Capítulo 13

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Wesley narrando...

Depois de virar a noite e chegar em casa com uma ressaca daqueles, eu nem me dei o trabalho de vender no domingo. O cansaço estava imenso, meu corpo pedia por descanso. Estava mais afim de pegar um bom sol e, claro, saborear um churrasco daqueles.

Os rapazes já sabiam o esquema, estavam por conta das vendas e não me preocupei nem em deixar o radinho ligado. A mente não estava para assuntos de trabalho, muito menos para B.Ô hoje. Sabia que a casa estava tranquila e, por isso, convidei os chegados de sempre — aqueles que, embora não demonstrassem, eram fiéis, estavam sempre por perto.

A galera se espalhou, a conversa fluía entre as meninas e nós, com nossos próprios papos. Ágata estava com a babá, o sol estava forte demais e eu não queria expô-la ao calor intenso.

— Pô, ontem o Wesley arrastou o baile inteiro — comentou Kaique, balançando a cabeça em negação. — Eu não peguei nada.

— Eu peguei só aquela ruivinha e suas amigas — respondi, rindo, e negando com a cabeça.

Puta que pariu, a ruivinha de ontem, a tensão quando ela passou a língua na minha pele, meu Deus. A garota era apertada e sabia o que estava fazendo, e o calor do momento... como posso dizer? Uma sensação indescritível.

— Eu peguei foi a minha cachaça — disse Th, fazendo todos rirem. — Dei uma pausa nesse lance de gravidez, Deus me livre de ser pai agora.

O Matheus era outro que não se importava muito com o "quem é dono de quem", mas, dias atrás, ele se meteu com a filha do pastor e a história foi longe demais. Agora, diziam que ele era o possível pai.

— Isso é o que dá transar às pressas atrás de uma igreja — Yuri comentou, dando um peteleco na cabeça de Matheus. — Deus não perdoa essas coisas não, irmão.

Eu ri, mas o papo logo mudou.

— O que importa mesmo é que a gente fez grana ontem. Aqueles mauricinhos esvaziaram a bodega com a maconha, foi lucro — falei, acendendo o meu baseado com um sorriso.

— Ah, e esqueci de contar. Me esbarrei com o Rael. Estava no baile, não sei o que ele estava fazendo por aqui. Vi o Adriano, primo dele, descendo o morro com a Irina — Yuri disse, e meu sangue ferveu.

Rael, o chefe do morro rival. Conhecia aquele tipo, seu comportamento traiçoeiro. Já tinha infiltrado uns otários aqui e o final deles? Queimados vivos ou com a cabeça cortada e enviada como "mensagem". Eu nunca deixava o morro invadido, e se alguém ousasse, já sabia a consequência.

— Você devia ter me falado disso na hora, quero encontrar esse filho da puta e acabar com ele — disse, o punho cerrado, um ódio crescente.

Eu odiava a ideia de perder qualquer um dos meus. O tráfico não é só sobre poder, é sobre controle. Cada movimento, cada venda, cada passo. E não admito que alguém tente me tirar o que é meu.

Levantei da borda da piscina e fui até a cozinha, buscando mais carne para o churrasco. Ao entrar, dei de cara com Isabella, que estava retirando uma lata de mojito do freezer.

Ela já não usava mais a camisa, apenas o biquíni, e ainda mantinha os calções. Era a primeira vez que eu reparava o quanto ela era atraente, mas algo me dizia que ela estava escondendo esse corpo de propósito.

Fiquei incomodado ao perceber que ela estava de costas para a porta, com a bunda empinada para a vista, e meu corpo não ajudou muito... A visão me pegou desprevenido. Mas tentei afastar esses pensamentos. Ela tinha uma filha, e eu não queria me envolver nessas questões.

Quando me aproximei, ela virou de repente e, sem querer, derrubou o mojito em mim. O choque foi inevitável.

— Porra, tem olhos nessa cara, não? — falei, com raiva, e ela se encolheu, visivelmente assustada.

— Eu... eu peço desculpas, não vi você atrás de mim — ela disse, gaguejando.

Seu rosto ficou vermelho como um pimentão. Fiquei observando, vendo os olhos dela desviarem para a marca da minha sunga. A sensação foi estranha, desconfortável, e até eu percebi que o momento estava um pouco tenso demais.

— Isabella, sua filha precisa do protetor solar — Márcia apareceu na cozinha, interrompendo o clima.

Isabella rapidamente quebrou o contato visual e saiu apressada, deixando a lata de mojito em cima do balcão. Esquisita essa mulher, pensei. Não parecia nem um pouco à vontade com a situação, mas não podia negar que estava me deixando intrigado.

Com a noite se aproximando, todos decidiram entrar para a casa. O tempo ainda estava bom, mas o cansaço já tomava conta de todo mundo. Peguei Ágata no colo e me sentei no sofá, esperando que ela se distraísse enquanto tentava pegar meu colar.

— Vai ter que tomar muita mamadeira pra ficar forte, igual ao papai — brinquei, beijando sua testa.

Não demorou muito para ela adormecer, e eu a levei para o quarto, onde Paula já tinha dado comida e banho nela.

Desci de volta para a sala, me sentando novamente no sofá, agora com um baseado na mão. Não havia mais ninguém perto de mim, mas Bárbara apareceu, sentando-se distante. Ela me olhava, mas não falava nada.

— O que foi? Tá me olhando por quê? — perguntei, desconfiado, e ela me encarou com um olhar tímido.

— Quelo ver pepa plig — ela disse, se atrapalhando nas palavras, o que me fez sorrir.

— Não conheço essa "porca", não. Mas pode colocar o que quiser — disse, sem muito interesse, mas notando a maneira como ela se aproximou. Ela se sentou ao meu lado, mas com distância. A menina ainda tinha medo de mim.

Eu a observava, me perguntando como Ágata seria quando chegasse à idade de Bárbara. A menina não era feia, pelo contrário. Ela herdou muitos traços de Isabella, o que, por algum motivo, me fez sorrir. O cabelo dela, então... Parece que foi escolhido a dedo, um sinal de que o pai dela também sabia o que estava fazendo.

Boa noite 😍

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