Eu estava cantando alto, mas pude ouvir os grunhidos raivosos de Owen. Ele desligava o rádio e eu ligava de volta, até que ele perdeu a paciência.
- Puta que pariu, Elliot! Chega!
- Você é um chato! Eu não ouço essas músicas a anos, deixa eu cantar!
- Você não tá nem cantando direito, fica errando a letra! Que saco! - Tentei ligar o rádio novamente, mas ele bateu na minha mão.
- Argh! - Rosnei, e puxei a alavanca do banco pra que eu pudesse deitar. - Eu te odeio!
- Eu sei.
Ficamos em silêncio por um tempo e, como estava deitado, pude olhar para o banco de trás e vi a caixa de chocolates. Peguei e abri, tirando um dos bombons e colocando na boca. Era tão bom... Então comi mais um, e mais um.
- Você vai ter dor de barriga. - Ele arrancou a caixa da minha mão. Esperneei, mas não tentei pegar de volta. Enquanto ainda mastigava o chocolate, comecei a pensar. Ele se preocupou em conseguir dinheiro pra comprar aquilo pra mim, e eu fui tão ingrato...
- Desculpa. - Falei. - Eu não te odeio de verdade...
- Não é como se não tivesse motivo.
- Mas não odeio... Eu te amo... Só que eu me odeio por isso, porque sei que é errado. - Ele suspirou, e de repente encostou o carro. Tirou o cinto e virou pra trás pra poder olhar pra mim.
- Sim, isso é errado. Isso é tão errado que eu não sei o que fazer. Quando penso nas coisas que fiz com você, fico me perguntando por que você ainda fala comigo, por que você tenta me ajudar e por que você diz que me ama. E eu pensei em ir embora, pensei em ficar longe de você, como você pediu, mas eu não consigo! E eu não entendo, eu não sei o motivo mas eu não consigo parar de pensar em você. Mesmo antes, enquanto eu tava no corredor da morte, eu ficava me perguntando se você tava bem, se tava se alimentando direito... Mas quando eu te vi na minha execução eu fiquei tão confuso, porque eu sei que essa não é a vida que você quer viver, e é por isso que eu vim pro Arizona. Eu queria ver se você tava feliz, e eu fico puto ao te ver se reprimindo, escondendo as partes que eu mais gosto em você, mesmo que eu consiga ver que elas ainda estão lá!
- Meu Deus, você tá apaixonado por mim...
- Se isso é estar apaixonado, então sim, acho que eu tô. Como eu disse aquele dia, não sinto borboletas no estômago, nem nada dessas coisas, mas eu sei que valeria a pena investir em você porque você é a pessoa mais interessante que eu já conheci. - Interessante? Do que ele tá falando? - Eu realmente queria poder voltar atrás e-
Não sei por que ele tava falando aquilo tudo, mas sua boca parecia implorar por um beijo, então eu me sentei e uni nossos lábios. Me senti flutuar, meu corpo estava quente e meu coração batia tão rápido que eu achei que fosse explodir. Mas quando parei o beijo e abri os olhos, fiquei confuso com sua expressão. Talvez eu estivesse entorpecido pelo álcool, mas seu semblante estava mais sério que antes.
- Tá, eu vou calar a minha boca. Esquece o que eu falei.
- Hm? Por que ficou com raiva?
- Você não me beijou só pra eu parar de falar?
- Não... Seus lábios pareciam deliciosos, eu quero sentir mais.
Arfou, levando a mão até a minha bochecha e passando o polegar na minha boca enquanto a encarava intensamente. De repente, me empurrou com tanta força que o ar escapou de meus pulmões em um gemido quando minhas costas bateram no banco atrás de mim. Logo ficou por cima, me fazendo abrir as pernas pra poder se posicionar no meio delas, e me beijou novamente.
Dessa vez foi tão intenso, sua língua era tão quente... Eu podia sentí-lo ficar cada vez mais duro conforme se esfregava contra a minha bunda, então passei as pernas em volta de sua cintura para puxá-lo mais pra perto, e pude sentir a vibração que sua garganta fez ao grunhir contra a minha boca. Ele parou o beijo e levou os lábios ao meu pescoço, mordendo e chupando, me fazendo gemer.
- Não, vai deixar marca...
- Logo some. Eu quero deixar várias, pra que você saiba a quem pertence. - Segurou a minha camisa e a abriu, fazendo os botões voarem e baterem no teto. Então, parou, encarando meu peitoral. - Merda...
- O que foi? - Bufou, segurando o crucifixo no meu pescoço e o arrancando de lá.
- Ai! - Se afastou, voltando pro banco do motorista. - Espera...
- Você tá bêbado, não quero que me chame de estuprador quando estiver sóbrio.
- Mentiroso, você não gosta do meu corpo porque eu sou gordo...
- Para com isso, você nem chega a ser gordo. Só que... Também não é magro.
- Minha barriga é grande e molenga...
- É, e deve ser tão boa de apertar quanto a sua bunda. Mas eu não vou mais tocar em você.
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Sawdust
HorrorApós afogar as mágoas na bebida por conta do término de seu namoro, Elliot Taylor acorda nu em uma oficina de marcenaria. Ele tenta lembrar o que aconteceu e, ao conhecer o belíssimo marceneiro, tira a conclusão de que dormiu com ele na noite anteri...
