Capítulo 19 Parte IV Continuação

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Tem tantos pratos na mesa que eu acabo por me sentir perdida, sem saber por onde começar. 

Eu: O que você pediu? 

Pergunto a William rindo. 

William: Não sei. Deve estar perdido em meio aos seus pratos. 

A sua risada é engraçada e acompanha a minha. 

Eu: Já sei...

Separo as entradas e os principais.

Eu: Vai provar de tudo comigo.

William: De tudo?

Eu: Sim... 

Ele vai a pegar no seu garfo e eu impeço-o.

Eu: Eu dou-te. 

Ele olha para mim de um jeito engraçado. 

William: Vai me alimentar? 

Eu: Sim. Quero agradecer pelo belo consolo que me deu. 

William: Acho justo. 

Pego primeiro numa sopa de cogumelos. 

William: Sopa? 

Eu: Não quer? 

William: Não, se não for a sua. 

Isso foi fofo. 

William: Prova você e diz-me o que acha. 

Dou uma colherada e é impossível não gemer com o delicioso sabor.

William: O seu gemido diz-me que é boa e isso deixou-me excitado. Se for fazer isso o almoço todo me avisa.

Eu: Se tudo estiver bom assim vai me ouvir gemer o almoço todo.

William: Merda!!! 

Empurro a sopa de lado e pego numa entrada de salmão com alcaparras. Pego um pedaço e levo a boca do William. 

William: Isso é bom. 

Como um pedaço. 

Eu: Não gostei muito.

William: Mudaria algo? 

Analiso o prato à minha frente. 

Eu: Não faria com alcaparras.

Puxo a última entrada. 

Eu: Não me lembro o nome do que tem aqui. 

William: Foie gras. 

Tento não rir do biquinho fofo que ele fez ao pronunciar.

William: Os franceses gostam muito. 

Ele puxa o prato para ele e coloca o foie gras numa torrada. 

William: Prove. 

Dou uma mordida na torrada na sua mão e tento entender que sabor tem. 

William: Gosto mais quando ele vem selado com a carne. 

Coloca o resto da torrada na boca. 

William: Os franceses também comem muito pato. 

Aponta para dois dos pratos principais e dá um gole no seu vinho.

 William: Confit de cAmandard e o magret de cAmandard. 

Eu: Tenho vontade de beijar o seu bico quando fala. 

Ele inclina-se para mim. 

William: Confit de cAmandard... 

Beijo a sua boca.

William: Magret de cAmandard... 

Beijo ele de novo rindo. 

William: O que faria se eu cantasse algo em francês? 

Levo a minha boca até ao seu ouvido. 

Eu: Muita coisa. Começando por beijar cada parte do seu corpo. 

William: Tentador. Posso cantar essa noite, quem sabe. 

Eu afasto-me rindo e olho para os pratos. Eles são delicados, lindamente montados e perfeitos.

William: O que foi? 

Eu: Nada...

 Acho que nunca conseguirei alcançar algo assim. 

William: Tem certeza que não tem nada? 

Olho para ele que me observa. 

Eu: Olha estes pratos. 

Aponto para todos. 

William: O que tem? 

Eu: Estou tentando entrar num dos cursos mais concorridos na minha área e o que eu decido fazer? 

Bufo irritada comigo mesma por achar que conseguiria a bolsa com uma sopa simples, que a minha avó me ensinou.

William: Uma sopa maravilhosa!?!?! 

William diz confuso. 

Eu: Uma sopa. Que ideia idiota eu tive. Essa sopa nunca vai conseguir nada.

William: Eu achei ela perfeita. 

Odeio sentir-me insegura. 

Eu: Um dia antes de vir para o teste eu resolvo pegar a sopa da minha vó, modificar e acho que está ótimo. 

Passo a mão no meu rosto.

Eu: Onde eu estava com a cabeça, quando pensei que isso daria certo? 

William está rindo. 

Eu: Para de rir. 

Jogo o meu guardanapo nele. 

William: Você está nervosa, é só isso. O que importa é o sabor. 

Eu: William eu fiz a mudança na sopa uma vez em toda a minha vida. E se eu não me lembrar o que mudei e fizer merda? 

William: Acha que pode esquecer algo?

Eu: Agora eu acho tudo. Devia ter repetido este prato no mínimo 10 vezes para não dar merda.

Ele olha para mim pensativo. Resmunga alguma coisa. 

William: Já volto. 

Ele levanta-se e segue até ao maître. O que ele vai fazer? A conversa dos dois é demorada. O maître então chama o William para dentro de uma porta e desaparecem. Olho em volta sem saber o que fazer. Pego a taça de vinho e viro toda de uma vez. Vejo William voltar. 

William: Vem...

Eu: Para onde? 

William: Só vem...

Não acredito que ele me quer foder agora. Será que acha que isso é a solução para tudo? Levanto-me contrariada. Ele pega na minha mão e junto com o maître arrasta-me para a mesma porta onde entraram. Assim que entro, o meu corpo paralisa. É a cozinha do restaurante. Vejo a correria de todos perfeitamente sincronizada. Chego a suspirar vendo algo tão perfeito.

xX: Senhorita... 

Olho para o lado e vejo o chef responsável. 

xX: Sou Oliver, chef responsável por esta cozinha. 

Olho para o William apavorada. 

xX: Soube que fará uma prova na Le Cordon Bleu. 

Estou em choque. 

xX: O seu amigo disse-me que precisa treinar o prato. Diga-me o que precisa para fazer o seu prato e fique à vontade para usar a minha cozinha.



Continua...

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