Cristal
— Hoje vamos para uma balada, você e eu — declarei para Nathan enquanto terminávamos o jantar.
Ele arqueou a sobrancelha, parecendo confuso.
— Uma balada? Cristal, você é uma princesa. Não deveria estar bebendo em lugares assim.
— E você é um príncipe. Mas, por algum motivo, tenho certeza de que já esteve em lugares piores.
Nathan riu, levantando as mãos em rendição.
— Está bem, está bem. Vamos, mas só porque você pediu.
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O som da música alta vibrava pelo meu corpo enquanto eu segurava mais um copo de drink. A iluminação oscilante da pista de dança me fazia sentir viva, ainda mais depois de várias doses. Nathan estava ao meu lado, me observando com um sorriso divertido.
— Quantos desses você já tomou? — perguntou ele, indicando meu copo.
— Não tantos quanto você acha — respondi, embora soubesse que não era verdade.
Nathan riu, balançando a cabeça.
— Você realmente mudou desde que voltou para casa.
— Eu tenho pouco tempo, Nathan. Quero aproveitar de todas as formas possíveis.
Ele não respondeu de imediato, mas havia algo em seus olhos que me dizia que entendia.
Depois de mais alguns minutos de conversa, senti a necessidade de me movimentar.
— Vou para a pista de dança. Volto já.
— Cristal, espera... — começou Nathan, mas já estava me afastando.
A música me envolveu enquanto me deixava levar pelo ritmo. Não importava quem estava ao meu redor; naquele momento, era só eu e a música. Meus movimentos eram livres, despreocupados, talvez até um pouco provocantes.
"Se é para viver, que seja assim", pensei.
No entanto, minha tranquilidade foi interrompida quando um homem desconhecido se aproximou. Ele tinha um sorriso confiante demais para o meu gosto.
— Ei, gata. Está sozinha?
— Não — respondi friamente, tentando ignorá-lo.
— Vamos, não precisa ser rude. Só quero conversar.
Revirei os olhos.
— Por favor, saia e me deixe em paz.
Ele ignorou meu pedido, se aproximando mais.
— Você está muito bonita para dançar sozinha.
A paciência que me restava desapareceu. Sem pensar duas vezes, levantei o joelho e chutei sua barriga com força suficiente para fazê-lo recuar alguns passos.
— O que há de errado com você? — ele gritou, tentando se levantar.
Antes que pudesse reagir novamente, uma figura familiar apareceu ao meu lado.
Dragomir.
Ele socou o homem no rosto com tanta força que o derrubou no chão. Sem esperar mais, Dragomir segurou meu braço e me puxou para fora da balada.
— Você está louca? Que tipo de princesa vai para uma balada encher a cara sozinha?
Sua voz estava carregada de irritação, mas havia algo em seus olhos verdes que não era tão fácil de decifrar.
Fiquei parada, o encarando.
— Não acredito que você está aqui.
Antes que pudesse pensar duas vezes, o abracei.
Dragomir riu baixo, envolvendo seus braços ao meu redor.
— Pelo jeito, realmente sentiu saudades minhas, Abelhinha.
— Óbvio que não senti — menti, virando o rosto para esconder minha expressão. — Por onde esteve andando?
— Estava procurando uma distração — respondeu ele, sua voz mais suave agora. — Queria ver você. Queria passar todo o meu tempo contigo, até que o seu tempo terminasse.
Suas palavras me fizeram engolir seco. Olhei em seus olhos, tentando entender a profundidade delas.
— Vem — disse ele, segurando minha mão.
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Caminhamos juntos até um parque próximo. A brisa fresca da noite aliviava o calor que a música e os drinks haviam causado. Sentamos em um banco, lado a lado, e por um momento ficamos em silêncio, apenas ouvindo os sons da noite.
— Então, o que você tem feito? — perguntou Dragomir, quebrando o silêncio.
— Nada muito emocionante — respondi, dando de ombros. — Estive com minha mãe por um tempo. Depois fui visitar meu pai e meu irmão.
— E como foi isso?
— Intenso. Contei a eles sobre... meu tempo limitado.
Dragomir não disse nada, mas seus olhos permaneceram fixos em mim, como se estivessem absorvendo cada palavra.
— Meu pai ficou furioso. Disse que não aceitaria isso. Que encontraria uma solução. — Sorri levemente. — Ele sempre foi teimoso.
— E Nathan?
— Ele prometeu que faria de tudo para tornar meus últimos momentos os melhores possíveis— digo enquanto penso o quanto é fofo.
—e então, tem feito mais alguma coisa de interessante, Abelhinha— fico pensando se conto ou não.
—bem.... Estou trabalhando como ceifeira para o Raven— digo e ele trava e fica me encarando.
—com o homem que vai matar você daqui a 4 anos, muito inteligente— ele diz com um tom de irritação.
—olha Drago, eu também tive minha primeira noite com ele— quando digo isso vejo seus olhos ficarem ferozes.
—não pensou em mim em nenhum momento para fazer isso?!— quando escuto o quanto está irritado abro um sorriso alegre.
—está com ciúmes é?— falo me divertindo com a situação.
—eu sei que a gente se afastou, mas...— só coloco a mão em seu peito o fazendo parar de falar.
—vamos ter tempo para se aproximar, então pare de ciúmes, eu achei que você não voltaria mais— quando digo isso ele vira o rosto.
—eu tô preocupado contigo, está dormindo com o homem que vai matar você, isso vai te machucar muito futuramente— eu sei disso.
—acho que tenho que voltar, Nathan deve estar me procurando— digo preocupada com meu irmão —tó indo, mas não volte a sumir, entendeu?
—eu não vou, Abelhinha, estarei aqui para você quando precisar— diz com um tom de voz mais reconfortante o que me faz sorrir, mas quando noto simplesmente desapareceu, nem para dizer um Adeus.
Pelo menos dessa vez eu tenho certeza que vai voltar a aparecer novamente.
Só volto para dentro da balada e encontro Nathan me procurando, ele bem até mim extremamente bravo.
Nathan —nunca mais suma dessa forma, entendeu?— só concordo com um sorriso —você parece feliz, o que aconteceu?
—só encontrei alguém que não via a um tempo.
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Entre Mundos (Deuses Elementais)
RomanceCristal é a princesa do purgatório, adquiriu um enorme poder que foi usado nela quando nasceu para impedir que acabasse falecendo por causa da má formação dos órgãos. O Deus da morte não ficou nada feliz por não poder fazer seu trabalho e riscar o n...
