Capítulo 4

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Isabella narrando...

Como podem perceber, minha vida está uma bagunça, um verdadeiro inferno.

Tudo começou quando fui obrigada a deixar meus sonhos de lado e, mais uma vez, ouvir as baboseiras e xingamentos de Lúcia e Francisco, dois psicopatas. Quando eu pensei que nada poderia ser pior, eles me surpreenderam. As dívidas aumentaram, o cansaço se multiplicou porque tive que arrumar outro emprego, de manhã até a tarde, para tentar sustentar a todos. As agressões tornaram-se cada vez mais repentinas, e eles passaram a me tratar como um animal. Pior, fiquei internada por um mês na UTI devido a queimaduras graves no corpo.

Há coisas que conseguimos perdoar e seguir em frente, mas o que eu sofri nas mãos desses dois? Não, isso não tem perdão. Eu nunca vou me esquecer dos horrores que vivi naquele inferno. Podem até me chamar de mal agradecida e rancorosa, mas eu não tenho nada a agradecer a Lúcia e Francisco. Ambos destruíram minha vida, meus sonhos e minha adolescência! Sem contar que sempre fui a única a comprar tudo para a casa. Eles nem se deram ao trabalho de mexer um dedo para ajudar.

Hoje, quando me olho no espelho, não digo que sou feliz. E vivo melhor, sim, mas isso não é porque Rodrigo é o cara dos meus sonhos. Ele também me maltrata, sente prazer nisso. No entanto, posso dizer que não sou mais aquela menina ingênua. Sou uma mulher com postura, independente... Bom, não vou dizer que me tornei médica, casada com um homem irresistível, vivendo uma vida perfeita, porque estou bem longe dessa realidade.

Mas para amadurecer e me tornar uma Isabella responsável, que não se abala com qualquer coisa, tive que sofrer, chorar, ultrapassar barreiras e humilhações. Tive que quebrar a cara várias vezes para continuar em frente.

Essas mágoas e momentos do passado? Tento deletá-los da minha memória, porque sei que, para seguir em frente, preciso esquecer. Meu futuro pode não ser brilhante, mas ainda tem um pingo de luz, de vida!

Agora, estou arrumando as malas, as minhas e as da minha filha. Após o que aconteceu com Bárbara, tomei uma decisão. Aceitei o convite de Márcia. Talvez fosse melhor sair de São Paulo, recomeçar a vida em uma nova cidade, com novas pessoas.

Ficar aqui só me traria mais problemas e dor, e eu sei que não aguentaria reviver tudo isso. Já passei por tanto aqui em São Paulo que, só de ouvir o nome dessa cidade, fico traumatizada.

Márcia: — Tô tentando entrar em contato com esse idiota, mas ele não me atende — resmunga.

Isabella: — Ele deve te achar a garota mais chata e possessiva do mundo. Deixa o João de lado e caça teu rumo. Coisa que, por sinal, nunca vai faltar pra você, é piroca pra sentar — ela gargalha.

Márcia: — Você tem razão. Vou apagar o número e bloquear no WhatsApp. Quem vai no vento, perde o assento. — Ela joga o cabelo de lado e eu sou obrigada a sorrir. — Sou linda, gostosa e única, não preciso de homem nenhum!

Isabella: — Isso aí — digo, fechando as malas. — BÁRBARA, CADÊ VOCÊ? — grito.

💬 Quando está quieta, está aprontando 💬

Segundos depois, Bárbara aparece na porta do quarto com o cabelo e as mãos sujas de Nutella, sorrindo, mas com o olhar baixo.

Bárbara: — Chamou, mamãe? — diz com um tom baixo.

Eu, sentada na cama, acabara de dar banho nela, tinha escovado seus cabelos, para que em meia hora ela ficasse pior?

Márcia: — Bárbara, você acabou com a Nutella — diz, fingindo estar brava.

Isabella: — Vai tirar essas roupas no banheiro para eu te dar outro banho. Mamãe disse que não é para brincar com comida — digo séria.

Bárbara: — Me desculpa — dá as costas e sai cabisbaixa.

Odeio gritar ou me chatear com ela, mas Bárbara precisa me obedecer. Agora preciso me apressar para não nos atrasarmos para o voo.

Márcia: — Já pegou os documentos de vocês duas? — pergunta, fechando a maleta.

Isabella: — Já verifiquei três vezes, as papeladas estão dentro da minha bolsa — digo, penteando o cabelo de Bárbara. — Rodrigo não para de me ligar, estou com medo — confesso.

Márcia: — Já falei, nós estamos juntas nessa. Vamos sair de São Paulo e recomeçar uma nova vida no Rio. Tenho certeza de que lá as coisas vão melhorar. Ele não vai te encontrar nem fazer nada com vocês. Temos a proteção do meu primo. Te contei o motivo da nossa ida, mas não disse tudo. Basta você confiar e ter fé em Deus, que tudo vai dar certo. — Talvez ela tenha razão, preciso ser mais otimista.

Bárbara: — Mamãe, sono — esfrega os olhos.

Isabella: — Quando a gente estiver no avião, você pode dormir, mas agora não — ela assente.

Márcia: — Bom, temos que ir para não nos atrasarmos. Senão, fudeu pra nós — repreendo ela com o olhar.

No dia seguinte, Bárbara estava dizendo "caralho" e Márcia não sabia o porquê!

Bárbara: — Que é se fudeu? — repete o palavrão.

Isabella: — Significa se abraçar, meu amor, mas não repita isso, tá bom? — ela assente, não compreendendo o porquê. — E você, Márcia, para de ensinar essas coisas para minha filha — dou um tapa no braço dela.

Assim que o Uber chegou, nós descemos com as bagagens em direção ao aeroporto. Meu celular não parava de vibrar, tinha certeza que era Rodrigo. Mas não fiz nem questão de desbloquear a tela. Deixei ele tocar, não queria saber das suas ameaças ou desculpas. Já sofri demais e, no final, sempre perdoei. Mas agora é diferente.

Está na hora de ser feliz ao lado das duas pessoas mais importantes da minha vida. Está na hora de batalhar pelo futuro da minha filha...

Meu Novo RecomeçarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora