Wesley narrando...
Estava absorto nas contas do mês, imerso na análise dos lucros e das despesas que o tráfico gerara nas últimas semanas. As cifras se entrelaçavam à minha mente, e por um instante, não percebi a presença de Ágata, que, com o olhar curioso de uma criança, tentava alcançar o revólver que eu mantinha guardado na gaveta.
— Você é uma curiosa incorrigível, não é? — falei, fechando a gaveta com firmeza, sem a menor vontade de ser rude, mas preocupado. — Já te avisei para não mexer nessas coisas... — Ela resmungou, como se em um pequeno protesto, e olhei-a com um sorriso irônico. — Ah, então é isso? Quer provocar o papai? — disse, notando a expressão fechada que ela fez.
Àquela altura, não havia muito a fazer. Depois de tudo o que aquela mulher causara, jamais permitiria que minha filha fosse novamente entregue a uma babá. Todos os dias, ao amanhecer, vestia Ágata, preparava-lhe o alimento e descia até a boca, com ela nos braços, como uma forma de protegê-la do mundo.
Não queria, de forma alguma, que ela respirasse o ar viciado daqueles que vivem nas sombras, entre fumaça de maconha e a constante ameaça dos rivais. Era um mundo sujo demais para alguém tão puro quanto ela.
Cheguei a considerar pedir a outra mulher que cuidasse de Ágata, pois percebera que minha filha começava a se apegar àquela mulher. Contudo, como era de se esperar, ela recusou. Não aceitou a oferta, como sempre.
Sabia que Isabella se sentira magoada com minhas ações, e eu, com plena consciência de que havia errado, não cogitava pedir perdão. Se tivesse escutado minhas palavras desde o início, talvez nada disso tivesse acontecido. Agora que lhe dava carta branca para cuidar da menina, ela parecia fazer um jogo de distanciamento, como se quisesse me punir com sua indiferença.
Peguei uma pequena pelúcia que estava no carrinho de Ágata e a entreguei à menina, com a esperança de que ela se distraísse e me deixasse terminar o que estava fazendo. Mas logo a porta da sala se abriu, e com ela entraram Matheus e Kaique.
— Caramba, depois de transformar essa sala num verdadeiro bordel, agora virou um centro de brinquedos? — comentou Kaique, com um riso sarcástico.
Sem pensar duas vezes, peguei o primeiro objeto à mão e o lancei na direção de Kaique. Não tolerava suas brincadeiras naquele momento.
— Na boa, irmão, estava só zoando — disse Kaique, caindo no sofá, com uma expressão de quem tentava apaziguar a situação.
— Venho falar sério com você, mano. O assunto é grave — disse Matheus, sentando-se à minha frente.
Fiz um gesto com a mão, indicando que ele falasse, enquanto eu, distraído, tocava levemente nas mãos de Ágata.
— Estão vazando informações confidenciais da boca. Pura traição... A polícia já sabe detalhes que só os gerentes têm acesso, entende? Cada movimento nosso, eles já percebem. — Sua voz estava grave, carregada de preocupação. — Cada passo que damos, eles já sabem.
Traidores não são bem-vindos no meu território. E quanto aos ladrões... Esses, aqui, nem têm espaço. Minha terra é regida pelas minhas leis. Sou eu quem comando, e quem não está ao meu lado está contra mim.
— Você resolve isso, não estou disposto a me estressar com esses filhos da puta. Reúna os gerentes das bocas sul, norte e de trás. Quero todos aqui esta noite — disse, consumido pela raiva. — Você já sabe reconhecer um x9. Se necessário, elimine-os sem piedade.
— Se fosse eu, nem perderia tempo com isso. Apenas granada e bala, sem hesitar — disse Kaique, com um sorriso malévolo.
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Meu Novo Recomeçar
Teen FictionIsabella foi criada em um ambiente de violência e desprezo, onde o amor parecia ser uma ilusão distante. Desde pequena, foi vítima de abusos cruéis, e as cicatrizes que carrega, tanto na alma quanto no corpo, são testemunhos silenciosos de sua dor...
