Capítulo 113

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Cristal

O sol mal havia nascido quando meus olhos se abriram.

O quarto estava silencioso, a única luz vinha da janela entreaberta, por onde a brisa gelada do purgatório passava, fazendo as cortinas balançarem levemente.

Hoje era o meu aniversário.

O último.

Fechei os olhos e tentei me convencer de que isso não importava. Todos sabíamos que esse dia chegaria. Mas saber não tornava mais fácil.

Suspirei e fiquei ali, deitada, olhando para o teto. Queria permanecer assim até a hora chegar. Se eu simplesmente ficasse aqui, sem me mover, talvez o tempo se esquecesse de mim.

Mas isso não aconteceria.

E Ruby...

Ruby esperava por mim.

Minha doce irmãzinha, que não fazia ideia do que aconteceria.

Minha mãe. Meu pai. Meu irmão.

Todos achavam que eu ainda tinha tempo.

Mas eu sabia.

Hoje à noite, quando fechasse os olhos, não os abriria mais.

O pensamento me sufocava, mas não podia me dar ao luxo de me render ao desespero.

Forcei-me a me levantar.

Meu corpo estava pesado, como se soubesse que não valia mais a pena se mover. Mas eu o obriguei a seguir em frente.

Caminhei até o espelho e encarei meu reflexo.

Os cabelos estavam bagunçados, os olhos fundos, a pele pálida.

Uma verdadeira morta-viva.

Ri sozinha, mas o som foi fraco.

Afastei o pensamento e segui para o banheiro, lavando o rosto na tentativa de espantar a melancolia. Vesti algo simples, nada extravagante. Hoje era um dia especial para os outros, mas para mim... era apenas o fim.

Mas se era o fim, então eu deveria passar meus últimos momentos com quem amava.

Me obriguei a sair do quarto.

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A sala de jantar já estava animada quando cheguei.

Minha mãe, Eliza, preparava algo na cozinha, enquanto Alex tentava manter Ruby sentada na cadeirinha, o que não era uma tarefa fácil.

Assim que me viu, Ruby abriu um sorriso enorme.

— Mana!

Ela tentou pular da cadeira, mas Alex a segurou a tempo.

— Cuidado, Ruby — ele disse rindo. — Ainda não terminamos o café.

Minha mãe se virou com um sorriso doce.

— Feliz aniversário, Cris.

Assenti com um sorriso fraco.

— Obrigada, mãe.

— Como se sente? — Alex perguntou, me observando atentamente.

Como eu me sentia?

Como se estivesse contando os minutos para desaparecer.

Mas, claro, não poderia dizer isso.

— Bem — menti.

Eliza se aproximou e tocou meu rosto suavemente.

— Você está pálida, querida. Dormiu bem?

— Sim, mãe. Só... acordei cedo.

— Então coma bastante, temos um dia cheio pela frente.

Entre Mundos (Deuses Elementais)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora