Capítulo 41

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Wesley narrando...

Sinceramente, perdi completamente o controle. Bastou a morena se afastar de mim, encerrando o beijo com um olhar lascivo e sugerindo que fôssemos para o interior da casa, para que o sangue me fervesse nas veias. Uma onda de cólera subiu-me à cabeça, incontrolável, impiedosa. Eu mal conseguia conter o desejo de destruir tudo ao meu redor — especialmente ela.

A audácia daquela mulher era inconcebível. Não bastava ter brincado com o Matheus, usá-lo e depois descartá-lo. Agora, pelo que parecia, entregava-se livremente aos soldados da Rocinha como se estivesse oferecendo um prêmio.

Não esperei o beijo deles terminar. Avancei como uma fera solta, sem qualquer resquício de piedade. Meus punhos encontraram o rosto do sujeito com uma violência animalesca — socos repetidos até que o sangue surgisse em sua pele. Em seguida, uma rasteira o derrubou ao chão, e ali, sem hesitar, continuei o espancamento enquanto ao fundo ouvia os gritos da mulher tentando conter minha fúria.

Mas era tarde demais. A raiva me cegava. Ele tentou resistir, trocamos golpes, mas minha fúria o superava com facilidade. Quando me dei conta, ele já estava inconsciente, o rosto deformado e o nariz quebrado.

— Chega, caralho! — gritou GH, puxando-me pela cintura. — Tu tá maluco, Wesley? O cara já desmaiou. Vai arrumar confusão em outro lugar, porra!

Mas não havia espaço pra razão dentro de mim. Andava de um lado para o outro, como um animal enjaulado, desejando que o desgraçado recobrasse os sentidos só para que eu pudesse derrubá-lo novamente.

Enquanto alguns se apressavam em socorrer o rapaz, GH se aproximou outra vez:

— Tu quebrou o nariz do cara, Wesley.

— Melhor isso do que quebrar o teu — rebati, ainda em chamas. — Filho da puta... Quero ver se ele vai tocar nela de novo, desgraçado!

— Tu fez esse escândalo todo por causa de um beijo, mano? Desde quando tu se importa assim com ela?

— Gustavo... — falei entre dentes, controlando o ímpeto — não mexe com a minha cabeça. Não agora.

Afastei-me sem esperar qualquer resposta e fui em direção à minha prima, que estava acompanhada de Juliana, Kaique, KP e algumas outras garotas desconhecidas.

— Qualquer problema, a menor e a Isabella tão no meu barraco — avisei secamente, e saí dali sem olhar pra trás.

Foi então que vi Isabella. Ajoelhada ao lado daquele miserável, limpava-lhe o rosto com um pano enquanto lágrimas escorriam pelas suas bochechas. Claramente havia bebido mais do que devia. Conhecia aquele estado: o álcool dava a ela uma coragem que a sobriedade jamais permitira.

Entrei novamente na casa e subi para encontrar Bárbara e minha filha. Vários adolescentes dormiam espalhados pelo andar de cima. As encontrei em um dos quartos de hóspedes, dormindo tranquilamente. Carreguei primeiro a mais velha até o carro e, depois, minha filha. Prendi seus cintos de segurança e retornei à festa.

Lá fora, na área da piscina, Isabella ainda estava ao lado do sujeito, agora consciente. E para minha revolta, riam juntos. Meu sangue ferveu outra vez.

Aproximei-me com passos firmes, peguei Isabella pela cintura e a arranquei de perto dele. Joguei-a sobre meu ombro e caminhei decidido em direção à rua.

— Me larga! — ela gritava, esmurrando minhas costas — Seu cavalo! Idiota! Canalha! Wesley, me põe no chão! Eu quero ficar aqui!

— Cala essa maldita boca, Isabella — disse entre os dentes. — Senão a coisa vai ficar feia pra você.

Meu Novo RecomeçarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora