Capítulo 101

1.3K 140 3
                                        

Cristal

Cheguei em casa com o coração disparado. A corrida até aqui não tinha diminuído a confusão na minha mente, apenas ampliado o caos. Minha mãe, Eliza, estava na sala, tricotando como sempre, mas levantou o olhar quando entrei abruptamente, uma sacola presa contra meu peito.

“Cristal? Você está bem, querida?” ela perguntou, preocupada.

“Sim, mãe. Só preciso de um momento,” respondi apressadamente, subindo as escadas antes que ela pudesse fazer mais perguntas.

Fechei a porta do quarto atrás de mim e larguei a sacola sobre a cama. Minhas mãos tremiam enquanto tirava o pequeno teste de gravidez de dentro. Apenas de olhar para ele, meu estômago embrulhou. “É só paranoia,” murmurei para mim mesma, tentando convencer meu coração acelerado.

Fui ao banheiro e segui as instruções, tentando ignorar o pânico crescente em meu peito. Coloquei o teste sobre a pia e me sentei no chão, abraçando meus joelhos enquanto esperava. Era impossível evitar que minha mente disparasse para todos os cenários possíveis.

“Não pode ser. Deve ser só coincidência.”

Os minutos pareciam uma eternidade. Quando finalmente tive coragem de olhar, vi as linhas começando a aparecer. Fechei os olhos com força, sacudi a cabeça e olhei de novo. Mas não importava quantas vezes eu piscasse ou desejasse estar vendo errado, as linhas estavam lá.

Positivo.

Deixei o teste cair na pia, meu corpo afundando contra o azulejo frio.

“Não… isso não pode estar acontecendo,” sussurrei.

Meu olhar foi instintivamente para minha barriga, ainda sem nenhum sinal visível, mas agora carregando um segredo que poderia mudar — ou terminar — minha vida. Toquei a pele abaixo de meu umbigo, quase como se pudesse sentir a pequena vida ali, mesmo que ainda fosse tão cedo.

“É culpa minha,” pensei, com uma risada amarga. “Fazer o quê?”

Por mais que tentasse racionalizar, algo dentro de mim se recusava a aceitar. “Eu vou ser morta por isso. Mais cedo. Mais cedo do que eu esperava.”

Suspirei profundamente, fechando os olhos para conter as lágrimas. “É injusto.”

A ideia de morrer era algo que eu vinha tentando aceitar, mas agora parecia mais cruel. Toquei minha barriga de novo, como se estivesse falando diretamente à pequena vida que estava ali.

“O que você tem a ver com isso, coisinha? Nada. Absolutamente nada.”

A culpa e a tristeza pesavam em meu coração. Eu sabia que a gestação seria um desastre. Se Dragomir soubesse, as consequências seriam ainda piores. Ele já estava sendo caçado, e algo como isso poderia acender uma fagulha que colocaria tudo e todos em chamas.

Ele não hesitaria em culpar os Deuses. E, honestamente, talvez tivesse razão.

“Será que ele veria isso como um motivo para lutar por nós? Por uma família? Não… seria um motivo para ele querer queimar tudo ao nosso redor.”

Passei as mãos pelo rosto, tentando pensar com clareza. O pânico ainda pulsava dentro de mim, mas, por alguma razão, senti uma pequena faísca de confiança em Raven.

“Ele vai saber o que fazer. Eu confio nele. Dependendo do que ele disser, aceitarei meu destino. Afinal, o destino nunca esteve realmente sob meu controle, não é?”

Fiquei sentada no chão por um tempo, tentando organizar minha mente. Minha mãe bateu levemente na porta.

“Cristal? Querida, está tudo bem?”

Entre Mundos (Deuses Elementais)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora