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Wesley narrando...
Minha vida nunca foi fácil, e talvez eu tenha sempre escolhido o caminho mais tortuoso, aquele em que as escolhas são mais amargas, mas também mais reais. Nasci e cresci nas ruas do Rio de Janeiro, filho de uma prostituta e de um empresário rico. Porém, nenhum deles quis cuidar de mim. Fui rejeitado antes mesmo de chegar ao mundo. Minha mãe tentou me matar com remédios, bebidas e drogas, mas, por ironia do destino, não conseguiu. Meu pai, por sua vez, nem sequer soube da minha existência.
Aos três anos de idade, conheci o inferno. Ao lado daquela mulher, apanhei como um cão, sentindo as marcas das suas mãos e objetos em minhas costas. Passei dias e mais dias sem água ou pão, vivendo na miséria de um lar que não se importava comigo. Ela estava ocupada demais, se perdendo com os maridos dos outros, deixando-me entregue ao abandono. A dona da casa de prostituição, uma mulher que parecia o próprio demônio em forma humana, fazia de mim um saco de pancadas. Batia em mim com tudo o que tinha à mão, me queimava com velas, me punia com crueldade.
Farta de mim, aquela mulher me abandonou diante de um orfanato. Passei sete anos ali, com a boca fechada e o espírito amargurado, sendo humilhado sem cessar. Não tínhamos o direito de brincar, de ser felizes, nem sequer de aprender. Quanto mais crescia, mais a dor aumentava, e a cada dia, o sofrimento se tornava parte de mim.
O que mais me incomoda é a sensação de prisão, de ver minha liberdade se esvaindo com o vento. Juntei-me a alguns outros garotos e, juntos, decidimos que não haveria mais corrente. Fugimos para viver nas ruas, enfrentando o mundo sem medo.
Roubei para comer, matei para me proteger, apanhei por injustiça, e fugi para sobreviver. Desde muito jovem, conheci o perigo de perto. Passei noites sem dormir, com o medo de que a morte me encontrasse, vi muitos dos rapazes ao meu lado caírem, vítimas da violência e do abandono. Era impossível fechar os olhos durante a noite, com medo do que poderia acontecer a qualquer momento.
Foi nesse caos que encontrei Matheus, um parceiro de vida. Ele já vivia no Chapadão e trabalhava para o tráfico. Em poucos meses, criamos uma irmandade, e ele me tirou das ruas, trazendo-me para cá com uma oferta de trabalho. Comecei a trabalhar para o ex-dono deste morro, o tio Marcão, que me ensinou a ver a vida com outros olhos. Marcão arrancou minha inocência e me transformou em Wesley, alguém frio, calculista, um homem moldado pela dor e pela morte. Esqueci todo o sofrimento do passado e, com ele, me tornei homem. De fugitivo, passei a ser subdono do morro, e quando Marcão morreu, há dois anos, assumi de fato o controle, com Matheus ao meu lado como subdono.
Nunca amei. Nunca me apaixonei por uma mulher. Eu como, uso e jogo fora, sem apego. Se a carne for boa, repito a dose, mas jamais me prendo. Homem de verdade não ama, não se apaixona. Tem que consumir sem gostar, sem criar raízes. Se uma mulher começar a gostar de mim, eu fujo, porque esses negócios de amor só trazem problemas. Tudo é interesse.
Nunca me envolvi com crianças. Elas sempre me lembram do meu passado, e por isso nunca deixei nenhuma se aproximar. Mas, por ironia do destino, cometi um erro. Alguns meses atrás, me envolvi com uma mulher do morro, e ela, antes de transarmos, furou a camisinha. Ela engravidou. Dei-lhe uma surra, paguei pelo aborto e ela sumiu, desaparecendo do morro e da minha vida.
Há um mês, um dos meus comparsas trouxe uma sacola de lixo. Dentro dela, encontrei uma bebê pequena, que parecia caber na palma da minha mão. Ela estava envolta em uma manta, e ao lado, um bilhete: aquela mulher me deixara a criança para cuidar. Ela abandonara a própria filha. Desde então, a minha mente está voltada para uma única coisa: encontrá-la e, quando o fizer, matá-la com minhas próprias mãos.
Ágata. Esse é o nome da minha princesa. No início, eu não queria saber dela. O choro constante me incomodava, mas algo dentro de mim começou a mudar. Não queria que ela passasse pelas mesmas dores que eu vivi. Decidi cuidar dela, mesmo com a vida que levo e os perigos que isso implica. Quero que Ágata seja amada e tenha, ao menos, uma presença paterna em sua vida.
Ainda não sei como lidar com muitas coisas. Não sei dar um biberão, trocar fraldas ou dar banho. Por isso, contratei uma ajudante, Dona Paula, para me ajudar nessa tarefa.
Ágata é o único ser que me mantém em paz. Ela é a razão pela qual ainda respiro, ainda sigo em frente. Quero vê-la crescer e se tornar uma mulher digna, que possa viver sem os fantasmas que eu carreguei.
***
O calor insuportável do Rio de Janeiro queimava minha pele, e a camisa preta que vestia se grudava ao meu corpo, como uma segunda pele impregnada de suor. Segurei o fuzil com firmeza, encostei-o contra a parede da boca de fumo e, num movimento quase automático, tirei a camisa e a joguei sobre o ombro, buscando o alívio da brisa quente que tocava minha pele exposta.
— Puta que pariu, minha xota gemeu ao ver isso — Kaique comentou, a risada sarcástica reverberando pela pequena rua, enquanto Yuri, sem controle, soltava gargalhadas.
— Te liga, esse homem é meu. Ele adora a minha sentada, não é, Safadão? Confessa! — Yuri alfinetou, provocando com um tom de brincadeira.
Balancei a cabeça, um suspiro de impaciência escapando dos meus lábios. Eles eram os mestres na arte de escapar do trabalho, sempre criando desculpas para a preguiça.
— Duas balas na testa de cada um, e vocês vão aprender o que é respeito, porra. Não têm mais nada pra fazer, não? — minha voz saiu seca, cortante, como uma lâmina afiada.
— Pode crer, nem dá mais pra brincar — respondeu Yuri, ainda com um sorriso travesso. — Estamos esperando o Matheus pra descer até o asfalto, cobrar a galera.
— Essa merda já devia ter sido resolvida na semana passada. Vocês levam tudo na brincadeira, e depois, quando me vejo como vigia, dia e noite, por três dias seguidos, ninguém sabe o motivo — resmunguei, o tom impaciente em minha voz. — Eu não tolero atraso, especialmente quando envolvem dívidas ou furtos. Já disse: na minha quebrada, ninguém cheira de graça.
— E a porquinha, cadê? — Kaique perguntou, com aquele sorriso malicioso, lembrando Ágata, que adorava vomitar em sua cara.
— Respeita minha filha, caralho! — rebati, dando-lhe um peteleco na nuca. — Ágata está em casa com a Paula. Tenho que sair agora, resolver um assunto.
Subi até minha moto, e, com o ronco do motor cortando o ar quente, acelerei morro acima, focado na missão que me aguardava.
No meio da corrida, um pensamento cortante me atravessou: Márcia, minha "prima", que havia se mudado de São Paulo para o Rio com uma amiga e sua filha. A desgraçada, que quase me lambeu os pés pedindo abrigo e proteção, agora estava na minha casa. Esperava que, pelo menos, fosse boa em todos os sentidos. Afinal, enquanto ela e sua amiga estivessem por lá, eu precisava de alguma diversão.
4o mini
Boa noite 😍
Desculpem a demora para postar mas não tive tempo essa semana para me dedicar ao wattpad, esse mês tá muito corrido na escola então não vou postar muito.
Estou me dedicando mais para o meu outro livro que já está na reta final assim que eu terminar de escrever ele irei começar a postar com mais frequência.
O próximo capítulo sai quando a meta for atingida.
Bjs 😘
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Meu Novo Recomeçar
Dla nastolatkówIsabella foi criada em um ambiente de violência e desprezo, onde o amor parecia ser uma ilusão distante. Desde pequena, foi vítima de abusos cruéis, e as cicatrizes que carrega, tanto na alma quanto no corpo, são testemunhos silenciosos de sua dor...
