Eu devo ter caído no sono. Desde quando…? Sei lá, mas ainda estava tonto quando Owen começou a me sacudir.
— Ei, a sua casa é aquela ali mesmo?
— Hm… Não, eu não quero comer massa.
— Mas que merda, você ainda tá bêbado? – Eu ri.
— Não, bobinho, eu não posso ficar bêbado. Eu vou ser padre…
— Não sei se você tá fingindo ou não… Enfim, parece ser seu endereço, mas as luzes estão acesas. Você mora com alguém?
— Sim, com a minha mãe.
— Para de palhaçada, você é órfão.
— Ela cuidou de mim e agora eu tô cuidando dela, porque ela tá com câncer, tá fazendo quimioterapia. – De repente, senti sua mão no meu pescoço, apertando com força. Gemi e olhei em seus olhos enquanto ele respirava pesadamente. Tinha um brilho diferente neles, o mesmo de quando falou sobre matar o Pablo. – Mais. – Consegui dizer, queria que ele apertasse mais forte, tão forte que eu não seria mais capaz de emitir qualquer som… Mas ele tirou a mão.
— Tá bom, sai do carro. – Pediu, mas eu mal consegui me mexer. Eu realmente estava tentando pegar a maçaneta, mas minha mão não queria obedecer. Então ele saiu e abriu a porta, e me puxou pra fora. – Vamos, chega de gracinha. Tenho que te colocar pra dentro. – Reclamei, mas ele me tirou do carro e me ajudou a andar até a porta da frente.
— Por que minha camisa tá aberta? – Me soltei de seus braços para fechá-la, mas nem mesmo consegui encontrar os botões. – Cadê meu crucifixo? Eu vou levar um esporro. – Tropecei nas minhas próprias pernas, mas ele me segurou antes que eu caísse e me mostrou um chaveiro.
— Qual delas abre a porta? – Olhei, mas minha visão estava embaçada…
— Qual…? Essas chaves não são minhas, eu não tenho tantas.
— Puta que pariu… – Ele começou a tentar usar cada uma pra descobrir qual era, mas de repente, a porta se abriu. Foi um momento longo e silencioso, enquanto Owen e a Irmã Janice se encaravam.
— Temos que deixar os sapatos do lado de fora. – Falei, me abaixando pra tentar tirar os meus, e caindo sobre os arbustos ao meu lado. – Opa!
— Meu Deus, você está bêbado. – Irmã Janice sussurrou, após um longo suspiro. – Entrem pela garagem, o portão é automático e o controle fica no porta-luvas. A Irmã Abigail gosta de fazer fofoca e não pode vê-lo nesse estado, ou a igreja inteira vai ficar sabendo antes da missa de domingo. Por sorte, ela está ocupada fazendo o jantar, mas irei mandá-la embora.
— Irmã Janice? – Ouvi a voz da Irmã Abigail chamar. – É o Irmão Elliot?
— Não, só o vizinho. – Ela fechou a porta, mas ainda pude escutar. – Ele está bêbado e errou de casa… Mas eu vi o carro do Elliot no fim da rua. – Owen segurou meu braço, me fazendo levantar.
— Levanta, vamos fazer o que ela disse. – Me arrastou de volta até o carro. – Porra, aquela mulher fede! – Comentou enquanto procurava o controle da garagem.
— Sua mãe também…
— Para de fazer piada sobre ela, ou vou acabar te matando.
— É verdade, ela tinha o mesmo cheiro. É o câncer.
— Sério? Ah, achei. Você deveria guardar isso num lugar melhor. – Ele apertou o botão, e o portão da garagem se abriu. – Aliás, não era ela que tava no seu julgamento? – Perguntou, enquanto estacionava.
— Era.
— Droga… Mas acho que ela não me reconheceu. – O portão se fechou atrás de nós. Enquanto esperávamos, vi a caixa de chocolates perto do pé dele, então deitei em seu colo pra tentar pegar. – Que porra vocé ta fazendo?!
— Minha boca tá vazia…
— Você não vai me chupar aqui, não!
— Não é isso… – Reclamei, conforme ele tentava me empurrar. Enquanto brigávamos, senti meu estômago revirar, e acabei vomitando.
— Ai, caralho!!
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Sawdust
HorrorApós afogar as mágoas na bebida por conta do término de seu namoro, Elliot Taylor acorda nu em uma oficina de marcenaria. Ele tenta lembrar o que aconteceu e, ao conhecer o belíssimo marceneiro, tira a conclusão de que dormiu com ele na noite anteri...
