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Isabella narrando...
Revivo um pesadelo que há quatro meses jurava ter deixado em São Paulo. Quando Ágata quase morreu pela primeira vez, jurei que nada mais poderia me ferir com tanta crueldade. E, no entanto, aqui estou. De novo. Minha filha entre a vida e a morte, ferida pelo mesmo homem. A sensação de fracasso é tão grande que me corrói por dentro. Sou mãe, mas falhei na função mais essencial: proteger. E, por mais que eu me esforce — e Deus sabe o quanto — parece que o mal me escolheu como morada. Que habita minha sombra. Que caminha ao meu lado todos os dias.
Eu daria tudo, absolutamente tudo, para trocar de lugar com ela. Para sentir a dor que é dela, chorar as lágrimas que são dela, carregar esse fardo no lugar da menina que eu trouxe ao mundo.
Rodrigo despertou em mim algo que nunca imaginei sentir por alguém: um ódio nu, queimante, carregado de desejo de vingança. Sempre fui de paz. Sempre busquei o bem, mesmo dos que me feriram. Mas ele... ele quase matou minha filha uma vez. E agora outra? Queime. Que apodreça. Quero vê-lo pagar com cada gota de desgraça que existe neste mundo.
Quando Wesley pediu para ver minhas cicatrizes, hesitei. Uma sombra de dúvida pairou sobre mim, como se temesse que por trás daquela solicitação houvesse um desejo sombrio, oculto. Contudo, ao encarar seus olhos, percebi neles uma sinceridade desprovida de qualquer malícia, o que desarmou minhas inseguranças. Sem mais hesitar, retirei a blusa, de costas para ele, e preferi assim: protegendo meus seios do peso de seu olhar, entregando-lhe apenas a superfície marcada do meu passado.
Seus dedos—grossos, frios—se posaram sobre minha pele com uma delicadeza que beirava a dor. Cada marca, cada relevo, era tratado como uma página de um livro antigo e sagrado. Seus toques eram lentos, reverentes, como se ele estivesse decifrando algo profundo e irremediável em mim. Quando perguntou se uma das cicatrizes havia sido feita com ferro quente, minha resposta foi um simples movimento de cabeça.
O toque dele continuou, mais persistente, mas ainda envolto em uma suavidade que me envolvia como uma teia. Eu, de olhos fechados, absorvia aquele cuidado estranho, quase intangível. Então, senti seus braços rodeando minha cintura, e o calor de seus lábios, úmidos, se arrastando pelo meu pescoço. Abri os olhos abruptamente. Tentei me afastar, mas parecia que ele estava possuído por algo maior que ambos, algo além de mim.
— Você se lembra do que aconteceu naquela sala? — ele murmurou, sua voz rouca e carregada de uma fome primitiva. — Aquele olhar... aquele jeito. Despertou o pior em mim. Quis te rasgar inteira e te penetrar até que sua dor fosse minha. E o que você fez? Me deixou com a tensão no corpo e ainda mais sedento de você.
Suas mãos subiram, ávidas, dominantes, apertando meus seios por cima do sutiã. Eu tentei resistir, mas a pressão do seu toque era impossível de ignorar.
— Wesley... para. Você tá falando merda.
Mas ele me virou com brutalidade, os olhos queimando os meus com um desejo insano, algo que parecia consumir tudo ao redor. Suas mãos desceram até minha saia, e num gesto impiedoso, a rasgou como se fosse nada. Quando eu ia protestar, ele me silenciou com um beijo—urgente, desesperado, como se o mundo fosse acabar ali, entre nossas bocas. E, por um momento, eu desejei que fosse assim mesmo.
Meu corpo, imoral, traiu qualquer vestígio de racionalidade. Agarrei-o de volta com a mesma intensidade. O tempo desapareceu. Só existia o calor que se espalhava, o atrito violento de nossos corpos, o cheiro de desejo que nos envolvia como uma nuvem.
Afastei nossos lábios, o fôlego entrecortado, ainda preso a ele, enquanto meus olhos o encaravam. Dentro de mim, algo lutava—culpa contra desejo, medo contra fome. Talvez eu me arrependesse no dia seguinte. Talvez já estivesse arrependida. Mas naquele instante... eu só queria esquecer, me perder, me incendiar.
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Meu Novo Recomeçar
Teen FictionIsabella foi criada em um ambiente de violência e desprezo, onde o amor parecia ser uma ilusão distante. Desde pequena, foi vítima de abusos cruéis, e as cicatrizes que carrega, tanto na alma quanto no corpo, são testemunhos silenciosos de sua dor...
