Wesley narrando...
As palavras daquele desgraçado ficaram ecoando em minha mente, como uma maldição impossível de esquecer. A imagem da cicatriz me atingiu com toda a força, como um golpe no peito, algo que me desestabilizou por um momento, fazendo minha mente ficar turva. Contudo, não permiti que ninguém percebesse essa fraqueza. Minha expressão permaneceu impassível, mas dentro de mim havia uma tempestade de emoções. Por mais que tentasse me convencer de que era apenas uma coincidência, a sensação de que estava pagando pelos meus próprios pecados era inevitável.
Com tantos homens poderosos, tantas mulheres dispostas a se entregar, por que aquela mulher precisaria se envolver com o pai daquele monstro? Como fui parar nessa situação, tendo que aceitar que sou irmão de um homem tão repulsivo?
Eu sei quem sou. Não sou um exemplo de ser humano. Já cometi erros profundos, já tirei vidas, já trafiquei, já causei dor e sofrimento a tantas pessoas. E, sim, estou ciente de que o inferno me aguarda. Mas saber que compartilho o mesmo sangue que aquele homem me enche de nojo. Ele é doente, psicopata. E o fato de eu carregar o mesmo sangue que ele é algo repulsivo, uma sensação de desgosto que me consome.
No entanto, a minha história sempre foi a mesma. Eu não tenho pai. Não tenho mãe. Não tenho família. Desde criança, carreguei o peso de tudo sozinho. Quando a fome me consumia, ninguém me ofereceu comida. Quando o frio me fazia tremer, ninguém me deu abrigo. Quando os policiais me acordavam no meio da noite com violência, nenhum "parente" se metia para me proteger. Sou órfão. E os poucos que permaneceram ao meu lado, os que se tornaram meus irmãos, são aqueles que compartilham a mesma luta, a mesma batalha diária. Não sou um homem de sangue, sou um homem de escolhas.
Rodrigo pode ser meu irmão de sangue, mas aqui na quebrada, o que conta é a lealdade. E quem vacila, morre.
— Você realmente acredita que isso vai mudar alguma coisa? — exclamei, controlando a raiva, minha voz baixa e cortante. — Isso não vai alterar nada. Não tenho irmão. A mulher que me trouxe a este mundo morreu há muito tempo, e o homem que me abandonou também morreu, porque me deixou. Minha jornada, eu fiz sozinho, com os meus. Seja você meu irmão de sangue ou não, nada disso muda nada.
Fui até a caixa de ferramentas, peguei um alicate e olhei para ele.
— Não será de socos que você morrerá. Será de forma mais elegante — disse a Yuri, que continuava espancando Rael com um taco de beisebol, ainda sorrindo com a situação.
Yuri, com um sorriso malicioso, comentou:
— Pode deixar, só estou tentando ver se consigo diminuir essa barriga dele.
Me aproximei de Rodrigo, que ainda mantinha uma expressão de desdém, e mandei que dois dos meus homens abrisse sua boca. Ele ainda se debatia, mas não demorou para eu posicionar o alicate sobre seus dentes. Fechei o instrumento e arranquei o primeiro dente com brutalidade. O grito de dor cortou o ar, mas não me comovi.
— Filho da puta! Você vai me pagar por isso! — ele gritou, a boca já sangrando profusamente.
Fui removendo os dentes um por um. Ele estava irreconhecível. Seus olhos mal conseguiam se abrir, e sua boca parecia uma carnificina. Ele já não era mais humano. O ódio que eu sentia por ele crescia a cada segundo.
Chamei Paulão e Nando, dois dos meus homens, conhecidos pelo seu trabalho "minucioso". Eles não queriam tocar em Isabella, queriam atingir a mim. Agora, seria Rodrigo quem pagaria por isso, e de uma maneira muito pessoal.
— Podem abaixar as calças deles. Tratamento especial, sem arrependimentos — ordenei, com um olhar implacável.
Rael, ainda ali, gemia, pedindo para ser morto. Mas não pretendia atendê-lo. A dor era o que ele merecia. Queria vê-lo sofrer, queria que ele sentisse o que é ser vítima da mesma crueldade que ele sempre espalhou.
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Meu Novo Recomeçar
Roman pour AdolescentsIsabella foi criada em um ambiente de violência e desprezo, onde o amor parecia ser uma ilusão distante. Desde pequena, foi vítima de abusos cruéis, e as cicatrizes que carrega, tanto na alma quanto no corpo, são testemunhos silenciosos de sua dor...
