49 - Fantasma

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Depois que o Daryl pulou em cima de mim, nos encaramos por um momento, e ver seu rosto me deixou em choque. Ele era bonito, com olhos pequenos e olheiras, belos lábios… Seu cabelo era curto e a barba um pouco comprida, e cheirava como qualquer outro morador de rua, mas ele me lembrava… Não, aquilo era loucura.

— Você é real…? – Perguntou, e eu tremi ao ouvir sua voz. Era tão familiar. – Peraí, como você…

— Ei! – Ouvi a voz de Pablo, e logo ele estava lá, puxando o cara que havia pulado em mim pela gola da camisa. – Seu filho da puta, sai de cima dele!

— Vai se foder! Eu achei que estivesse sendo atacado!

— O caralho que achou, você pode enganar todo mundo dizendo que tem alucinações, mas a mim não engana!

— É claro que eu não tenho alucinações, são fantasmas! Agora me solta antes que eu soque essa sua cara!

— Dios mío, Pablito! Ayuda a lo seminarista en vez de pelearte! – Ouvi uma mulher reclamar, entrando pela porta, e aquilo me fez voltar a mim. Era a mãe de Pablo, e por ela ter pedido ele acabou soltando o rapaz, que caiu de volta no colchão. – Estás bien? – Perguntou, me estendendo a mão. Eu cresci com várias crianças latinas então certamente falava espanhol, entre outras línguas que aprendi no orfanato.

— Sí, señora. Gracias.

— Desculpa, esse cara me deixa puto. – Pablo me segurou pelo braço, me ajudando a levantar. – Você devia se desculpar pelo que fez, ele veio aqui pra te ajudar.

Daryl me olhou, e não tirou seus olhos de mim por um bom tempo. Nos encaramos, e quanto mais eu olhava, mais ele parecia… O Owen. Seus olhos, principalmente, era o mesmo olhar. Mas não, aquilo era impossível. Owen estava morto. Só podia ser um truque da minha mente traumatizada, projetando o rosto dele no de outra pessoa. Já aconteceu antes, apesar de fazer tempo que eu não tinha esse tipo de surto.

— Foi mal, eu realmente achei que estivesse sendo atacado.

— Tá tudo bem. – Respondi, sorrindo.

— Não, que porra é essa?! – Ele colocou as mãos nos meus ombros e começou a me sacudir. – Não tá tudo bem!

— Ei, seu desgraçado! – Pablo segurou seus braços. – Solta ele!

— Cala a porra da boca seu intrometido, deixa eu terminar! – Falou aquilo, mas me soltou. – Como eu ia dizendo, você não pode deixar as pessoas te machucarem e dizer que tá tudo bem. Entendeu, Elliot? – Assenti, ainda chocado, mas então algo me deixou alerta: Ele falou o meu nome com tanta naturalidade que parecia até que… Ele me conhecia? Não, aquilo era impossível…

— Owen, é você? – Perguntei antes que pudesse pensar, e ele me encarou novamente, com as sobrancelhas erguidas… Mas de leve, sutilmente, como uma microexpressão. Ah Deus, impossível! É claro que não era ele, Owen não tinha alucinações… E ele estava morto a meses, foi confirmado pelas autoridades. Ele vai achar que eu sou doido.

— Meu nome é Daryl. Daryl Grimes. – Falou, firmemente. Como eu havia pensado… Mas eu não já havia escutado aquele nome antes? E também…

— Como você sabia o meu nome?

— Você me contou.

— Contei, mas… Você não estava surtando?

— Não. Como eu disse, eu não sou maluco. Só vejo fantasmas e eles me irritam pra caralho. Mas eles já foram embora, então você pode ir. Obrigado pela sopa.

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Pessoal, desculpem o cap curtinho, essa semana eu quis descansar minha mente depois de fritar ela por meses por conta do concurso, mas durante o resto do mês vou entregar 2 por semana pra compensar ❤️

Aliás, eu passei, acertei 43 questões de 50!! Agora é esperar a convocação. Mas vou fazendo concursos até ter um cujo salário vá me proporcionar a publicação dos meus livros e a possibilidade de me dedicar às minhas histórias sem preocupações financeiras, que é o que mais me trava na hora de escrever. Em janeiro tenho mais um pra fazer, mas vou tentar manter 1 cap por semana pq não vou mais precisar estudar tanto já que o que eu mais tinha dificuldade eu consegui aprender. Muito obrigado pela força, paciência e por estarem me acompanhando, amo vocês 🥰

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