Capítulo 11

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Paro o carro na garagem do prédio e vejo que já são 9hs da manhã. Preciso de um banho e roupas limpas. Eu podia ligar para Andrea e dizer para cancelar os compromissos do dia, mas deixei o telemóvel em casa para Perroni não me rastrear. Saio do carro e sigo para o elevador. Entro nele e aperto o botão correspondente ao meu andar. As portas fecham-se e eu encosto-me na parede. Tento não sorrir ao lembrar da minha ideia idiota de ir até Acapulco falar com aquela demónia. Ainda não sei o que está acontecendo comigo, mas sei que a culpa é dela. As portas abrem-se e eu sigo para o meu apartamento. Antes de tocar a maçaneta da porta, escuto os gritos de Perroni. 

Perroni: Não me interessa que é ordem não rastrear ele, Welch. 

Respiro fundo e abro aporta. O corpo de Perroni vira-se imediatamente para me ver. 

Perroni: Não precisa mais rastrear a porra do telemóvel dele. 

Desliga o telemóvel e o mantém em sua mão segurando firme. 

Perroni: Onde esteve? 

A expressão do seu rosto é de raiva. Nunca o vi assim e tenho medo de como ele ficaria se soubesse que eu estava com a filha dele. Sinto alguém atrás de mim. Viro-me e é a vizinha. Ela sorri maliciosa para mim e eu sei o motivo. Deve estar lembrando do dia que me pegou nu no corredor. Ela vai para o apartamento dela e eu fecho a porta do meu. Olho para Perroni e ele parece mais calmo.

Perroni: Esteve com a vizinha a noite toda? 

Graças a Deus essa louca apareceu atrás de mim. 

Eu: Sim... 

Digo como se fosse o óbvio e os seus ombros relaxam. 

Eu: Onde achou que eu estaria? 

Vou até à cozinha e abro o frigorífico. Pego uma garrafa de água e abro. Perroni aparece na cozinha e olha para mim. Viro a garrafa na boca.

Perroni: Em Acapulco com a minha filha. 

Cuspo a água e começo a tossir engasgado. 

Eu: Por que achou isso? 

Limpo a minha boca e ele vira o telemóvel dele para mim. Merda!!!! A mensagem do Welch no meu telemóvel com a resposta do rastreamento que pedi. 

Perroni: Por que Welch te enviou isso? 

Coloco a garrafa no balcão e a minha mente tenta trabalhar rápido numa resposta. 

Eu: Você me pediu ajuda para saber onde sua filha vai todas as noites. 

Dou de ombros e saio da cozinha, sentindo ele me seguir. 

Eu: Ela ter ido do nada assim para Acapulco fez-me pensar que talvez ela não tivesse ido. 

Pego meu telemóvel no sofá e olho para Perroni. 

Eu: Mas pelo que Welch rastreou, ela de fato esta em Acapulco. 

Perroni: Então ela não mentiu quando disse que iria para casa da mãe dela.

Eu: Parece que não. 

Não posso afirmar, mesmo sabendo que ela está lá. Perroni senta-se no sofá e passa a mão no rosto. 

Perroni: Alguma coisa está acontecendo. 

Diz com a voz preocupada e eu sento-me ao seu lado. Não sei porque é que Lúcia pediu para não avisar a ele, mas a coisa é grave e ele merece saber.

Eu: Tira o dia de folga. 

Ele olha-me estreitando os olhos. 

Eu: Vai até Acapulco saber se está tudo bem. 

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