(S/n)'s pov
A tempestade sacudia as árvores do quintal de forma violenta. Eu não conseguia dormir de jeito nenhum. Foi quando ouvi algumas batidas na porta, seguidas pela voz de Mike.
-(S/n), você está acordada?
-Estou sim.-Respondi, já levantando da cama.
Abri a porta e Mike segurava a lanterna iluminando parte do corredor.
-Eu não estou conseguindo dormir... Então pensei que poderíamos conversar igual nos velhos tempos...sabe, você sempre foi mais próxima de mim...
-É claro, Mike. -Soltei um suspiro- Acho que isso vai fazer bem para nós dois.
Ele concordou com a cabeça e falou.
-Vamos até a cozinha... Eu pensei em fazer um chá.
Eu sorri, Michael era muito parecido com William e o gosto por chá parecia ser mais uma entre tantas semelhanças.
Assim o segui até a cozinha, usando a luz de sua lanterna para me guiar através do corredor.
Entramos no cômodo e Mike estendeu sua mão, indicando uma das cadeiras.
-Sente-se, (S/n), pode deixar que eu faço o chá.- O homem pegou duas xícaras e colocou os sachês para assim encher uma chaleira e a colocar no fogão.
Michael então se sentou diante de mim e suspirou.
-Eu não te chamei de volta para Hurricane apenas por conta do aniversário da Vanessa.
Arqueei uma sobrancelha, sem entender.
-Como assim, Mike?
-Já tem um tempo que eu queria te reencontrar, preciso muito lhe contar algo.
O tom sério em sua voz já começava a me assustar.
-Do que você está falando? Já estou ficando preocupada...
Ele assentiu.
-Eu sei... Mas vou te explicar com calma.-Ele fez uma pausa, como se escolhesse as palavras.- Eu descobri algumas coisas sobre meu pai que talvez te interessem.
Ao ouvir a menção a William senti um arrepio, mas deixei que continuasse.
-Quando eu me mudei para essa casa com a Amber, eu encontrei alguns cadernos com a letra de meu pai. Eram pesquisas sobre almas e essas coisas. Eu preciso admitir que fiquei bem curioso e acabei lendo tudo aquilo, cadernos e mais cadernos cheios com tudo aquilo. No começo eu achei que ele estava louco, mas depois de um tempo comecei a entender tudo. Meu pai estava pesquisando sobre as almas porque ele queria se tornar imortal.
O tom de voz de meu enteado era tão sério que era impossível rir, mesmo que eu quisesse, por mais que aquilo soasse engraçado e até absurdo, me mantive tão séria quanto ele.
-Meu pai descobriu uma forma de prolongar a vida, ou pelo menos era o que ele acreditava.- Continuou Mike. -Ele matou aquelas crianças por conta de uma substância sobrenatural que ele chamou de remanescente.
Naquele ponto eu já estava começando a acreditar que William era realmente louco e como se Mike pudesse ler meus pensamentos, ele disse.
-Eu sei o que você está pensando, (S/n), mas ele fez testes.
-Que tipo de testes?- Eu questionei, já assustada.
Nesse momento a chaleira apitou indicando que a água estava quente, Mike se levantou, desligou o fogo e preparou as xícaras de chá, enquanto falava.
-Eu acho que ele testou em si mesmo.
-Mike, isso é loucura... Por que ele faria isso?
Michael voltou a se sentar, trazendo consigo as xícaras com a bebida fumegante.
-(S/n), se você ler algumas páginas da pesquisa do meu pai, você vai ver que ele estava desesperado pela imortalidade.-Ele fez uma pausa, remexendo o saquinho de chá- Acho que isso o ajudou a sobreviver àquele acidente no Halloween. Eu me lembro que todos disseram que meu pai sobreviveu por um milagre, mas agora não acredito em milagres, pelo menos não nesse.- Ele bebericou o líquido.
Foi então que um pensamento estranho surgiu em minha mente "Será que William ainda está vivo?" O questionamento trouxe um arrepio e eu voltei meu olhar para o chá e depois para Michael.
-Então você acha que ele ainda pode estar vivo?- Perguntei com a voz fraca e Mike voltou a remexer o saquinho de chá antes de dar mais um gole na bebida e assim respondeu.
-Bem, (S/n) eu não tenho certeza... Mas eu vi alguma coisa correndo próximo àquela cena de crime e se parecia com um animatrônico da Freddy's... Se aquilo realmente for meu pai, a Vanessa já o viu e ela o chama de Sr. Coelho... -Ele suspirou, passando uma mão por seus cabelos.-Isso tudo parece loucura...
Mais um arrepio percorreu minha espinha. Mike pensava da mesma forma que eu, então senti que podia lhe contar sobre minha ida até a pizzaria.
-Mike... Eu também preciso lhe contar algo...- Ele me encarou sério- Eu fui até a pizzaria há algumas noites... O prédio ainda existe e está abandonado, eu queria prestar uma homenagem a William, sabe? Então entrei lá e comecei a falar como se ele estivesse por perto, foi quando escutei um barulho na sala onde ele...- Minha voz morreu, mas Michael sabia o que eu estava prestes a dizer.
-Então você acredita que ele realmente te ouviu.
Assenti com a cabeça, com uma nova onda de esperança que tomava conta de meu peito.
-Talvez ele tenha usado esse tal de remanescente e ainda esteja vivo...- Mike então mudou de assunto.- Mas e você, (S/n)? Você nunca o esqueceu, não é?
-Não, Mike... Eu nunca consegui esquecer o que passei ao lado do William, mas eu tentei... Tive alguns namorados nesses anos, mas não foi a mesma coisa, sabe? -Dei um gole no chá e ele assentiu.
-Então, se ele ainda estiver vivo, você vai...- O homem parou e eu o encarei.
-Eu não sei, Mike... Eu sinto falta dele, sim. Mas o tempo passou, meus filhos cresceram, e eu não sei como eles reagiriam a tudo isso... Principalmente a Violet. Ela parece ter alimentado um rancor muito grande em relação a William... Violet acha que ele nos abandonou.
Mike assentiu em silêncio, eu sabia que ele estava pensativo e na verdade eu também estava. As perguntas surgiam em minha mente como verdadeiras ervas daninhas.
Será que William está realmente vivo?
Mas se está por que não me procurou?
Será que ele acha que eu o abandonei?
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Now the purple rise- Springtrap X Reader (PT-BR)
FanfictionAlguns anos se passaram desde a morte de William, mas (S/n) nunca o esqueceu. Ela acaba voltando para Hurricane mais uma vez, por conta de uma festa e acaba se deparando com algo que jamais imaginaria Será que seus filhos Violet e Vincent, já com qu...
