Wesley narrando...
— Sai daqui com a minha filha. — As palavras saíram entre dentes, carregadas de raiva. A fúria me consumia, mas eu mantinha o controle, como quem sabe que a situação ainda pode se agravar.
Yuri balançou a cabeça, aceitando o comando, sem uma palavra sequer. Com a precisão de quem já estava acostumado a lidar com os gestos rápidos da rotina, retirou Ágata do colo carinhoso e a pegou nos braços, ainda com os brinquedos dela nas mãos. Com calma, ele se afastou e saiu pela porta, o som da madeira se fechando atrás de si ecoando no vazio da sala.
Quando finalmente fiquei sozinho com St, o silêncio foi quebrado por meu próprio movimento, pesado, decidido. Levantei-me da cadeira e caminhei até ele, o ambiente agora denso e tenso com a promessa de uma nova explosão.
— Você é um comediante, não é? Rouba no asfalto e ainda traz a polícia até o meu morro. — Minha voz saiu dura, repleta de desprezo. Ele ainda não tinha o mínimo controle sobre suas escolhas, e isso me irritava profundamente. Antes que ele tivesse tempo de se defender, minha mão encontrou seu rosto com a força de um soco, tão certeiro quanto minha frustração.
— Desculpa, patrão... Eles me pegaram na hora e o desespero bateu. — Ele limpou o sangue que escorria de sua boca, a voz quase suplicante. — Eu precisava daquela grana para comprar os medicamentos da minha mãe.
Sem pensar, dei-lhe outro soco. Desta vez, o impacto foi mais forte, a raiva mais afiada, e sua cabeça se virou com o golpe, o sangue tingindo a minha mão.
A raiva subia em mim como uma onda que não poderia mais ser contida. Aquele garoto queria ser bandido, mas não tinha nem ao menos a coragem ou a habilidade para fazer isso da maneira correta. Moleque de menor, pego pelos policiais no meio do movimento, e ainda assim, teve a audácia de trazer a polícia até a minha porta. E tudo isso por causa de uma mãe que eu nem tinha a mínima paciência para entender.
Os policiais estavam lá na barreira, prontos para subir e, quem sabe, tentar me confrontar. Eu já havia dado ordens claras para que não tivessem piedade com aqueles que cruzassem meu caminho. Já mandei descer bala neles sem a menor hesitação.
— E você acha que eu quero saber dos problemas da sua mãe, seu idiota? Cadê a grana que você devia me dar? — A raiva cortava minha voz, tornando cada palavra uma lâmina.
— Gastei... Gastei para sustentar o meu vício, para pagar as dívidas com a boca. Mas prometo, patrão, que é a última vez que dou um vacilo desses. — Ele tentou se justificar, mas suas palavras estavam se arrastando como a desculpa vazia de quem já havia ultrapassado o limite da confiança.
Aquele tipo de gente não merecia perdão, não importava a razão. Não podia mais confiar em ninguém. Ele devia pagar pelo que fez, e eu faria isso.
— Claro que é a última vez. Porque você vai rodar, seu desgraçado. — A palavra saiu como um grito de raiva. E, sem pensar, atirei. A bala foi certeira na testa dele, e ele caiu sem vida, o sangue espirrando contra a parede branca, tingindo o ambiente de uma cor que só quem vive nesse mundo conhece.
Chamei um de meus homens para retirar o corpo da sala. Precisava limpar tudo rapidamente, para que nada ficasse marcado por aquela violência. Já mandei alguém cuidar daquela sujeira, alguém que, com rapidez, faria o serviço sem questionar.
Enquanto esperava, fui até a mesa, peguei meu celular e procurei Yuri, que não atendia o rádio. Quando olhei para a tela do celular, vi uma mensagem que não esperava. Era de Isabella.
— Oi, Wesley. Será que eu poderia pegar as chaves da casa hoje à tarde? — A mensagem era simples, mas a ironia dela era óbvia.
Logo depois, uma segunda mensagem apareceu.
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Meu Novo Recomeçar
Teen FictionIsabella foi criada em um ambiente de violência e desprezo, onde o amor parecia ser uma ilusão distante. Desde pequena, foi vítima de abusos cruéis, e as cicatrizes que carrega, tanto na alma quanto no corpo, são testemunhos silenciosos de sua dor...
