Capítulo 59

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Isabella narrando...

Já se passaram três dias desde que Rodrigo me sequestrou, auxiliado por um cúmplice repugnante — um velho obeso, de olhar lascivo e alma corrompida. Confinada nesta cela imunda, observo o sol nascer por uma fresta minúscula, e a noite cair como um manto de desespero. O sono me abandona; resta-me apenas o pranto e súplicas por alimento.

Meu pensamento se fixa na saúde do bebê que carrego, na saudade que Bárbara deve sentir, ansiando por um abraço materno, na Ágata chamando-me de "mamãe" com aquele sorriso inocente, e em Wesley, meu amor, cuja ausência dilacera meu coração.

Há mais de 78 horas estou enclausurada nesta espécie de masmorra, sofrendo todo tipo de tormento. Imploro por água e pão, pois desde que fui trancafiada aqui, só me alimentaram uma única vez.

As paredes estão manchadas de sangue seco e ossos humanos espalham-se pelo chão. Baratas percorrem o ambiente incessantemente, algumas ousam escalar meu corpo. O cheiro de urina de ratazanas é nauseante, tornando o ar quase irrespirável. Desejo apenas escapar deste inferno.

Rodrigo não é mais o homem que conheci; tornou-se um psicopata sem escrúpulos. Ordenou que seus capangas me agredissem e abusassem de mim enquanto ele filmava tudo, provavelmente para enviar a Wesley. Acorrentou-me a uma cama de ferro, deixando-me vulnerável e aterrorizada.

Sinto-me fraca, dominada pelo medo e pela angústia de não saber como reagir diante de alguém que destruiu minha vida.

Ouvi vozes do lado de fora, seguidas pelo som da porta se abrindo. Encolhi-me na cama, colocando as mãos sobre a barriga, numa tentativa instintiva de proteger meu bebê.

— Está com fome? — perguntou Rodrigo, com ironia. — Trouxe um jantar para nós dois.

Permaneci em silêncio.

— Estou falando com você, porra! Responda-me! — gritou, assustando-me.

— Estou... estou com fome, sim — respondi, com a voz embargada.

Ele se aproximou da cama, e eu recuei, colando-me à parede. Em seguida, Rodrigo colocou dois pratos sobre o colchão velho e me encarou profundamente, fazendo um gesto para que eu comesse.

A fome era tanta que não esperei por mais nada. Peguei um dos garfos que ele havia deixado e comecei a comer aquele espaguete com atum, enquanto ele apenas me observava, sem tocar na própria comida.

O sabor era horrível, meloso, sem sal, mas continuei comendo. Quando estava prestes a terminar, notei algo estranho no fundo do prato. Separei o restante do espaguete e vi uma barata morta. Senti um nó na garganta e corri para vomitar em um balde de lata que ele havia colocado ali para minhas necessidades.

— Espaguete com atum e leite de barata. Gostou? — disse ele, sorrindo enquanto eu continuava a vomitar.

A única pergunta que me vinha à mente era: por quê?

Por que tudo isso? O que eu lhe fiz de tão grave? Sempre o respeitei durante nossa relação, nunca lhe dei motivos para agir assim comigo. Ao menos por nossa filha, ele poderia me deixar em paz, permitir que eu seguisse minha vida ao lado de quem me ama e me merece.

— Por quê? — perguntei, chorando após terminar de vomitar. — O que eu te fiz de mal, Rodrigo? De onde vem tanto ódio?

— Quer mesmo saber, Isabella? — disse ele, com raiva na voz. — Seu pai destruiu minha vida, acabou com minha felicidade, tirou minha mãe de mim. Ele destruiu minha família, matou minha mãe... Aquilo que vivemos foi uma fantasia, não houve amor da minha parte. Você se iludiu. Eu apenas quis foder você, destruir sua vida, sua felicidade. Sempre te achei uma mulher de merda, e só de pensar que foi por causa do seu pai que minha mãe morreu... — disse, com o olhar frio. — Você nunca significou nada para mim. Sempre te odiei!

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