capítulo 111

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Cristal

O vento fresco balançava as folhas das árvores ao redor da cabana, trazendo consigo o cheiro doce das maçãs maduras. Eu me agachei para pegar algumas das frutas caídas no chão, sentindo o peso da minha barriga dificultar o movimento.

Nove meses.

Minha filha podia nascer a qualquer momento, e eu não podia permitir que os deuses descobrissem sua existência.

A cabana de Dragomir era o único lugar seguro para nós. Escondida do mundo, inacessível aos deuses. Era o único refúgio onde minha filha não corria risco.

Mas, naquele momento, um calafrio subiu pela minha espinha.

Uma pontada forte me fez soltar as maçãs no chão.

Olhei para baixo, sentindo algo escorrendo por entre minhas pernas.

Não...

Minha bolsa havia estourado.

A dor rasgou minha barriga em ondas, como se algo estivesse tentando me partir ao meio.

Eu precisava sair dali.

Me concentrei, tentando usar meu poder para me teletransportar para o castelo da minha mãe. Mas nada aconteceu.

Minhas mãos tremeram.

Tentei mais uma vez.

Nada.

A fase final da gestação estava bloqueando meus poderes.

Um pânico frio subiu pelo meu peito.

Eu estava sozinha.

Eu não conseguia voltar para a cabana.

Não conseguia me mover.

— Por favor... — minha voz saiu trêmula.

Eu caí na grama, segurando minha barriga.

A dor era insuportável.

Comecei a gritar, na esperança de que alguém, qualquer um, me ouvisse.

— Por favor...

O suor escorria pelo meu rosto. Meu corpo tremia.

Não conseguia suportar a dor.

— Raven...

Mal percebi quando o ar ao meu redor mudou.

De repente, mãos fortes me ergueram do chão.

Meu olhar turvo captou o rosto sério de Raven.

Ele estava aqui.

— Você está louca? — sua voz soou fria, mas seus braços me seguravam firmemente.

Eu quis responder, mas outro espasmo de dor me fez gemer.

Raven me levou rapidamente para dentro da cabana, deitando-me na cama com cuidado.

— Fique calma. Eu vou ajudar.

Eu ri, sem fôlego.

— Você... sabe fazer um parto?

— Já fiz coisas mais difíceis. — Ele pegou panos limpos e uma tigela de água.

As contrações ficavam mais intensas, e eu gritava, segurando os lençóis com força.

Meu corpo parecia se rasgar por dentro.

— Empurre, Cristal.

Eu gritei e forcei.

O tempo parecia se arrastar, mas eu segui suas instruções, sentindo a pressão aumentar até um alívio súbito.

O choro de um bebê não veio.

Entre Mundos (Deuses Elementais)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora