Capítulo 21

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Isabella narrando...

BÁRBARA! — o grito escapou-me dos lábios como um rompante.

Despertei sobressaltada, o coração disparado, o corpo úmido de suor e febril como se eu tivesse atravessado uma febre dos infernos. A respiração vinha curta, descompassada, como se ainda estivesse presa ao horror que acabara de vivenciar em sonho.

Virei-me de imediato e, ao ver minha pequena Bárbara dormindo serenamente ao meu lado, a angústia que me consumia pareceu dissipar-se como fumaça ao vento. Ela estava ali. Viva. Intocada. Não caída no chão manchado de sangue, não com Rodrigo gargalhando feito um demônio ao fundo — como no pesadelo que acabara de me visitar.

Parecia tão real... Tão vívido que o pavor se enraizou em mim. Num ímpeto de desespero, abracei minha filha com força, apertando-a contra meu peito como se, só assim, pudesse protegê-la do mundo. As lágrimas vieram baixas, silenciosas — não queria acordá-la.

— Meu Deus... graças a Deus foi apenas um pesadelo, minha filha. Você não imagina o medo que mamãe sentiu de te perder... — murmurei entre soluços. — Eu juro, meu amor, vou te proteger de tudo, de todos. Ninguém nunca mais vai te machucar. — beijei-lhe a testa com ternura.

O som da maçaneta girando rompeu o silêncio.

Apressei-me a limpar as lágrimas e escondi o rosto na almofada, tentando apagar os rastros do meu desespero.

— Isa...? — chamou uma voz familiar.

As lágrimas voltaram com força total. Ela entrou e fechou a porta suavemente. Caminhou até a cama e, ao vê-la ali, sem pensar, lancei-me em seus braços. Um abraço desesperado, em busca de um abrigo, de uma âncora.

Ficamos assim por minutos. Eu, desmoronando em prantos silenciosos, e ela, acariciando meus cabelos com a paciência de quem entende a dor sem precisar de palavras.

— Isabella, para com isso, senão vou acabar chorando também — disse com suavidade. — Ouvi seus gritos e vim correndo... Foi só um pesadelo, certo?

Assenti em silêncio, a voz ainda presa no peito.

— Sonhei que ele descobria onde estávamos... raptava minha filha e... e a matava com um tiro no peito. Depois, ele ria. Ria como um psicopata... — minha voz falhava a cada palavra. — Foi tão real, Márcia. Eu me senti sufocada, apavorada. Desde que viemos pra cá é a primeira vez que sonho com ele, mas a Bárbara... ela tem dificuldade pra dormir quase todas as noites. Ela tá traumatizada. E isso... isso é minha culpa.

— Vocês duas precisam procurar um psicólogo urgente — respondeu firme. — Te trouxe pro Rio pra você recomeçar, pra apagar esse passado desgraçado. Mas pra isso, tem que deletar essas lembranças. Arrancar o mal pela raiz. — Me abraçou com força. — Amanhã mesmo vou pedir pro Safadão arrumar isso pra vocês. E nem ouse dizer que não vai aceitar — você não tem escolha.

Márcia era um tipo raro. Daquelas pessoas que a vida te dá de presente uma única vez. Irmã de sangue, sim, mas sobretudo de alma. Nos piores dias da minha vida, ela esteve ali. Presente. Constante. Forte.

Naquela noite, Márcia fez o impossível para afugentar meus medos. Deitou-se numa ponta da cama, colocou Bárbara entre nós duas e começou a puxar conversa, como nos velhos tempos.

Conversamos sobre tudo e nada. Ela me fez rir, como sempre fazia, e permaneceu acordada comigo até que o sono finalmente me venceu.

Acordei melhor. Ainda com um peso no peito, é verdade, mas mais leve. Sua companhia me fez bem. Fui ao banheiro, fiz minha higiene, tomei um banho e me vesti com calma.

Meu Novo RecomeçarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora