Alguém realmente havia tentado entrar no quarto dele, a tábua inferior estava quebrada e a do meio tinha algumas rachaduras. Havia marcas de sapato na porta, mas não conseguiram arrombar. Parece que desistiram, ou foram interrompidos.
— Da próxima vez eu vou botar uma armadilha pra cortar a sua cabeça, seu filho da puta! – Owen gritou. Aposto que ninguém estava levando a sério, eu sou o único que sabe que deveriam. – Caralho, eu detesto esse lugar! – Reclamou ao entrar no quarto, então trancou a porta novamente pelo lado de dentro.
— Não acredito que ficou perigoso assim… Aqui era tão tranquilo.
— É, devo admitir que sinto falta do Pablo. Ele era um filho da puta, mas ao menos mantinha tudo em ordem.
— Me sinto meio culpado.
— Por quê?
— Ora, tudo aconteceu depois que eu fui embora.
— Não tinha nada que você pudesse fazer, Pablo foi levado pela interpol. Ele era um criminoso, seria pego uma hora ou outra. – Suspirei, ainda incomodado. Mesmo ouvindo aquilo, era impossível não me sentir culpado. – Enfim, bora continuar lendo o arquivo.
— Tá. – Abri meu notebook. Ele havia reiniciado, então tive que procurar o arquivo novamente… Mas esqueci daquelas imagens, então, conforme rolava a página, elas apareceram.
— Mas que porra, esse é você?!
— Não tem nada pra ver aqui. – Tentei rolar mais rápido, mas ele puxou o notebook da minha mão.
— Peraí, deixa eu ver.
— Owen, já disse que não tem nada pra você ver! – Tentei pegar o notebook de volta, mas ele continuava desviando. – Não tem a ver com o caso!
— Quem fez isso com você?
— Não é da sua conta! – Eu estava quase chorando, não queria que ele visse. Ele não havia assistido ao meu julgamento todo, mas se tivesse, saberia, e eu não queria falar disso.
— Tá bom, tá bom. – Ele finalmente me devolveu o notebook, mas eu já estava tremendo. O coloquei sobre a cama, pois comecei a chorar e não conseguia parar.
Eu sei que já tinha visto aquelas fotos mais cedo, mas naquele momento eu estava sozinho e, mesmo sabendo que era eu, não consegui me reconhecer nelas. Mas agora que Owen havia reconhecido, era como se fosse uma confirmação. Sim, aquele era eu. Aquele garoto de quinze anos, cheio de feridas pelo corpo, era eu, e todas as memórias confusas que eu tinha daquela época estavam ressurgindo, após anos tentando mantê-las escondidas.
Isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde… Assim como, cedo ou tarde, acabarei chorando ao lembrar o que aquele homem ao meu lado fez comigo. Mas agora ele não estava agindo da mesma forma que antes. Na verdade, Owen estava mostrando uma certa… Humanidade. Algo que eu achava que ele não tinha.
— Ei… – Chamou, acariciando minha cabeça. – Esse não é mais você, então não chore. – Ao invés de ouvir o que ele disse, apenas afundei meu rosto em seu peito e chorei mais ainda.
— Eu tenho… – Tentei dizer, entre meus soluços, após um longo tempo de choros e gritos. – Eu tenho que tomar meus remédios, mas não trouxe!
— Qual o nome? Eu peço na farmácia…
— É controlado, não dá pra comprar assim… Eu não… Por que não consigo parar?!
— Quer fumar maconha?
— Não!
— Mas vai te acalmar…
— Eu detesto drogas!
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Sawdust
HorrorApós afogar as mágoas na bebida por conta do término de seu namoro, Elliot Taylor acorda nu em uma oficina de marcenaria. Ele tenta lembrar o que aconteceu e, ao conhecer o belíssimo marceneiro, tira a conclusão de que dormiu com ele na noite anteri...
