi de forma objetiva.

— Mas agora é sua vez. Quero que use seu poder e oculte sua presença dos mortais. Sei que quando era mortal era diferente usar esse poder, mas tem que aprender agora como Deusa.

Ela piscou.

— Como eu faço isso?

Revirei os olhos.

— Feche os olhos. Imagine seu corpo desaparecendo da percepção humana, como se você fosse um vento leve que passa despercebido.

Cris respirou fundo e tentou. O primeiro esforço foi ineficiente, sua energia ainda pulsava ao nosso redor.

— Concentre-se. Você não pode hesitar — exigi.

Ela tentou novamente, e dessa vez, senti sua presença se dissolver no ambiente.

— Nada mal para uma novata — murmurei. — Agora, venha.

A conduzi pelos corredores frios do hospital até uma sala iluminada por luzes fluorescentes. O cheiro de sangue e suor pairava no ar.

No centro da sala, uma mulher gritava de dor enquanto dava à luz. A cena era intensa, médicos e enfermeiras trabalhavam rapidamente, enquanto o marido da mulher segurava sua mão, tentando confortá-la.

— O que estamos fazendo aqui? — Cris perguntou, incerta.

— Apenas observe.

O tempo passou em segundos e, enfim, o bebê nasceu.

Entre Mundos (Deuses Elementais)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora