Dragomir
O céu dourado de Heaven contrastava com a fúria que ardia dentro de mim. Eu avancei sem hesitação, ignorando o peso da atmosfera celestial. Cada passo era um desafio, cada respiração carregada com o propósito de resgatar Cristal.
Minha presença já havia sido notada.
— Você não deveria estar aqui.
A voz de Nêmesis ecoou no salão aberto quando ele surgiu à minha frente, sua espada brilhando com energia divina.
— E você não deveria ter tocado nela.
Sem mais palavras, avancei contra ele.
O choque das lâminas reverberou pelo espaço, faíscas saltando com cada golpe. Nêmesis era rápido, preciso. Ele usava sua espada com a destreza de alguém que já havia executado incontáveis batalhas. Eu bloqueei seus ataques e contra-ataquei, cortando o ar com velocidade.
— Você realmente acha que pode levá-la de volta? — ele zombou, desviando um golpe e tentando me acertar no flanco.
Girei minha lâmina, aparando o ataque.
— Eu não acho. Eu vou.
Deslizei para o lado, atingindo o ombro dele. Nêmesis rosnou, recuando um passo. Mas ele não hesitou. Em um instante, ele conjurou uma rajada de energia sagrada, que explodiu em minha direção.
Saltei para trás no último segundo, sentindo o calor da explosão rasgar o chão onde eu estava. Antes que pudesse me recuperar, Nêmesis já estava sobre mim, sua lâmina descendo em um arco devastador.
Cravei minha lâmina na dele e o empurrei com força, criando espaço.
A luta se intensificou. Minhas lâminas cortavam o ar, cada golpe mirando um ponto vital. Ele defendia, atacava, tentando me pressionar, mas eu não cedia. Meu corpo se movia com a fúria de alguém que não tinha mais nada a perder.
Em um movimento rápido, desviei de seu golpe e chutei sua perna, fazendo-o perder o equilíbrio. Antes que ele pudesse reagir, cravei minha lâmina em sua lateral e o empurrei com força, lançando-o contra um dos pilares gigantes do templo. O impacto foi brutal. O mármore se partiu, e ele caiu, seu corpo fraquejando.
Mas a luta ainda não tinha acabado.
Uma presença esmagadora tomou o ambiente, e eu soube quem estava ali.
Leviathan.
Seus olhos brilhavam com um azul profundo, sua energia divina fazendo o ar ao redor vibrar. Ele segurava sua lança, a arma reluzindo com um poder ancestral.
— Você causou uma bela bagunça — sua voz era grave, carregada de desprezo.
— Eu ainda não terminei.
Ele não esperou por um ataque. Em um piscar de olhos, ele estava sobre mim.
A lança dele se moveu em velocidade absurda. O primeiro golpe cortou o ar ao lado do meu rosto. O segundo eu mal consegui bloquear. O impacto me fez recuar, e antes que eu pudesse contra-atacar, ele golpeou novamente.
Eu sabia que Leviathan era um dos mais poderosos entre os deuses, mas senti na pele o peso de suas habilidades. Cada golpe dele causava ondas de destruição. O chão se despedaçava, colunas desmoronavam.
Desviei de um ataque que teria perfurado meu coração e me joguei para trás, criando distância.
Eu não podia matá-lo.
Se os deuses morressem, o futuro desapareceria. E sem um futuro, onde minha criança viveria?
Respirei fundo e me concentrei.
Quando Leviathan avançou de novo, fui mais rápido. Meus golpes ficaram mais calculados, mais precisos. Ele tentou me pressionar, mas comecei a encontrar brechas. Cada defesa que ele fazia era uma abertura para um contra-ataque.
E então eu o peguei.
Minha lâmina riscou seu peito, um corte profundo. Ele rosnou, recuando. Aproveitei o momento e o chutei com força, fazendo-o colidir contra os escombros do templo.
Eu venci. Mas não sem custo.
Minha respiração estava pesada, e meu corpo coberto de cortes. Mas eu não podia parar.
Foi então que senti sua presença.
Raven.
Ele caminhava lentamente na minha direção, sua foice repousando sobre os ombros. Diferente dos outros, ele não parecia furioso. Apenas... determinado.
— Você realmente não sabe quando parar.
Levantei minhas lâminas, preparando-me para mais um combate.
— Só vai acabar quando Cristal estiver livre.
Ele suspirou, girando a foice entre os dedos.
— Então vamos resolver isso.
Ele atacou primeiro.
A foice cortava o ar com precisão letal. Diferente de Nêmesis e Leviathan, Raven lutava com calma, esperando o momento certo. Ele não desperdiçava golpes. Cada movimento era pensado.
Mas eu também não lutava de qualquer jeito.
Bloqueei seus ataques, deslizei pelas sombras e ataquei de ângulos imprevisíveis. O som do metal ecoava pelo templo em ruínas. Estávamos em igualdade.
Nossos golpes se tornaram mais rápidos, mais violentos. Cada corte que eu conseguia desferir nele era retribuído com outro em mim. O tempo parecia desacelerar à medida que nossa luta se arrastava.
Então eu parei.
Levantei uma mão.
— Isso pode acabar agora.
Raven franziu a testa.
— Como?
Respirei fundo, sentindo o gosto de sangue na boca.
— Se você me prometer algo.
Ele não respondeu de imediato, apenas me observou.
— E o que você quer que eu prometa?
Olhei diretamente para ele.
— Que se a criança que Cristal espera não for uma ameaça aos deuses, você não vai matá-la.
Seus olhos estreitaram.
— Você morreria por isso?
— Não quero interferir no seu trabalho. Só quero que Cristal viva o tempo que tem. E que nossa criança tenha um futuro.
Ele ficou em silêncio por um longo tempo.
Então deu um passo à frente.
— Posso prometer isso... desde que troque de lugar com Cristal na sala de execução.
Minha mandíbula se contraiu. Eu já sabia que essa seria a condição.
Levantei meu olhar, encarando-o diretamente.
— Então prometa agora.
Raven me estudou por um momento antes de responder.
— Prometo que Cristal viverá o tempo que tem. E que nenhum outro Deus saberá da gravidez dela. Isso basta para você?
Minha respiração ficou pesada.
— Sim.
E naquele momento, eu soube
meu destino estava selado.
Desde que Cristal fique bem e segura, não me importo em morrer, não me importo em morrer para que nossa criança cresça saudável e feliz.
Espero que o destino seja menos cruel com a nossa criança no futuro, pois é completamente injusto e destino que Cristal carrega.
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Entre Mundos (Deuses Elementais)
RomanceCristal é a princesa do purgatório, adquiriu um enorme poder que foi usado nela quando nasceu para impedir que acabasse falecendo por causa da má formação dos órgãos. O Deus da morte não ficou nada feliz por não poder fazer seu trabalho e riscar o n...
