Cristal
Eu e minha mãe estamos em pleno silêncio enquanto esperamos mais alguém para jantar, me pergunto quem é, mas já imagino. Depois que eu e minha mãe conversamos sobre meu tempo de vida, não voltamos a tocar nesse assunto, sei pela expressão em seu rosto que o assunto continua em sua cabeça.
Não demora para eu ver o ruivo aparecer, por uma fração de segundos pensei ser Dragomir, mas é Alex como eu imaginava.
Apenas o cumprimento e começamos a comer quando ele senta na mesa e se serve.
O silêncio na mesa e meio desconfortante, então apenas peguei meu prato e sai dali, pensei que minha mãe ia dizer algo ao me ver sair, mas apenas ficou em silêncio me olhando.
Caminhei um pouco até chegar às escadas que levam ao calabouço, desci e fui direto para a cela do cavaleiro, quando entrei o vi sentado e sem blusa como sempre.
Apenas sentei no banco de pedra e voltei a comer enquanto fiquei o observando, está me encarando com aquele olhar de destem de sempre.
—quer um pouco, para mim esse seu olhar e fome— falo com um sorriso e ele apenas respira fundo e se vira.
"Hakon" —esta brincando, mas pela sua expressão não está muito feliz— desde quando me conhece para saber se estou feliz ou não?
—só é um pouco estranho a situação que estou agora, minha mãe não está falando comigo desde que revelei quanto tempo de vida tenho— digo colocando o prato no banco, pois já terminei de comer.
Hakon —eu não entendo esses tipos de situação, mas diria para você dar um tempo para ela aceitar, ela acabou de descobrir que a sua única filha vai morrer em poucos anos e ela só tem você.
—sei disso, mas é tão desconfortante ver ela me tratando diferente— digo levantando a cabeça.
Hakon —certo, a gente já conversou, agora pode ir embora— olho de forma seria para ele tentando entender porque da pressa para querer que eu vá embora.
Logo noto o chuveiro e o balde ali, vai tomar banho.
—então você é tímido?— pergunto com um sorriso provocativo o que faz ele levantar a sobrancelha.
Hakon —com certeza não sou, mas imaginei que por ser uma mulher virtuosa, não iria querer me ver sem roupas, mas desde o início acho que isso é o que mais deseja— ele está me chamando de pervertida.
—olha quem fala, o cavalheiro que ao invés de querer cumprir seu papel me matando quis se aproveitar de mim— digo me lembrando de beijo e da forma que me sufocou.
Hakon —para quem não queria desce muito aqui para me ver— ao ouvir isso apenas me levanto, pego o prato e me preparo para sair.
—espero que tenha um bom banho— falo me retirando dali.
(...)
(...)
(...)
Deito na minha cama e fico olhando o teto enquanto penso no que deveria fazer a partir de agora.
Eu não tenho mais tantos planos como antes, minha mãe não parece estar muito bem também.
Não demora para eu começar a pegar no sono.
Escuto um som estranho o que me faz acordar e abrir os olhos, vejo uma sombra no canto do quarto o que me faz perceber que tem alguém me observando.
—Dragomir?— pergunto me levantando da cama.
Vejo a pessoa se aproximar, mas ao notar seus cabelos pretos vejo que não é Dragomir.
Raven —para quem disse que não era tão próxima dele, parece até mentira— diz com seu olhar sério enquanto se aproxima mais da cama.
—se veio atrás dele é meio tarde, ele realmente foi embora e provavelmente não vai mais voltar— digo normalmente mesmo sentindo saudades daquele ruivo inconveniente.
Raven —entendo, você não é mais útil para ele.
—e então Raven, o que deseja aqui?— pergunto estranhando a presença do Deus da morte.
Raven —vim te avisar que os cavalheiros irão voltar para tentar mata-la logo,eu não me importo com a sua morte, mas eles costumam matar pessoas que tentam os impedir então tente não envolver pessoas no seu problema, pois sobra para mim depois— ele só pensa nele.
—fique tranquilo, eu não quero que ninguém se machuque por minha causa.
Raven —pelo menos tem bom senso... Como você está? Pelo que notei contou a sua mãe, pois a escuto chorar daqui— ela está chorando? Como ele consegue ouvir?
—é, preferia não ter contado, mas não tive escolha, pelo que parece meus últimos anos serão tristes— digo abaixando o olhar.
Raven —você me incomoda— diz ficando sério o que me faz ficar sem entender.
—e eu não consigo te entender— falo e ele me encara.
Raven —diga a sua mãe tudo que sente e depois fale com seu pai, pois não é só ela que vai sofrer por sua morte. Eu não sou uma pessoa boa, mas sou um Deus e sei aconselhar, é o máximo que posso fazer por você— pelo menos não é tão ruim quando pensei que fosse.
—como está Ravania e a Angelina?— pergunto e ele faz uma expressão de descontentamento, penso ser por causa da pergunta, mas não, não é isso.
Raven —Angelina cismou que quer um bebê, já não bastava ela querer encontrar o amor, agora querer virar mãe é demais— ele se incomoda fácil com desejos humanos que deuses desejam
—você tinha falado uma vez que deuses não podem ter filhos— eu tenho uma leve memória sobre isso.
Raven —e não podemos, então o desejo dela ter um bebê não vai acontecer nunca, deveria aprender a parar de sonhar— sei que ele fala assim por sua preocupação com ela, mas as vezes é muito insensível.
—sonhar não mata, Raven— digo e ele meio que rosna bravo.
Raven —mata sim, com certeza mata— até que eu gosto do mau humor dele.
—você não deveria estar ocupado?— pergunto sem entender por que ainda está aqui.
Raven —vim buscar você, vai me ajudar e recolher algumas almas, e não me venha com a frase que não é obrigada a me ajudar, pois eu posso recolher a sua alma agora mesmo— resumindo, está querendo dizer que não tenho escolha.
—cade a Lyla para ajudar você, Hem— pergunto incomodada.
Raven —ocupada, preciso de alguém para me ajudar, então vamos, tem muitas mortes acontecendo por causa de uma pandemia na terra.
Era só o que me faltava.
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Entre Mundos (Deuses Elementais)
RomanceCristal é a princesa do purgatório, adquiriu um enorme poder que foi usado nela quando nasceu para impedir que acabasse falecendo por causa da má formação dos órgãos. O Deus da morte não ficou nada feliz por não poder fazer seu trabalho e riscar o n...
