Capítulo 56

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Isabella narrando...

Estava estendida no sofá da sala, a mão acariciando minha barriga, já um pouco mais visível, enquanto Bárbara não parava de me bombardear com perguntas sobre a gravidez, reclamando sem parar.

Impossível! A menina agora parece em guerra comigo, porque diz que não sou mais a sua "mamãe-bebê", que dou mais atenção à Ágata do que a ela, e que quando o bebê nascer, vou me livrar dela, vendendo-a para outra mulher.

Ou reclama que vou parar de brincar, de dar beijinhos de boa noite, de comprar doces e brinquedos... Ela, sendo filha única, sente medo de ser deixada de lado, mas isso é impossível. Posso ter quarenta filhos, mas meu amor será sempre dividido igualmente. Nenhum será mais amado que o outro.

— Por que você acha que eu vou te deixar de lado?
digo, puxando-a para o meu colo.
— Você sempre será minha bebê, está me ouvindo?

— Mas agora você não brinca mais comigo, só cuida da Ágata. Dá beijinho e eu, mamãe? Sou sua neném...
ela faz o bico exagerado que me arranca uma risada.

— A Ágata é pequenininha, meu amor, chora o tempo todo e precisa de muita atenção. Pode se machucar sozinha, por isso fico de olho.
explico, passando a mão pelos seus cabelos.

— E eu não sou pequena, mamãe, não sou velha!
ela emburra, e eu não consigo segurar o riso.

— Você é a minha pequena!
respondo, com um sorriso suave.

Deitamos as duas no sofá. Coloquei um filme infantil e, em menos de trinta minutos, Bárbara adormecia em meu colo.

Eu a entendia. Em São Paulo éramos só nós duas, e passávamos o dia juntas. No Rio, tudo mudou. A chegada da Ágata me aproximou de Wesley: senti que era meu dever cuidar dela também. Alguns acham intromissão, mas estou longe disso.

Depois, o escritório de advocacia consumiu meu tempo: papéis, prazos, relatórios para Ester. E, com o bebê crescendo, minha presença para Bárbara ficou mais escassa. Ela se sentiu ameaçada, mas nunca a deixaria de lado.

Enviei mensagem a Wesley convidando-o para jantar, mas ele não respondeu. Depois da surra que levou da polícia, alguns de seus soldados presos, ele está paranoico, falando em traidores. O papel roubado na boca do tráfico complicou sua relação com a facção. Acreditam que foi ele quem orquestrou tudo.

Quando chegou em casa, seus ferimentos eram visíveis: boca rasgada, arranhões, hematomas. Não conseguia nem se manter em pé. Ver aquele homem despedaçado me fez chorar — e meus hormônios só agravaram a cena.

Sei que nossa relação é recente. Não conheço tudo sobre ele, mas sei que o amo. Saí de São Paulo prometendo nunca mais amar, mas perdi a razão quando o vi. Podem me chamar de irresponsável por me envolver com um traficante, mas meu coração não escolhe a lógica.

Isso não dá a ele o direito de me bater quando quiser. Já vivi essa dor, até que decidi não ser mais ingênua.

No fundo, sinto medo. Medo de algo acontecer com ele ou com as crianças. Medo da ausência de Rodrigo, desta paz estranha na minha vida. Sinto que algo está por vir, mas não sei o quê.

Dois dias depois...

— Vai me deixar entrar ou vou ter que esperar sentado?
ouve-se a voz séria, carregada de ironia.

Pego a Ágata nos braços e sigo para a sala.

— Virou educado, é? respondo, desconfiada.

Ele me ignorou o dia todo, e reaparece como se nada tivesse acontecido. Bárbara, ao ver Ágata em meu colo, fecha a cara, mas a repreendo com um olhar.

Meu Novo RecomeçarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora