Wesley narrando...
Ela me olhava como quem espera alguma resposta — não em palavras, mas em reações. Seus dedos, trêmulos, envolveram meu sexo com uma lentidão calculada, quase como se soubesse o fio tênue onde o desejo se mistura com a raiva. Mas eu não gosto de jogos. Nunca gostei.
Puxei o cabelo dela com uma brutalidade que nasceu no fundo do estômago e forcei seu rosto contra meu corpo. Não havia ternura no gesto. Só a fúria represada de dias mal dormidos, de cobranças, de gente demais encostando onde não devia.
— Chupa direito essa porra, vagabunda — sibilei, sentindo a ponta da glande encostar o fundo da garganta dela.
Ela recuou, instintivamente. Mas instinto algum seria mais forte que o meu. Prendi sua cabeça com as duas mãos e empurrei ainda mais, como se ali dentro eu pudesse afogar o que me corroía por dentro. O ódio. A frustração. A sensação de ser tocado por alguém que não me conhece, mas insiste em fingir que sim.
E então ela mordeu. Não forte, mas suficiente. O toque dos dentes foi um estopim. A dor veio, aguda, certeira, mas não me fez recuar — me incendiou. Levantei a mão e desci um tapa seco contra sua coxa. Ela respondeu com outro, pequeno, mas ousado.
E foi nesse segundo, nesse gesto de resistência, que tudo em mim explodiu.
Segurei-a pelos cabelos outra vez e, sem pensar, desferi um soco contra o centro do seu rosto. Um estalo seco preencheu o quarto. O sangue jorrou como uma pequena flor desabrochando em agonia. Ela caiu, desorientada, e eu a joguei contra a parede como se quisesse calar não só o corpo, mas o espírito.
— Ficou doida, é? — gritei, avançando outra vez, cego de tudo, menos da raiva que pulsava em mim como um tambor antigo.
Ela me olhou com olhos que ainda buscavam compreensão, mesmo agora, mesmo machucada. Limpou o sangue com o lençol, e entre lágrimas e vergonha, murmurou:
— Eu... não queria... me desculpa, WL...
— Desculpa é o caralho, sua merda — rosnei, chutando. Primeiro o rosto, depois o corpo. Como se a carne dela fosse um espelho do que eu odiava em mim. — Tá achando que eu sou teus macho de esquina? Pegou intimidade errada, piranha!
Mais um soco. O nariz dela estalou de novo. Os sons pareciam distantes, como se fossem de outro cômodo, outra casa, outro mundo.
— WL... por favor... — ela sussurrou, a alma se dissolvendo nas entrelinhas da dor.
— Cala a boca, porra. Para de chorar. Nem pra transar tu serve... — respirei fundo, a cabeça girando — merecia era morrer, vacilona.
Fui pro banheiro com a mente fervendo. Liguei o chuveiro. A água escorria como se quisesse apagar o que eu tinha feito — mas eu sabia que certas marcas não se apagam. Odeio toque. Odeio quando tentam me tomar como coisa íntima. Não sou de ninguém. Nunca fui.
Pra mim, sexo é simples: boca, corpo e silêncio. Sem apego. Sem alma. Mas essas mulheres daqui não entendem isso. Tocam, se aproximam, chamam de amor como se a palavra bastasse.
Saí do banheiro com a toalha na cintura. E lá estava ela: ajoelhada, tentando juntar os pedaços de si, sujando os dedos com o próprio sangue. Ainda meio nua, ainda tentando não cair de vez.
— Você quebrou meu nariz... — ela murmurou.
— Da próxima, te quebro no meio — falei com frieza.
Me vesti em silêncio. Camisa branca, bermuda azul-escura, tênis. E ela ali, tentando cobrir o corpo com o que restava de dignidade.
— Anda. Se manda. Vou fechar essa porra.
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Meu Novo Recomeçar
Teen FictionIsabella foi criada em um ambiente de violência e desprezo, onde o amor parecia ser uma ilusão distante. Desde pequena, foi vítima de abusos cruéis, e as cicatrizes que carrega, tanto na alma quanto no corpo, são testemunhos silenciosos de sua dor...
