Capítulo 19

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Isabella narrando...

Depois de me virar de um lado para o outro, tentando, de todas as formas, afastar aquela dor insuportável no estômago, finalmente desisti, deixando escapar um suspiro de frustração. Bufando de ódio contra o meu próprio corpo, me levantei e caminhei, ainda meio tonta, em direção ao banheiro. Mas, antes de alcançar a porta, uma sensação estranha subiu pela minha garganta, um calor ardente que queimava meu estômago. Senti como se uma bola de náusea me subisse pela garganta, e, sem conseguir controlar, corri desesperada em direção ao vaso sanitário.

Passei o que pareceram minutos intermináveis, com o rosto inclinado para o vaso, despejando todo o jantar da noite anterior. O gosto ácido na boca era insuportável, e o cheiro enjoativo me envolvia. Levantei-me lentamente, sentindo as pernas trêmulas, e lavei a boca o melhor que consegui. Ainda assim, o sabor amargo persistia, como um resíduo de algo que não poderia ser esquecido.

Voltei ao quarto, sentindo o cansaço de uma noite mal dormida me consumir. Olhei para o relógio na parede, o qual marcava quatro e quinze da madrugada. Aquelas horas que se arrastavam, pesadas e intermináveis, pareciam se estender sem fim. Nos últimos meses, o sono havia se tornado um luxo raro e inacessível. Se conseguisse dormir até as sete da manhã, já seria uma vitória. Márcia sempre dizia que eu era a culpada por essa insônia: me preocupava demais, pensava sem parar, e, como uma bola de neve, minhas inquietações se acumulavam, impedindo meu corpo de descansar. Às vezes, me pegava acreditando nela, como se meu cérebro estivesse num ciclo vicioso, sem espaço para tranquilidade.

Não queria ficar ali, deitada, olhando para o teto e vendo as horas se arrastarem, como se minha vida estivesse presa a esse momento. Decidi então descer para a sala, quem sabe um pouco de distração me ajudasse a afastar a tempestade que se formava na minha mente. Peguei um dos cobertores e fui em direção à sala. Liguei a televisão e, quase sem pensar, escolhi um filme de romance. Uma forma de buscar alguma coisa, qualquer coisa, que me tirasse do caos interno.

No entanto, logo no meio do filme, as cenas começaram a ficar mais intensas, mais eróticas. Foi como um gatilho. Uma vontade súbita e inexplicável de estar no lugar da mulher que aparecia na tela. Nunca estivera com outro homem além de Rodrigo. Ele, com seu corpo tão familiar, mas que já não despertava em mim o mesmo desejo. Às vezes, me pegava pensando sobre as coisas que Márcia dizia, como se o sexo fosse a chave para algo maior, como se fosse o único modo de realmente sentir-se viva. "Quando você perde a virgindade", ela dizia, "um fogo se acende dentro de você, e ele nunca se apaga". Talvez eu não soubesse o que ela queria dizer. Ou talvez simplesmente não acreditasse nisso.

Aos dezesseis anos, quase completando dezessete, perdi minha virgindade com Rodrigo. Na época, eu o via como o homem da minha vida. Mas, olhando agora, tudo parecia diferente. As relações que tivemos nunca me trouxeram prazer, nem confiança. Ele sempre foi rude, bruto, como se o único desejo fosse me usar para satisfazer suas próprias necessidades. Rodrigo me apertava, me arranhava, ignorando qualquer desejo ou necessidade minha. Quando finalmente terminava, adormecia sem sequer perceber o vazio que deixava em mim.

Agora, por algum motivo, meus pensamentos voltaram a ele, às coisas que fazíamos. Mas eu sabia que não valia a pena me perder nisso. Já era tarde para voltar atrás.

Depois de horas à mercê de meus próprios pensamentos, finalmente o sono se aproximou, me envolvendo como um manto pesado. Subi novamente para o quarto e deitei ao lado de Bárbara, buscando, de alguma forma, encontrar algum consolo na tranquilidade do seu sono.

Foi então que, por volta das nove da manhã, a voz de Márcia me arrancou do meu torpor, cortante e exigente.

Meu Novo RecomeçarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora