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Kevin Pedro narrando...
Fiz minha vigília no canto escuro do barraco, encarando aquele desgraçado que não cessava de berrar ameaças e obscenidades — um animal ferido, orgulhoso até a última gota de sangue. A certa altura, fui obrigado a calar sua boca com um trapo sujo; ou isso, ou lhe arrancaria a língua. Era isso ou enlouquecer.
O advogado, pobre coitado, jazia desfigurado: rosto inchado, o nariz quebrado em ângulos irreconhecíveis, o corpo coberto por hematomas, cortes e queimaduras. Dois dedos decepados completavam o retrato grotesco da sessão de tortura. Wesley havia perdido qualquer traço de clemência — o terror vinha nu, cru, direto das mãos dele.
Normalmente, esse tipo de serviço sujo recaía sobre mim ou meus comparsas, mas dessa vez ele fez questão de interditar qualquer ajuda. Algo dentro dele havia se rompido.
A dor de cabeça latejava, o estômago vazio se contorcia, e meu corpo só se mantinha de pé por pó e fumaça. Há dias não encostava numa comida decente. Chegar em casa de madrugada e encontrar só o silêncio onde antes havia panelas quentes e temperos carregados de afeto era uma punhalada.
Decidi subir o morro até o barraco da Raíssa — uma ex de Wesley, das mais perigosas — mas fui tragado por um pensamento repentino. Minha morena.
Thayane. Fazia tempo que não a via. Agora, só a encontrava nos fragmentos dos seus status de WhatsApp: sorrisos em bailes, poses em pagodes, indiretas carregadas de mágoa e frieza. Bastou a gente dar um tempo pra ela escancarar ao mundo que "superou". E eu? Fiquei.
Fiquei vendo de longe a mulher da minha vida viver sem mim. Sei que errei. Fui um canalha, não nego. Mas foi impulso — uma fraqueza. Ela sabia desde o início quem eu era: um cachorro solto, um homem sem coleira, movido pelo instinto.
Mesmo assim, ela ficou. Esteve ao meu lado quando eu não era nada além de promessas vazias. Me deu abrigo, amor, paciência. Foi mãe dos meus filhos, minha fortaleza. Posso ter sido um filho da puta, mas Thayane... Thayane é minha.
Sabia que ia dar treta, que ela ia me mandar tomar no cu, jogar as verdades na cara. Mas mesmo assim, fui. Travessei meu fuzil nas costas e fui até a casa dela.
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A casa estava com a luz acesa. Bati uma, duas, três vezes. Na quarta, ouvi sua voz.
— JÁ VAI, CARALHO! PORRA, TUA MÃE NÃO TE ENSINOU A BATER, NÃO? — gritou, com aquele temperamento ácido que me fazia sorrir até nos piores dias.
Quando abriu a porta, eu ia dizer que queria conversar. Tentaria, talvez, costurar de novo nosso destino rasgado. Mas minha voz morreu na garganta assim que a vi.
Cabelos presos num rabo de cavalo, camiseta larga — minha, aliás — e aquele olhar entre o cansaço e a saudade. Linda como sempre. Gostosa como o inferno.
Nem deixei que falasse. Agarrei sua cintura, colei nossos lábios com urgência e desejo. Fechei a porta com o pé enquanto nossas mãos travavam uma dança entre tapas e carícias.
Ela resistiu, claro. Sempre resistia. Mas bastaram alguns segundos para que seus dedos se entrelaçassem na minha nuca, enquanto minhas mãos desciam por suas curvas.
A química entre nós era explosiva. Quente, perigosa. Em segundos, eu já explorava sua pele como quem reencontra terra firme após um naufrágio. Seu corpo cedeu, mas sua alma ainda relutava.
— Traste... canalha... cafajeste — murmurou entre suspiros. — Isso que você tá fazendo é golpe baixo, Kevin Pedro...
— Para com esse fogo, Thayane. Eu e você somos um só. Nada nem ninguém vai destruir o que a gente tem — respondi, colando minha boca na dela.
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Meu Novo Recomeçar
Roman pour AdolescentsIsabella foi criada em um ambiente de violência e desprezo, onde o amor parecia ser uma ilusão distante. Desde pequena, foi vítima de abusos cruéis, e as cicatrizes que carrega, tanto na alma quanto no corpo, são testemunhos silenciosos de sua dor...
