Após comermos, Owen colocou meu notebook, duas mudas de roupas e um sabonete numa bolsa, então saímos. Fiquei abismado com a maneira que ele trancou a porta, não bastavam as cinco fechaduras instaladas de cada lado, ele também teve que pregar tábuas de madeira para cobri-las, e ainda pendurou uma placa dizendo “Quem entrar vai morrer”.
— Não é exagero?
— Eu já fui roubado uma vez e os filhos da puta continuam tentando, não vai acontecer de novo.
— Mas isso realmente os impede de entrar?
— Com certeza os deixará ocupados até a gente voltar. Mas eu nem sempre faço isso tudo, é só por que você trouxe seu notebook. A gente não sabe quem te viu entrar.
— Mas a gente tá levando ele junto.
— Eles não sabem disso.
— Ok, então é melhor deixar no meu carro e… – Disse aquilo enquanto estávamos saindo, então meu coração quase saiu pela boca quando notei que o carro não estava lá. – Cadê o meu carro?!
— A garota do andar debaixo me chamou enquanto você dormia, disse que tinham uns drogados sentados nele, então eu resolvi deixá-lo na academia.
— Ah, valeu. Aliás, onde é essa academia? É muito longe?
— Não, logo a gente chega.
Ele falou aquilo, mas andamos por, no mínimo, quinze minutos. Eu fiquei exausto. É claro que ficaria, minha rotina é ocupada demais pra sequer fazer uma caminhada. Além disso, ter um carro me deixou mal acostumado, e eu não ia a lugar nenhum sem ele. Eu certamente tinha mais disposição quando era mais jovem, mesmo na época que eu era mais gordo… Espera, talvez seja uma evidência de que essa doença não está me impedindo de envelhecer.
— Meu Deus, eu tô tão fora de forma…
— Você deveria se exercitar mais. Senta aí, vou pagar sua entrada. – Falou, mas continuou parado na minha frente, me mostrando a mão.
— O que foi?
— Me dê seu cartão de crédito.
— Pensei ter ouvido que você iria pagar!
— E por que iria? O preço pra um dia é quase o mesmo da mensalidade. Você tem um emprego estável, eu moro numa ocupação. – Suspirei, mas me levantei pra pagar ao invés de dar meu cartão de crédito, e ele foi inteligente o suficiente pra pedir pra recepcionista colocar meu notebook pra carregar, já que o dela era da mesma marca. A academia estava quase vazia, com apenas alguns caras malhando, a quem Owen cumprimentou ao entrar.
— E aí Nick, como vai? – Um dos rapazes acenou pra ele, e eu fiquei confuso. Outro nome? – Tá atrasado hoje.
— Sim, eu tô com visita. Mas não vim malhar, a gente tava fazendo uma corrida no parque e só viemos aqui pra usar o chuveiro.
— Ah, claro! Você é amigo do Nick? – O cara apertou minha mão, com tanta força que me fez contorcer o rosto. – Prazer em conhecê-lo, sou o Zeke.
— Oi, sou Elliot. – Falei, desconfortável.
— O Nick tá te ajudando a se exercitar?
— Me ajudando?
— Sim, você tá tentando entrar em forma, né? – Que?! – É bom que tenha tomado essa decisão, seu corpo vai te agradecer. – Sim, ele está sutilmente falando mal do meu peso. Aquilo era irritante, por que ele simplesmente assumiu que eu tinha a intenção de emagrecer? – Aliás, se quiser algumas dicas- – Cerrei os punhos, mas Owen parou na nossa frente.
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Sawdust
HorreurApós afogar as mágoas na bebida por conta do término de seu namoro, Elliot Taylor acorda nu em uma oficina de marcenaria. Ele tenta lembrar o que aconteceu e, ao conhecer o belíssimo marceneiro, tira a conclusão de que dormiu com ele na noite anteri...
