Capítulo 9

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Cristal

Estou no lado de minha mãe enquanto vejo a médica costurar o ferimento em sua perna, ela pediu para não usar anestesia, queria entender o porquê.

—mãe, eu sinto muito por causar tantos problemas, a culpa do que aconteceu é minha, se eu tivesse morrido quando nasci nada disso teria acontecido—  digo enquanto vejo o ferimento dela terminando de ser fechado pela médica.

Eliza —Cristal, eu amo você, sabe disso não é?— diz me olhando de um jeito calmo e amoroso.

—sim, eu sei disso, você é minha mãe, mas eu nunca me perdoaria se tivesse morrido por minha causa— digo abaixando a cabeça e olhando para o chão.

Eliza —levanta a cabeça, Cris, uma princesa nunca deve demostrar fraqueza. Fui eu que escolhi te salvar,  certo? Você era apenas uma recém nascida, não tinha escolha—  nisso ela tem razão, não tinha consciência nenhuma sobre tudo isso.

—mãe, o cavaleiro foi preso? Está no calabouço?— pergunto, pois quero fazer perguntas, entender mais a situação e se tem alguma coisa que posso fazer para parar de ser caçada sem precisar morrer.

Eliza —sim, mas ele não parece ser uma pessoa que vá abrir a boca, e talvez ele nem sinta dor, talvez tortura não funcione— sei disso, mas preciso tentar.

—vou falar com ele,  certo mãe?— vejo que ela apenas respira fundo e concorda.

Eliza —apenas tome cuidado, mesmo preso ainda é uma ameaça—  ela parece preocupada, mas não acho que vá me impedir.

—posso te pedir uma coisa, mãe?— pergunto meio incerta se deveria mesmo pedir isso.

Eliza —o que deseja minha estrelinha?— pergunta enquanto passa a mão em meus cabelos que ela adora tanto.

Isso me faz lembrar um pouco do quanto minha mãe amava meus cabelos grandes, mas como eu sentia que ela controlava meus cabelos acabei cortando, ela ficou decepcionada, mas não disse nada, nem me repreendeu, apenas continuou sua rotina.

—eu posso ficar com o seu colar? Eu entendo completamente se não puder— falo e ela olha o colar em meu pescoço por um tempo, parece estar pensando em algo, pois inclusive abriu um sorriso quase imperceptível.

Eliza —tudo bem, pode ficar com ele, se é útil para você fico feliz que tenha uma função mais útil que me fazer lembrar do passado— pensei que ela não fosse me dar.

—poderia me contar sobre seu passado, pois eu não sei nada de você— digo e ela apenas fica em silêncio a me olhar —então me conte sobre o que aconteceu entre você e o Amon, por que ele trocou você por outra.

Eliza —ele não me trocou por outra mulher, me trocou por outra eu, uma Eliza de outra dimensão, uma Eliza que ele conheceu primeiro. Não sei se isso é melhor ou pior, pois sou eu de algum jeito— ela está com um olhar calmo, talvez já tenha superado isso.

—mesmo que ela seja você, tenho certeza que você é muito mais legal que ela— digo tentando ver se faço ela sorrir, pois eu quase não a vejo feliz.

Eliza —eu já superei, Cris, agora vai lá bisbilhotar, vai— diz normalmente enquanto a médica enfaixa sua perna, apenas saio da sala e sigo meu caminho até o calabouço.

Entre Mundos (Deuses Elementais)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora