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Kevin Pedro narrando...
Estava largado numa cadeira, em frente ao bar da dona Filomena, tragando mais um beck. A fumaça subia lenta, mas meus pensamentos corriam ligeiro até ela. Só podia ser castigo de Deus.
Quer saber a real? Tava foda fingir que tudo isso não me atingia. Desde o dia do nosso fim, me sinto um idiota — inútil, solitário, um zero. Não tem mais aquela voz reclamando porque mijei na tampa do vaso, nem o beijo suado depois dos corre ou da pelada.
Thayane criou nojo de mim. Rancor puro. Não quer nem olhar na minha cara. Me bloqueou, cortou tudo. No dia em que me pegou metendo na Stephanie, a gente se atracou feio — grito, soco, raiva. Me descontrolei geral. Quando percebi, ela tava no chão, desmaiada, o rosto coberto de sangue. Foi nesse instante que entendi: mais uma vez, eu tinha destruído a única coisa que me fazia querer mudar.
Ela é a mulher da minha vida, porra. A única que nunca me largou, que sempre esteve ali quando o mundo inteiro me cuspia. Nosso lance vem de longe. Das vielas, dos bailes, dos encontros sem compromisso. Era só curtição, troca de corpo, suor. Amor, na época, não cabia.
Mas o tempo é traiçoeiro. Me apaixonei feito um otário. Tentei sair fora, escapar antes de me afundar — igual o Wesley sempre dizia — mas já era tarde. Thayane tinha tomado meu coração bandido. E meu corpo.
Durante meses, fui dela. Só dela. Levei pro rolê, sorvete, bar, praia. Fiz planos. Sou esse tipo contraditório: vagabundo e romântico. Tentei ser fiel, tentei. Mas quando teu sangue é sujo e teus amigos são piores ainda, não tem santo que te segure. Aos sete meses, vieram as mentiras, as traições, os tapas. E mesmo assim, ela continuou. Ali. Do meu lado.
No fundo, eu sabia. Sabia que ela não merecia isso. Thayane era tudo: se valorizava, era engraçada, quente, firme, sincera. Sabia apoiar nos dias ruins, sabia rir alto nos dias bons. E falava tudo o que pensava. Sem medo. Sempre no papo reto.
Mas começou a se crescer pra cima de mim. Queria me botar de otário. E isso, não dá.
Depois de virar uma garrafa e meia de vodka pura e fumar mais três beck, decidi: vou até ela. Nem a pau que essa história vai terminar assim. Sete anos de amor não se joga fora como lixo. Thayane é minha.
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Tava chapado, mas ainda com o controle da moto. Estacionei na frente da casa dela. O papo ia ser direto. Peguei as chaves no bolso e tentei abrir a porta.
Uma, duas, três vezes. A chave não encaixava. Foi aí que caiu a ficha: a desgraçada trocou a fechadura.
— Filha da puta... THAYANE! — gritei. — ABRE ESSA MERDA, PORRA! PRECISO FALAR CONTIGO! — chutei a porta com força.
Gritei o nome dela mais de cinco vezes. Nada. Silêncio. Eu sabia que ela tava ali, só não queria abrir. Continuei chutando, com raiva, até ouvir o barulho das chaves girando atrás de mim.
— Se derrubar, vai pagar.
Virei na hora. Ela tava ali. O olhar triste, mas com aquela força que eu conhecia bem. A Thay de sempre, de guerra.
— Tu tá aí, é? — falei com a voz enrolada. — Pensei que tu...
Minha frase morreu quando vi o que ela vestia.
— Que porra é essa? — disparei. — Que merda é essa roupa, caralho? Tá mostrando metade da tua raba! Perdeu o juízo?
Ela riu, amarga, e se aproximou.
— Não perdi o juízo, Kevin. Quem perdeu o direito de mandar na minha vida foi você. — virou as costas e enfiou a chave na porta.
— Pera aí, Thay — segurei o braço dela — Para com esse papo torto, mulher. Tu é minha, caralho! A gente tem história. Vamo tentar de novo. O mundo tá tentando separar a gente...
Ela soltou o braço com firmeza.
— Mete isso na cabeça, se é que você tem uma: não existe mais a gente. Não tem mais história. Tô livre, leve e solta. Vai seguir com teu bonde que eu vou seguir na paz de Deus. — abriu a porta — E para de me atormentar. Lugar de ex é no inferno.
O sangue me ferveu. Quem ela pensa que é pra falar comigo assim?
— Nem tenta se aproximar, Kevin. Vai ser melhor a gente seguir caminhos diferentes. Licença. — e fechou a porta na minha cara.
Não botei fé no que ouvi. Por um segundo, achei ter escutado o choro dela. Mas foda-se. Isso não é o fim.
Eu ainda vou ter essa diaba de volta. Nem que pra isso eu tenha que matar geral.
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Depois daquele dia, vi ela algumas vezes nos bailes. Nem me aproximei. Se chegasse perto, ia acabar estourando a cara dela. Deixei ela respirar. Deixei botar as ideias no lugar. Mas os otários começaram a se achegar, a roçar na bunda dela como se ela fosse qualquer uma. Mandei visão. Chamei um dos vapores do Wesley. Dei o papo. Pipoco neles no beco da barreira.
Lugar de talarico é no inferno.
Um mês passou. E a gente ainda não se acertou. Ela passa na frente do ponto de venda e finge que nem me vê. Fui na casa dela várias vezes. Rejeição atrás de rejeição. Nem da porta eu passava.
— Tu vai ficar na barreira hoje à tarde — disse Wesley, apressado. — À noite, WL vai descer aí.
— Faz três dias que eu fico de tarde e na madrugada. Se WL não aparecer hoje, vou cortar teu pau, porra. — respondi, estressado.
Yuri apareceu atrás de mim e apertou minha bunda.
— Viado do caralho! Pau no cu, arrombado! Tá me tirando?
— Depois a gente conversa, mozão — disse, me provocando. — A Raíssa tá te esperando lá fora, Wesley.
Wesley saiu sem dizer nada, com a cara fechada. Nem parecia feliz por ter o privilégio de comer a maior puta do morro.
Boa noite ❤
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Vamo ⭐ e💬?
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Meu Novo Recomeçar
Roman pour AdolescentsIsabella foi criada em um ambiente de violência e desprezo, onde o amor parecia ser uma ilusão distante. Desde pequena, foi vítima de abusos cruéis, e as cicatrizes que carrega, tanto na alma quanto no corpo, são testemunhos silenciosos de sua dor...
