Raven
Eu observava Cris com atenção.
Seu teste havia sido concluído. A esfera de cristal brilhou com uma luz dourada intensa quando ela tocou sua superfície. O julgamento estava feito: Cris era, de fato, a nova Deusa da Vida.
Como esperado.
Eu já sabia disso desde o momento em que a vi. Desde que percebi que sua essência era diferente. A pérola da vida tinha feito seu trabalho, absorvendo as memórias de sua antiga portadora e transformando esse fragmento em um novo ser divino.
Agora, ela era minha responsabilidade.
— Então, o que acontece agora? — Cris perguntou, sua voz carregada de incerteza.
Ela ainda estava assimilando tudo. O choque de descobrir que não era exatamente quem pensava ser, a verdade sobre sua existência e, mais do que tudo, a nova função que teria que desempenhar.
Cruzei os braços e a encarei com minha costumeira frieza.
— Agora, você aprende a fazer seu trabalho.
Cris me olhou, esperando mais explicações. Eu suspirei.
— Seu dever como Deusa da Vida é manter o ciclo funcionando. Você dá almas aos recém-nascidos. Sem você, não há equilíbrio.
Ela ficou em silêncio por um momento, processando.
— E como eu faço isso?
— Eu vou te mostrar.
Sem dar mais explicações, estendi a mão. Cris hesitou, mas depois de um segundo de incerteza, aceitou.
Com um simples pensamento, nos transportei para o mundo mortal.
O ar era diferente.
A vibração do lugar, o cheiro de antisséptico misturado com desespero, alegria, medo e esperança.
Um hospital.
Cris olhou ao redor, confusa.
— Como ninguém está nos vendo?
— Porque eu ordenei que não nos vissem — respondi de forma objetiva.
— Mas agora é sua vez. Quero que use seu poder e oculte sua presença dos mortais. Sei que quando era mortal era diferente usar esse poder, mas tem que aprender agora como Deusa.
Ela piscou.
— Como eu faço isso?
Revirei os olhos.
— Feche os olhos. Imagine seu corpo desaparecendo da percepção humana, como se você fosse um vento leve que passa despercebido.
Cris respirou fundo e tentou. O primeiro esforço foi ineficiente, sua energia ainda pulsava ao nosso redor.
— Concentre-se. Você não pode hesitar — exigi.
Ela tentou novamente, e dessa vez, senti sua presença se dissolver no ambiente.
— Nada mal para uma novata — murmurei. — Agora, venha.
A conduzi pelos corredores frios do hospital até uma sala iluminada por luzes fluorescentes. O cheiro de sangue e suor pairava no ar.
No centro da sala, uma mulher gritava de dor enquanto dava à luz. A cena era intensa, médicos e enfermeiras trabalhavam rapidamente, enquanto o marido da mulher segurava sua mão, tentando confortá-la.
— O que estamos fazendo aqui? — Cris perguntou, incerta.
— Apenas observe.
O tempo passou em segundos e, enfim, o bebê nasceu.
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Entre Mundos (Deuses Elementais)
RomanceCristal é a princesa do purgatório, adquiriu um enorme poder que foi usado nela quando nasceu para impedir que acabasse falecendo por causa da má formação dos órgãos. O Deus da morte não ficou nada feliz por não poder fazer seu trabalho e riscar o n...
