Wesley narrando...
Antes mesmo do sol tocar o céu, eu já tava de pé — acordado pela urgência da rua, não por vontade.
O banho foi rápido, só pra despachar o resto de sono que ainda me pesava nos ombros. Saí do banheiro com a toalha pendurada na cintura, caminhei até o closet. Peguei uma cueca box, uma bermuda jeans e uma camisa preta. Vesti tudo no embalo, sem tempo pra espelho.
O dia prometia ser intenso. Tinha baile mais tarde, e antes disso, o corre precisava estar alinhado: confirmar a chegada das cargas — droga, ferro, o pacote todo —, conferir o cofre e ainda fazer a ronda com os corruptos de farda que vivem mordendo nossa grana. Já tô de saco cheio desses parasita. Vivem se achando, mas qualquer hora eu canso e faço chover chumbo em todo mundo.
Achei o radinho entre as roupas sujas, jogado como se não carregasse o peso que carrega. Enfiei no bolso da bermuda, pendurei a corrente de ouro no pescoço, conferi se o celular e a pistola tavam comigo — e então saí do quarto, direto pro da minha filha.
Abri a porta devagar, deixando a luz suave do abajur escorrer pelo quarto. Ágata dormia serena no berço, como se o mundo lá fora não passasse de um ruído distante. Ela é ligeira. Se ouve passo no corredor, chora querendo colo. Mas ali, naquele momento, tava entregue ao sono. Me aproximei, ajeitei os lençóis com cuidado. Com ela, não posso vacilar nem por um segundo.
Fiquei ali parado, observando. Ela dorme pesado, como pedra, e carrega minha cara escarrada. Só o cabelo herdou da mãe — infelizmente. Mas eu amo essa menina com uma força que não sei explicar. Tem coisa que nem as palavras mais afiadas conseguem traduzir.
É uma sensação esquisita, bonita até: saber que tem alguém no mundo feito de você. Alguém que carrega teu sangue, tua história, e que vai aprender contigo a se virar nesse mundo cheio de armadilhas. Ser pai me dá um tipo estranho de poder. E de medo também.
Aquele dia em que vi a filha da outra mexendo com a Ágata, endureci na hora. Não me acostumei com essa gente ainda. Nem os moleques da boca eu deixo se aproximar, só os parceiros mais chegados. Aí vem uma estranha, querendo criar raiz logo de cara? Mina abusada. Não tenho nada contra a filha dela — que fique claro. Só não curti essa aproximação forçada. E depois que eu dei o enquadro, a pequena vive com medo de mim. Melhor assim. Não gosto de quem pega confiança rápido demais.
E a mãe, cheia das opiniões. Veio querer ensinar como eu cuido da minha filha. Ô, fofa... fecha essa boca. Ninguém te pediu manual nenhum.
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Cheguei na boca encostando minha moto na parede de sempre. Já tinha uns soldados no batente, e o movimento seguia morno. Era cedo ainda.
Passei no barraco da Paula, soltei a visão: hoje era dia inteiro no corre. Nada de almoço em casa, nem visita. E principalmente — nada de aproximação com a Ágata.
Entrei direto pro meu escritório. Aqui dentro, meu silêncio é lei. Não troco ideia com qualquer um, não. Só com os de confiança — e mesmo assim, na medida. Meu jeito é frio, seco. O povo se acostumou. Quem não aguenta, cai fora.
No tráfico, confiança é artigo de luxo. Ninguém confia nem na sombra. Aqui, os inimigos brotam igual nota de dois: do nada, e sempre falsos.
Tava ali, organizando uns números, quando ouvi gargalhadas altas do lado de fora. Nem deu tempo de pensar: Kaique e Matheus entraram rindo como duas crianças. KP veio logo atrás, com a cara fechada como sempre.
— Tô conseguindo respirar não... passa um baseado aí, TH, pra ver se acalma — Kaique disse, se jogando no sofá, segurando o riso.
Lancei um olhar frio, daqueles que cortam o ar. Ele calou na hora. Aqui não é lugar pra palhaçada.
— Tá rindo do quê, Kaique? Tenho cara de comediante? Tá me estranhando? — soltei, sem levantar o tom. Meu tom já é o bastante.
KP bufou, sentou numa cadeira ao lado, enquanto Matheus, rindo ainda, tentou apaziguar.
— Relaxa aí, Wes, essa tu vai curtir... — disse, e eu já revirei os olhos, sentindo que vinha bomba.
— Tu tá ligado na fiel do KP, a Thayane, né? — Kaique começou. Eu assenti, já cansado antes de ouvir. — Pois então. Pegou ele com a Stephanie na própria casa, mermão! A mulher meteu a bicuda nos dois, foi cena de novela. A mocreia quase escapou, mas KP ficou. A Thay desceu o sarrafo. Ó mulher braba. E tu ainda fala da silicone? Peito murcho e cara de derrota — riu alto.
Dei um sorriso torto. Kevin — o mais romântico e, por isso mesmo, o mais trouxa do bonde. Vive traindo a Thayane, mas sempre escondido. Ela é linha dura. Já mandei o KP baixar a bola dela no grito, na força, mas nem assim. A mulher é osso.
— Basta te chupar direito, caralho — falei, me ajeitando. — Tem que ter presença. Beleza é o de menos.
— Vão se foder vocês tudo — KP rebateu, levantando puto. — Tomei todas, nem lembro de ter comido essa porra. Tenho nojo da Stephanie, mais rodada que beck em biqueira. Queimaram minha fita aí. Saí porque quis, nem teve dedo da Thay.
Saiu batendo pé. Kaique foi atrás, tirando com a cara dele. Abanei a cabeça, cansado da infantilidade.
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— Quando ela comer e dormir, tu mete o pé. Não vou demorar — falei pra Paula.
— Se o senhor quiser, posso passar a noite... — arriscou ela, meio tímida.
— E eu falei que ia acampar? Bota ela pra dormir e vaza. Amanhã, onze da manhã, tu cola de novo.
Ela abaixou os olhos e saiu sem dizer nada.
— Prontos? Já podemos ir — anunciou Márcia, descendo as escadas com o celular na mão.
Vestia um vestido vermelho, colado no corpo e decotado até dizer chega. Nos pés, dois saltos que pareciam tijolos. Márcia é fogo. O que tem de bonita, tem de perigosa. Se não fosse minha prima, já tinha virado pecado.
— Apressa logo, que não sou motorista. Quando alguém te agarrar na rua, tu aprende a se vestir feito gente — soltei, saindo pela porta. Ela bufou e veio atrás.
Menos de dez minutos depois, já estávamos no baile. Márcia desceu, encontrou Juliana logo na entrada da quadra. A outra ficou em casa, cuidando da cria.
Do lado de fora, o baile fervia. As patricinhas subindo o morro no salto, no brilho, na ilusão. Uma ruiva de olhos verdes se aproximou com um sorriso sacana, daquele tipo que cheira a confusão.
💬 Hoje promete 💬
Cadê as piranhas da noite? 😍👀
Peço desculpas pelo atraso. agora tou em formação de amanhã a noite e não tenho muito tempo para postar, me desculpem 😩.
Mas agora todos os capítulos terão uma meta de 70 votos porque é cansativo escrever e escrever e no final tem muitos fantasmas 💔 mas sei que vocês são foda e o atingiram 😊.
Próximo capítulo será postado aos 70 votos.
Beijooooos
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Meu Novo Recomeçar
Teen FictionIsabella foi criada em um ambiente de violência e desprezo, onde o amor parecia ser uma ilusão distante. Desde pequena, foi vítima de abusos cruéis, e as cicatrizes que carrega, tanto na alma quanto no corpo, são testemunhos silenciosos de sua dor...
