Wesley narrando...
Essa mulher... é como uma maldição. Uma espécie de feiticeira enviada do inferno, um veneno para a mente de qualquer homem. Ela desestabiliza, confunde, enlouquece.
É algo fora do comum. Consegue me tirar do controle em segundos, despertar uma raiva cega — e, ao mesmo tempo, tem o poder de me acalmar. É a segunda fonte de paz na minha vida, junto da minha filha.
Às vezes, sinto desprezo por mim mesmo. Tenho agido como um tolo. Nunca deveria tê-la deixado entrar na minha vida dessa forma. Não era para haver apego, nem da parte dela, nem da minha. Isso era uma regra.
Nenhuma mulher se aproximou de mim assim. Nenhuma me fez esquecer o lado escuro que carrego. Aprendi a distinguir muito bem quem se aproxima por interesse — e nesse lugar, são muitas. Mas ela não. Ela é diferente. Tem um jeito insano e ao mesmo tempo encantador, e é isso que me destrói por dentro.
Todos conhecem meu passado. Os crimes, as mortes, os rostos marcados pelo terror. Já executei pessoas em praça pública, já queimei vivos aqueles que ousaram me enfrentar. Sou temido e odiado. E ainda assim, Isabella, mesmo depois de quase ter perdido a vida por minha causa, permanece. Ri comigo. Sorri para minha filha como se nada tivesse acontecido.
Nunca fui de repetir noites com a mesma mulher. Muito menos de me apegar a um corpo, a um toque, a um som. Antigamente era apenas prazer imediato. Se fosse boa, eu repetia. Mas agora... não sinto vontade de estar com mais ninguém.
Ainda assim, não posso permitir que ela destrua minha mente mais do que já destruiu. Isso precisa ficar claro: o que temos é apenas físico. Nada mais. Que ela encontre outro homem para confundir.
E Rodrigo... aquele desgraçado nunca soube cuidar do que tinha. Já faz mais de quinze dias que está trancado no galpão. Todos os dias sente a dor do que causou. Perdeu três dedos, dois dentes. Está irreconhecível. E ainda assim, insiste que vai se vingar quando sair.
Não sei quem lhe deu essa esperança tola. Mas ele não vai sair. Vai morrer sentindo cada osso se partir. E não haverá piedade.
— Vai incomodar tua mãe, Kevin. Cuida da tua mulher, por favor. Não vem me encher o saco — falei, perdendo a paciência com o rumo da conversa.
— Se você não está envolvido com ela, por que ficou tão irritado? — retrucou, rindo. — Te conheço há tempo, irmão.
— Essa história é estranha mesmo, Wesley. Nunca te vi andando com mulher nenhuma aqui no morro, nem com a mãe da Ágata... a Leila — disse Yuri, e eu o encarei com frieza.
— Repete o nome dessa desgraçada mais uma vez e eu enfio esse cano no meio do teu rabo, vacilão. — Levantei. — Não tenho nenhum envolvimento com ela. É só sexo, nada além. Sou do mundo, não de uma mulher só. Agora movimenta, essa droga não vai se vender sozinha.
Só de ouvir o nome dela, meu corpo enrijeceu. A raiva subiu quente, pesada. Aquela mulher ainda vai aparecer por aqui — ou vamos nos cruzar por aí — e, quando acontecer, vai se arrepender. Vou acabar com a vida dessa miserável. Praga dos infernos. Abriu as pernas pro crime e fugiu quando foi hora de ser mulher de verdade.
Mas, ainda assim, eu sou grato. Ágata é o único raio de luz nessa minha vida desgraçada. Ela me mudou. Me fez sentir algo além de raiva e rancor.
Ser pai é um negócio louco. Você olha pra menina todos os dias e repete, sem parar, que ela é tudo. Meu único remorso é saber que talvez eu não esteja aqui pra vê-la crescer. Sair de casa de manhã e não voltar à noite virou rotina.
Queria o melhor pra ela. Que não fosse alvo de nenhum dos vermes que querem me destruir. Queria ser um bom pai, alguém de quem ela pudesse se orgulhar um dia. Mas essa é a vida que escolhi. O tráfico me moldou, corre nas minhas veias.
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Meu Novo Recomeçar
Teen FictionIsabella foi criada em um ambiente de violência e desprezo, onde o amor parecia ser uma ilusão distante. Desde pequena, foi vítima de abusos cruéis, e as cicatrizes que carrega, tanto na alma quanto no corpo, são testemunhos silenciosos de sua dor...
